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Cidadãos atenienses podiam banir pessoas da cidade por 10 anos

Comum na Atenas antiga, prática conseguia eliminar tiranos em ascensão

Joseane Pereira Publicado em 17/09/2019, às 08h00

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Reprodução

A partir do século 5 a.C., a cidade-estado Atenas passou a exercitar uma prática denominada Ostracismo. Derivada de ostrakon (pedaços de cerâmica usados ​​como superfície de escrita para nomear os expulsos), a palavra dava nome ao procedimento político que continha o poder de qualquer tirano em ascensão sem apresentar nenhuma acusação contra ele.

Um grande poder

O ostracismo foi introduzido em Atenas pelo político grego Clístenes, considerado um dos pais da democracia, tendo sido usado pela primeira vez em 488 na expulsão de Hiparco, irmão do tirano Hípias. Todos os anos, em janeiro, perguntava-se ao povo sobre o desejo de realizar um ostracismo. Caso o voto fosse positivo, dois meses depois era realizado novo encontro na Ágora, e os cidadãos levavam consigo um ostraka com o nome da pessoa.

Ostrakas utilizados na votação / Crédito: Reprodução

 

Sobre a organização dos votos, existe divergência entre historiadores: enquanto uns afirmam que o ostracismo ocorria quando os votos passavam de 6 mil, sendo expulsa a pessoa com mais votos, outros acreditam que só era expulso aquele que atingisse 6 mil votos. Mais de 10 mil ostrakas foram escavados na ágora de Atenas.

Embora o ostracizado não fosse privado de seu status de cidadão e de suas propriedades, caso retornasse antes de 10 anos, ele sofreria pena de morte. Mas em alguns casos, como de Xanthippus, pai de Péricles, e Aristides, o Justo, a Assembleia poderia chamar o ostracizado antes do tempo.

No período de quase um século (508-417 a.C.), são conhecidos menos de 20 ostracismos. Embora tivesse esse poder nas mãos, a população cidadã o exercia apenas em casos excepcionais.