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Charles Osbourne, o homem que mais soluçou na História

Chegando a ter 40 espasmos por minuto, o norte-americano foi acometido por uma condição rara durante 68 anos ininterruptos

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/08/2021, às 09h00

Retrato fotográfico de Charles Osbourne
Retrato fotográfico de Charles Osbourne - Divulgação / Vietnam Veterans Memorial Fund

A incômoda contração involuntária do diafragma, resultando em um espasmo de curta duração conhecido como soluço, é motivo para a preocupação e irritação de muitos; relacionado aos refluxos gastroesofágicos, ao estresse e até ao popular "comer com pressa", a condição inofensiva pode se tornar um grande desconforto.

Sem distinção de genética ou metabolismo, o soluço costuma aparecer em qualquer pessoa — até mesmo no presidente da República, Jair Bolsonaro, que no mês de julho protagonizou um episódio de persistentes contrações e dores abdominais com a crise de soluço que durou quase uma semana.

Porém, a história da literatura médica nunca registrou um caso mais surpreendente do que o do norte-americano Charles Osborne, detentor de infelizes recordes mundiais auditados pelo Guinness Book e relacionados ao soluço.

O estadunidense foi o homem que sofreu com os espasmos por mais tempo e, consequentemente, o homem que mais soluçou na História.

Origem do soluço

A condição do homem iniciou em 1922, quando ele tinha 28 anos, conforme relatado pela revista Galileu; pouco após servir ao Exército durante a juventude, ele passou por um traumático tombo enquanto tentava pendurar um porco de 160 quilos para o abate.

Apesar da intensidade do choque, a lesão inicialmente não gerou desconfianças, até a descoberta do rompimento de um pequeno vaso sanguíneo no cérebro, responsável por inibir a resposta ao soluço. Seria o início de uma longa batalha para se acostumar com a condição rara.

Lápide de Charles Osbourne em Iowa, seu estado natal / Crédito: Divulgação / JMeister / www.findmygrave.com

 

Com isso, os primeiros anos com a lesão foram marcados pelas incontroláveis contrações, que chegavam a 40 soluços por minuto. Porém, com o auxílio de médicos, Charles conseguiu trabalhar a respiração para diminuir o fluxo de espasmos, alcançando metade deste registro inicial, mas ainda soluçando a cada três segundos.

A solução 

Para evitar maiores desconfortos, as técnicas também possibilitaram a atenuação do barulho e menos impacto abdominal, além de ser acompanhado psicologicamente para manter a sanidade em meio ao desconforto. Dessa maneira, conseguiu retomar a vida profissional e ainda casou-se duas vezes.

Com os relacionamentos, teve oito filhos, que o amparou quando passou a ter dificuldade para engolir alimentos sólidos pelas lesões do soluço, passando a ter uma dieta inteira de alimentos pastosos e líquidos nos anos finais da vida.

Curiosamente, os espasmos foram interrompidos um ano antes de Osborne falecer, totalizando 69 anos de contrações e uma estimativa de aproximadamente 430 milhões delas no período. Ele morreu aos 97 anos, em 1991.


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