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Centenas de adolescentes raptados: o que foi divulgado até agora sobre o sequestro na Nigéria

O desaparecimento de estudantes de uma escola na Nigéria foi recentemente reivindicado pelo grupo jihadista Boko Haram

Giovanna Gomes Publicado em 15/12/2020, às 15h10

Imagem de uma sala de aula vazia na Nigéria
Imagem de uma sala de aula vazia na Nigéria - Divulgação/Youtube

Na última sexta-feira, 11, um grupo armado invadiu um Instituto de ensino em Kankara, na Nigéria e sequestrou mais de 300 de alunos, deixando a região toda em alerta. Enquanto parte dos estudantes continua desaparecida, uma parcela considerável conseguiu escapar. É o caso de Osama Maale, de 18 anos, que deu uma entrevista assim que conseguiu retornar para seus pais e se livrou dos horrores do episódio.

Noite do crime 

Na noite de 11 de dezembro, sexta-feira, um grupo de cerca de 100 homens armados montados em motocicletas invadiram a Escola de Ciências do Governo em Katsina e sequestraram mais centenas de estudantes. Desde então, todas as demais escolas do estado foram fechadas diante de um segundo ataque.

O governador Aminu Bello Masari visitou a escola no dia seguinte e declarou que os soldados estavam trabalhando para localizar e libertar os reféns. Contudo, declarou que ainda não se sabe ao certo quantos alunos foram levados e quantos conseguiram escapar.

“A escola tem 839 alunos e até agora, ainda não contabilizamos 333”, disse ele a uma delegação do governo federal em seu gabinete no domingo.

Aminu Bello Masari/ Crédito: Wikimedia Commons

 

O governador de Katsina, Aminu Masari, declarou que parte dos estudantes conseguiu escapar e estaria escondida em uma floresta próxima ao local. Contudo, não se sabe ao certo se os jovens se esconderam na hora do ataque ou se escaparam dos agressores.

"Neste exato momento, o Exército está enfrentando os bandidos na floresta. Faremos tudo que pudermos para encontrar as crianças sequestradas", explicou Aminu na última semana.

O ataque 

Osama Aminu Maale, de 18 anos, foi um dos alunos que escaparam dos sequestradores e conseguiram retornar para casa. Segundo declaração dada por ele à AFP, havia um total de 520 estudantes sequestrados pelos homens. “Depois que eles nos levaram, paramos dentro do ônibus, onde fizeram os alunos mais velhos fazerem uma contagem. Contamos 520”, disse ele.

Os reféns foram divididos em grupos antes que Maale e quatro outras pessoas escapassem. "Um dos atiradores me bateu repetidamente quando eu não consegui acompanhar o resto do grupo devido à minha saúde debilitada antes de me deixar seguir atrás, me dando a chance de escapar", disse ele. 

Reivindicação 

De início, acreditava-se que se tratava de um crime cometido por bandidos que sequestram para pedir resgate, algo que tem ocorrido com frequência no noroeste da Nigéria.

No entanto, contrário ao que a maioria supunha, tratava-se de um ataque terrorista por parte do grupo jihadista Boko Haram.

Centenas de meninas foram sequestradas pelo grupo terrorista em 2014/ Crédito: Divulgação

 

"Sou Abubakar Shekau e nossos irmãos estão por trás do sequestro em Katsina", anunciou o líder do grupo por meio de mensagem de voz. A mesma organização esteve por trás do sequestro de mais de 200 meninas em Chibok, no ano de 2014, caso que indignou muitas pessoas ao redor do mundo na época.

Organizações mundiais

A UNICEF em um comunicado no domingo disse que "condena nos termos mais fortes possíveis este ataque brutal e apela à libertação imediata e incondicional de todas as crianças e ao seu regresso às suas famílias". A organização ainda elogiou o governo nigeriano por enviar forças de segurança para resgatar os estudantes.

António Guterres/ Crédito: Wikimedia Commons

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o ataque de domingo e pediu a libertação dos meninos em um comunicado divulgado por seu porta-voz. Guterres disse que: "reafirma a solidariedade e o apoio das Nações Unidas ao governo e ao povo da Nigéria em sua luta contra o terrorismo, o extremismo violento e o crime organizado".


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