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O cessar-fogo e a agonia do Vietnã

Em 1973, os Estados Unidos e o Vietnã do Norte declararam um cessar-fogo

Tiago Cordeiro Publicado em 15/01/2019, às 14h00

Cenas da guerra
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A Guerra do Vietnã foi um longo conflito que, a rigor, nunca começou. Em uma situação típica da Guerra Fria, americanos e norte-vietnamitas jamais se declararam em guerra, porque oficializar as intenções poderia derrubar o delicado castelo de cartas nucleares em que o planeta se apoiava na época. Na prática, em 1964, o governo do presidente Lyndon Johnson iniciou a participação massiva dos americanos. Em 1969, com o país já sob o comando de Richard Nixon, havia 550 mil militares ocidentais lutando entre os pântanos e as vilas vietnamitas. No total, os Estados Unidos enviaram cerca de 3 milhões de homens para as frentes de batalha.

Paradoxalmente, a guerra que nunca foi oficializada teve um fim formal. Em janeiro de 1973, em Paris, os Estados Unidos e o Vietnã do Norte declararam um cessar-fogo que incluía a devolução de prisioneiros inimigos. O governo americano, já sob Gerald Ford, iniciou um processo de abandono dos sul-vietnamitas, ao mesmo tempo em que a União Soviética reforçava seu apoio ao regime do norte. Em abril de 1975, os norte-vietnamitas atacaram Xuan-Loc, a 70 km de Saigon. Foi a última grande batalha da guerra.

Três semanas depois, a embaixada americana promovia a maior operação de evacuação com helicópteros da história – em 18 horas, foram resgatados mil civis americanos e 7 mil refugiados do Vietnã do Sul. Terminava assim o conflito, com um saldo de 58 mil mortes do lado americano, 550 mil entre os sul-vietnamitas e 720 mil homens do Vietnã do Norte. Foi o maior fracasso militar dos Estados Unidos, que ainda hoje sofrem com as seqüelas do conflito. Enquanto isso, no Vietnã destroçado, caberia ao governo comunista reconstruir o país, especialmente Saigon, rebatizada, em 1976, de Ho Chi Minh.


Os protagonistas do conflito

Lyndon Johnson (1908-1973)

O sucessor do presidente John F. Kennedy em 1963 acelerou a tendência de intervenção americana no Vietnã. Depois do ataque a um destróier americano em 1964, obteve a autorização do Congresso para lançar uma operação militar extra-oficial na região.

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William Westmoreland (1914-2005)

Era o general responsável pelas tropas americanas no Vietnã desde 1964. Em 1968, retornou aos Estados Unidos depois de ter-se mostrado incapaz de prever a ofensiva do Tet, quando norte-vietnamitas agiram simultaneamente em mais de cem cidades inimigas.

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Richard Nixon (1913-1994)

Assumiu a presidência dos EUA em 1969, prometendo um fim lento e gradual para a guerra. Diminuiu a ação americana enquanto tentava treinar e armar o exército sul-vietnamita. Reeleito em 1973, foi obrigado a renunciar para escapar à cassação.

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Henry Kissinger (1923)

Prêmio Nobel da Paz de 1973 pela forma como conduziu as negociações do cessar-fogo, foi decisivo para o relaxamento das tensões entre americanos e soviéticos durante a década de 70. Também foi crucial na estratégia de bombardear o Camboja em 1972.

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Ho Chi MinH (1890-1969)

Em 1919, tentou conserguir a independência das colônias da Indochina. Em 1944, liderou a resistência à invasão japonesa. Em 1946, lutou contra a dominação francesa. Vinte anos depois, comandava o exército norte-vietnamita contra os EUA.

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Ngo Dinh Diem (1901-1963)

Presidente do Vietnã do Sul desde que o país foi dividido em dois, em 1954, ele se opôs às eleições previstas para o ano seguinte, nas quais os comunistas eram favoritos. Impopular por reprimir violentamente os budistas, foi deposto e morto em 1963.

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Nguyen Giap (1912)

O principal general de Ho Chi Minh liderou a ofensiva de Dien Bien Phu, em 1953. Foi também o responsável pelas maiores ações do Vietnã do Norte, como a ofensiva do Tet, em 1968, e o avanço fulminante contra Saigon, entre março e abril de 1975.

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Le Duc Tho (1911-1990)

Responsável pela negociação do acordo de cessar-fogo de Paris, foi agraciado em 1973 com o prêmio Nobel da Paz ao lado de Henry Kissinger. Mas, ao contrário de Kissinger, Duc Tho recusou o prêmio, alegando que o acordo não tinha garantido a paz.

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Linha do tempo

27/01/1973

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02/07/1976

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