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Citado por Elizabeth II em discurso: Entenda o que é a terapia de conversão

No século 19, identidades de gênero que divergiam da normativa heterossexual passaram a ser considerados como uma patologia. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 11/05/2021, às 16h53

Bandeiras do arco-íris durante uma vigília à luz de velas pelas vítimas do tiroteio Pulse Nightclub em Orlando
Bandeiras do arco-íris durante uma vigília à luz de velas pelas vítimas do tiroteio Pulse Nightclub em Orlando - Getty Images

Conforme noticiado mais cedo pela equipe do site do Aventuras na História, a rainha Elizabeth II realizou o discurso de abertura da nova sessão do Parlamento nesta terça-feira, 11, que ocorreu na Câmera de Londres. 

Dentre os assuntos abordados pela monarca, um deles chamou mais a atenção: a proibição da terapia de reorientação sexual no Reino Unido. “Serão apresentadas medidas para abordar as disparidades raciais e étnicas e banir a terapia de conversão [também conhecida como reorientação]”, disse a rainha. 

Elizabeth II (à esqu.) e bandeira LGBT (à dir.)/ Crédito: Getty Images e Imagem de SatyaPrem por Pixabay

 

Apesar das diversas lutas do movimento LGBTQ+, prática retrógadas como essa ainda estão espalhadas por diversos países. Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo Governo britânico, em junho de 2017, com mais de 108.000 pessoas LGBTQ+ do Reino Unido apontou que 2% dos entrevistados já participaram, de alguma forma, de terapias de conversão; enquanto 5% informaram que o método já lhe foram oferecidos. 

Empecilhos para o projeto 

Apesar da importância da fala de Elizabeth II, ainda pode demorar para que uma legislação contra o ‘tratamento’ seja apresentada. Como explica matéria da BBC, fontes anônimas ligadas ao governo disseram que primeiro haverá consultar para saber como lidar com os terapeutas, professores e defensores, além de estabelecer como defender a liberdade religiosa.  

Ademais, um informativo do governo ainda disse que a abordagem “garantirá que profissionais médicos, líderes religiosos, professores e pais possam continuar a ter conversas abertas e honestas com as pessoas” sobre o tema. 

Caso a medida seja aprovada, o The Washington Post lembra que ela cumprirá uma promessa feita por Theresa May em 2018, primeira-ministra do país até então, quando anunciou um plano de ação de 75 pontos contra a discriminação LGBT, incluindo proibição de 'terapia de conversão', algo que o governo chamou de “abominável”. 

O atual premier britânico, Boris Johnson, que elaborou o discurso da monarca, declarou em julho passado que a prática (terapia de conversão) “não tem lugar em uma sociedade civilizada” e que o governo a proibiria. 

Antes disso, quando era prefeito de Londres, chegou a proibir publicidade que incentivava a prática. Porém, após a divulgação de May, a falta de ações do governo fez com que três membros do órgão consultivo LGBTQ+ do governo renunciassem no início do ano, segundo o The Washington Post.  

Assim, no meio de uma crescente pressão, Johnson disse em março que apresentaria um projeto de lei de proibição "em breve", algo que se confirmou, em partes, hoje. 

O que é a terapia de conversão? 

De acordo com um relatório da International Lesbian and Gay Association (ILGA) World 2020, a chamada ‘terapia de conversão’ pode se referir a uma série de esforços e ‘tratamentos’ usados para alterar a identidade de gênero ou sexualidade de uma pessoa. 

Isso começou, como explica matéria do The Washington Post, em meados do século 19, quando identidades de gênero que divergiam da normativa heterossexual passaram a ser considerados como uma patologia.  

Entre as medidas mais extremas usadas durante essa prática estão: terapias de choque elétrico, internação, regimes hormonais, e até mesmo abuso físico e sexual, explica o periódico. Além destes, a psicoterapia e o aconselhamento religioso, que visa orientar as pessoas para mudarem de gênero ou identidade sexual, também se enquadram nisso. 


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