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Circe, a poderosa deusa da feitiçaria que transformava homens em animais

Com o hábito citado acima, a feiticeira aparece até hoje em obras de ficção famosas

Ingredi Brunato Publicado em 26/08/2020, às 15h48

Circe representada no quadro "Taça para Ulisses", de John William Waterhouse
Circe representada no quadro "Taça para Ulisses", de John William Waterhouse - Wikimedia Commons

Circe era uma deusa feiticeira na tradição da Grécia Antiga. A deidade, como muitas outras presentes na mitologia grega, tinha uma natureza dualista: era deusa da Lua Nova, do amor físico, dos encantamentos e sonhos que revelam o futuro, mas também das vinganças, maldições e da magia negra. 

Ela era filha do deus do Sol, Hélio, e dependendo da versão da história, pode ter como mãe tanto Hécate, a deusa da magia, quanto uma ninfa do oceano chamada Perseis. Circe teria se casado com um príncipe, porém não gostou muito da experiência do matrimônio, e decidiu envenená-lo. Foi o primeiro dos muitos homens que a deusa puniria, embora seu método preferido fosse outro, que consistia em transformá-los em animais. 

Como castigo pelo que fez ao marido, Circe teria sido banida para a ilha de Eana. E foi lá onde Ulisses a encontrou, quando seu navio topou com a ilha durante a Odisséia, uma das histórias mais conhecidas a contarem com a participação da deusa feiticeira. 

Falsa hospitalidade 

A viagem de volta para casa enfrentada pelo guerreiro Ulisses não foi fácil, como é bem sabido. É por esse motivo que o herói, ao encontrar uma ilha, sempre checava se era uma boa parada para ter um descanso merecido, antes de retornar à sua jornada. 

Em uma dessas muitas paradas ele acabou na ilha de Eana, a morada da poderosa Circe. O guerreiro, que não era bobo nem nada, enviou seus tripulantes na frente, para verificarem se seriam bem recebidos ali. Segundo conta a lenda, foram feras que vieram lhe dar as boas-vindas: tigres, leões e lobos. Porém não os atacaram, como se poderia separar, pois estavam sob o encantamento de Circe.

A deusa veio recepcioná-los, e a princípio se mostrou como uma ótima anfitriã. Ofereceu comidas e bebidas para os viajantes cansados, deixando-os se fartar até não poderem mais. 

Foi quando o banquete terminou que a feiticeira mostrou suas reais intenções, e transformou os homens de Ulisses em porcos. Como eles viriam a descobrir, os outros animais que tinham vindo recebê-los eram também homens enfeitiçados pela filha do deus Sol. Para deixar o encantamento ainda mais cruel, os homens continuavam com sua consciência humana, e era só o corpo que estava aprisionado na carne de um animal. 

Deusa Circe representada em outra pintura de John William Waterhouse. 

 

Um dos tripulantes, no entanto, conseguiu se salvar. Era Euríloco, o braço direito de Ulisses, que havia pressentido o perigo desde o início. Ele voltou para contar ao herói o que havia acontecido, e para a surpresa de ambos, eles ainda receberam uma ajuda do deus Hermes, o protetor dos viajantes. 

O deus com asas nos pés - muito úteis para alguém em constante locomoção - entregou a Ulisses uma planta que o tornaria imune à magia da deusa feiticeira. Foi assim que ele derrotou Circe, obrigando-a a devolver a forma humana para todos os homens que tinha enfeitiçado. 

Apesar do início conturbado na ilha, o guerreiro e seus homens ainda continuariam abusando da hospitalidade da deusa por mais outro ano, uma vez que ela não podia mais usar sua feitiçaria contra eles. 

Outras aparições antigas 

Circe está presente também no poema Metamorfoses, do poeta romano Ovídio. Ele narra a trágica história de amor não correspondido do pescador Glauco pela ninfa Cila. O homem acabou sendo transformado em uma criatura marinha, mas dessa vez não foi culpa da deusa feiticeira, e sim de divindades aquáticas. 

Glauco procurou a deusa em busca de ajuda, na verdade. Todavia, Circe se apaixonou por ele, e por isso recusou-se a realizar uma magia que o tornasse atraente de novo para a ninfa. Mais do que isso: ferida pela recusa de Glauco, a feiticeira envenenou a água onde Cila tomava banho, transformando-a, também, em um monstro marinho. 

A ninfa continuou tendo o corpo de uma mulher até a cintura, mas abaixo disso havia uma confusão de cabeças de serpente e cães raivosos. Agora, era Glauco que não queria mais Cila. Ele a consolou enquanto ela chorava, mas depois disso precisou informá-la que o amor tinha acabado. 

Aparições modernas 

A deusa feiticeira marca presença em diversas obras de ficção famosas. Ela vive uma supervilã nos quadrinhos do Universo DC, está novamente em sua ilha transformando homens em animais durante a saga “Percy Jackson e Os Olimpianos”, e é citada como uma bruxa famosa no primeiro livro da série Harry Potter. 

Já no premiado best-seller “Circe”, lançado em 2018 por Madeline Miller, a autora faz uma releitura dos mitos originais envolvendo a deusa, dando uma nova interpretação. Miller compila a trajetória de Circe retratando-a a princípio como a filha insegura do deus do Sol, para então descobrir suas habilidades mágicas após o exílio na ilha Eana, tornando-se uma feiticeira poderosa que não abaixa a cabeça para os homens que encontra. 


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