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Cixi: a concubina que se tornou a imperatriz da China

A Última Imperatriz chinesa foi responsável por um grande projeto de modernização econômica, mas sofreu com invasões estrangeiras

André Nogueira Publicado em 09/10/2019, às 09h30

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- Reprodução

A última Imperatriz chinesa, a viúva Tseu-Hi – ou Cixi – foi uma das mais poderosas mulheres de seu país, além de uma carismática governante da Dinastia Qing, de etnia Manchu. Cixi governou a China por quase 50 anos, de 1861 até o ano de sua morte.

Cixi assumiu o poder após um complicado enlaço político, no qual ela eliminou os regentes indicados pelo marido, resultando num golpe de Estado que a colocou no poder. Seu governo foi marcado por revoltas populares e invasões imperialistas que mantiveram a China em guerra, ao mesmo tempo em que sua política tomou o caminho da modernização do país.

A concubina

Cixi foi ofertada ao imperador Xianfeng como concubina, aos 16 anos. Ela era filha de servidores públicos e estava mal classificada na disputa pela posição, sendo considerada de classe baixa. A época era marcada por uma visão em que a mulher devia ser apartada da vida social e política. Porém, no desfile onde as possíveis concubinas se mostravam ao imperador, Cixi chamou a atenção.

Pintura em óleo da Imperatirz coroada / Crédito: Reprodução

 

Ela era impedida de entrar na Cidade Proibida – palácio imperial – por ser mulher, mas em um articulado movimento de eliminação de seus adversários políticos, seja por subornos, seja pela violência, foi possível que ela se tornasse a próxima regente chinesa. Isso porque a concubina era mãe do único filho homem de Xianfeng, Tongzhi, que assumiu o Império aos dezesseis anos de idade.

Mesmo assim, na prática, a grande governante chinesa era Cixi, enquanto seu filho, e depois seu sobrinho Guangxu, pouco poder tinham. “Porém, quando ele [Tongzhi] assumiu, estava mais interessado em pular os muros da Cidade Proibida para se encontrar com prostitutos, homens e mulheres”, diz Jung Chang, autora do livro A Imperatriz de Ferro (lançado no Brasil pela Companhia das Letras), em entrevista ao jornal O Globo. 

Ou seja, em lei, o imperador era um homem. Porém, de fato, quem comandou e modernizou a China na passagem do século 19 para o 20 foi a imperatriz.

O Governo

Cixi, a Imperatriz Viúva / Crédito: Reprodução

 

Cixi governou seu império com brutalidade e autoritarismo, abafando a importante e prolongada rebelião de Taiping, que matou mais de 20 milhões. Ao mesmo tempo, reforçou, numa visão internacional, as formas e as técnicas pelas quais a China se relacionava com o mundo. Isso porque a gestão anterior à sua tinha sofrido uma grande derrota contra as potências imperialistas na Guerra do Ópio.

Ao mesmo tempo, Cixi deixou uma marca de modernização econômica e infraestrutural no país, inaugurando as primeiras linhas férreas da China e enviando embaixadores em missões diplomáticas. Também construiu telégrafos e redes de esgoto, pavimentou ruas e trouxe a eletricidade ao povo.

Também oficializou uma bandeira nacional e equipou as Forças Armadas com equipamento de primeira linha (e, mesmo assim, a China sofreu ataques de potências estrangeiras que desejavam aumentar sua influência no oriente e captar recursos naturais).

“Minha avó tinha os pés atados e sofreu com dores a vida toda. [...] descobri que a imperatriz foi a primeira a banir esta tradição. Mas a sua reputação, ao contrário, era a de uma déspota cruel. Só o ato de banir os pés atados já indicava algo muito diferente da imagem que se fazia dela”, relatou Chang.

Em represália aos ataques europeus, ela patrocinou o Levante dos Boxers, que tentou barrar as influências ocidentais cristãs, e atacou núcleos estrangeiros. Isso fomentou ainda mais os planos de invasão da China, empreendidos pela Aliança dos Oito (russos, estadunidenses, britânicos, franceses, japoneses, alemães, austro-húngaros e italianos), que juntou 20 mil soldados com o objetivo de tomar Pequim.

O Levante dos Boxers / Crédito: Wikimedia Commons

 

A capital foi derrubada em agosto de 1900, criando uma dívida gigantesca no governo em indenizações e abrindo prerrogativas para a exigência de maior liberdade estrangeira na exploração econômica da China. Ainda assim, Cixi conseguiu manter o trono, negociando a destruição da Sociedade Yìhétuán, que liderou o Levante. Salvou, assim, sua dinastia, mas começou a comandar o que estava sendo chamado de A Colônia de Todas as Metrópoles.

Legado

Cixi morreu em 1908, ainda sofrendo as consequências da grande derrota contra os imperialistas europeus, mas conseguiu fazer a manutenção do poder dos Manchu no Império. Indicou, então, um sucessor chamado Pu Yi, que foi coroado aos dois anos de idade e se tornou o último imperador da China, antes da Revolução Xinhai.

A Imperatriz Viúva entrou para a história com diversas representações, inclusive difamatórias. Por muitos, ela é vista como uma reacionária brutal e despótica. Por outros, era uma ninfomaníaca ciumenta (principalmente porque é comprovado que ela atirou a concubina principal do filho num poço). Porém, muitos reconhecem a atuação da imperatriz no combate à fome e na modernização da China, além da abolição de práticas tradicionais cruéis.


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