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Chacina de Osasco: o sangrento episódio em que policiais se tornaram criminosos

Em 2015, quatro oficiais movidos por um intenso desejo de vingança cometeram a maior chacina da história de São Paulo

Ingredi Brunato, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 22/02/2021, às 18h30

Trecho de câmera de segurança de bar durante um dos ataques da noite do massacre
Trecho de câmera de segurança de bar durante um dos ataques da noite do massacre - Divulgação

Na noite de 13 de agosto de 2015, São Paulo viu acontecer a maior chacina da história do estado. O pior de tudo, todavia, é que os autores do banho de sangue, embora naquele momento à paisana e usando máscaras para esconder suas identidades, tinham como profissão justamente proteger a população do crime. Sim, isso mesmo, nesse obscuro episódio paulistano os criminosos eram os policiais. 

Foi um ato de retaliação: alguns dias antes, tanto um policial militar, quanto um guarda civil metropolitano haviam sido assassinados. Coincidentemente, ainda que em momentos distintos, ambos morreram após reagirem a um assalto.  

Como aconteceu o massacre

Munidos de armas de fogo e do mais puro desejo de vingança, um pequeno grupo de oficiais se dirigiu aos municípios de Osasco e de Barueri, e começaram um massacre. Durou duas horas. Foi o suficiente para fazer 17 vítimas fatais e ferir outras 7. 

Vale ressaltar ainda que, alguns dias antes, havia ocorrido o que ficou conhecido depois como uma “pré-chacina”. Isso é, no dia 8 de agosto, o mesmo grupo de agentes de segurança teria assassinado mais 6 pessoas.

Fotografia de mães de vítimas protestando na frente do Tribunal de Justiça de SP em 2019 / Crédito: Divulgação/ Arthur Stabile 

 

Segundo divulgado pelo G1 uma semana após o terrível acontecimento, “em pelo menos um dos ataques, as vítimas foram enfileiradas, os criminosos perguntavam se as pessoas tinham antecedentes criminais e, depois, atiravam”. 

A chocante história da chacina de Osasco logo ganhou repercussão internacional. Segundo divulgado pelo jornal O Globo em 2018, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) chegou a exigir das autoridades brasileiras um maior esclarecimento em relação ao caso. 

Os responsáveis 

Três policiais militares e um guarda-civil foram condenados pela chacina entre 2017 e 2018, sendo acusados de homicídio qualificado e formação de quadrilha.

São eles: Fabrício Emmanuel Eleutério, que recebeu a pena de 255 anos; Thiago Barbosa Henklain, cuja sentença foi de 247 anos; Victor Cristilder Silva dos Santos, condenado a 119 anos de prisão, e, por último, o guarda Sérgio Manhanhã, que recebeu 100 anos. 

De acordo com a Agência Brasil, o Ministério Público afirmou que foram identificadas mensagens de celular trocadas entre os dois últimos, nas quais eles combinavam o horário em que ocorreria o massacre.

Fotografia do ex-policial Victor em seu primeiro julgamento / Crédito: Divulgação 

 

Em 2019, os três oficiais considerados culpados foram expulsos da Polícia Militar. Referindo-se ao acontecimento, o Diário Oficial de São Paulo disse que os homens haviam cometido “atos atentatórios à instituição, ao estado, aos direitos humanos fundamentais, consubstanciando transgressão disciplinar de natureza grave”.

Últimas atualizações 

Nesta segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021, foi anunciado que dois dos acusados, Victor e Sérgio, passarão por um novo julgamento, que começa no dia 23. Dessa forma, seus veredictos e sentenças podem acabar sendo modificados. 

"Testemunhos fraudulentos, falhas na investigação, interesses políticos, resposta rápida para a população, parcialidade de alguns órgãos de imprensa, coação de testemunhas e outras medidas absurdas ainda mantém o militar injustamente preso, aguardando agora mais um julgamento agendado para fevereiro de 2021", anunciou a defesa do ex-policial Victor em uma nota publicada à imprensa e repercutida pelo R7.


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