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Choe Ryong-hae, o braço direito de Kim Jong-un, que também poderia ocupar o seu lugar

O militar é o primeiro na sucessão como marechal no país e dirige a Assembleia Popular Suprema, se tornando o verdadeiro líder a assumir numa possível morte do ditador

André Nogueira Publicado em 28/04/2020, às 12h49

Choe Ryang-hae
Choe Ryang-hae - Divulgação

Muito se especula sobre o futuro da Coreia do Norte, desde que surgiram rumores de que Kim Jong-un estaria em num crítico estado de saúde após um acidente vascular em cirurgia. Porém, pouco se sabe, tanto sobre a situação do tirano quanto sobre a política do país. A Coreia do Sul, por exemplo, afirma que o líder estaria vivo e bem. 

Todavia, afirmações de que o país seria assumido pela irmã do político, Kim Yo-jong, ganharam vida. Assim, também é discutido que quem assumiria o cargo seria seu braço direito militar, Choe Ryong-hae.

Segundo Lucas Rubio, do Centro de Estudos de Política Songun, a Coreia do Norte “não é uma monarquia hereditária para o poder ser passado por questões sanguíneas e parentais”. Ele afirma que “Kim Yo Jong nem está num cargo que a coloca hierarquicamente logo depois de Kim Jong Un na estrutura de poder.”

“Ela é membro suplente do Bureau Político do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia. Longe de qualquer posição vice. Esse cargo é ocupado por um homem chamado Choe Ryong Hae, que além de Vice-Marechal é também Vice-Presidente do Comitê de Assuntos Estatais da RPDC.”

Choe é Chefe de Estado do país desde 2019, sendo líder do Politburo nacional e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores da Coreia, o mesmo de Kim. Nascido em 1950, esse militar é filho de um importante Ministro da Defesa coreano e entrou no Exército aos 17 anos, além de se graduar pela Universidade Kim Il-sung, tornando-se perito em política e economia.

Na década de 1980, Choe viveu seu maior período de ascensão, passando a liderar a Liga Socialista do partido e a articular com diversos militantes jovens e regentes enquanto se dedicava à carreira militar. Isso abriu espaço para que, em 1986, concorresse ao cargo de deputado, sendo eleito para a Assembleia Popular Suprema.

General Choe / Crédito: Wikimedia Commons

 

Naquele ano, entrou na presidência da instituição, ao mesmo tempo em que se tornou membro titular do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores. Sempre ligado a múltiplas tarefas, ele se dedicou também aos esportes: foi membro da Associação de Futebol da Coreia do Norte e da Associação de Jovens Coreanos de Taekwando.

Liderança 

Em 1993, ele foi declarado Herói da Republica Popular da Coreia, porém, perdera a liderança na secretaria da Liga da Juventude, por informações que foram divulgadas de maneira contraditória: segundo Pyongyang, foi devido questões de saúde; segundo Seul, por uma “reeducação por roubar cobre”.

Logo após, ele se tronou principal comandante do Comitê de seu partido em Hwanghae, província do sul do país, cargo que assumiu até 2010. Naquele ano, foi promovido a general e adentrou ao Secretariado Federal do partido e à Comissão Militar Central, liderando os assuntos bélicos da nação, aproximando-se dos Kim.

Porém, Choe não era tão relevante para o público até a morte de Kim Jong-il. Com a sucessão do filho, o militar foi declarado seu vice-Marechal e disposto na Presidência do Politburo do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, dirigindo a Mesa Política Geral e integrando a Comissão de Defesa.

Ao assumir a posição de prestígio de Ri Yong-ho, Choe parece participar do projeto político de Kim Jong-un, que pretende reduzir o poder das Forças Armadas no comando nacional, abrindo espaço no partido para alianças civis. O vice-marechal não tem grande histórico militar, preferindo colocar seus soldados na construção civil, dinamizando-a.

O governo de Kim Jong-un é marcado por tentativas de reconciliação / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mídias internacionais relataram que Choe foi retirado do cargo de vice-marechal em 2012. Porém, em celebrações posteriores, ele foi fotografado usando a insígnia do cargo. Isso dá a entender que, na verdade, ele ainda é o suplente de Kim Jong-un no cargo, ao contrário das especulações que colocam no posto Hyon Yong-chol ou outros líderes radicais do exército.

Em 2014, informações falsas foram divulgadas sobre Choe: devido ausências significativas em celebrações públicas, foi anunciado que ele teria sido preso por Kim, mas logo após, foram captadas imagens dele caminhando em Pyongyang.

Então, foi nomeado vice-presidente da Comissão Nacional de Defesa, o que reforçou o entendimento de que ele é o segundo nome das Forças Armadas no país.

Em sucessivas eleições internas do Parlamento Coreano, foi disposto como presidente da instituição, além de Choe ter participado de importantes movimentos diplomáticos da Coreia do Norte, como ter entregado pessoalmente a carta de Kim Jong-un a Vladimir Putin em 2014. Ainda integrado na política, ele é possivelmente o sucessor de Kim como Supremo Líder da República Popular da Coreia, além de seu cunhado.


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