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Clairvius Narcisse, o zumbi da vida real

Fruto do vodu haitiano, caso ocorrido no século 20 é o primeiro registro de zumbismo confirmado

Joseane Pereira Publicado em 06/11/2019, às 12h00

Narcisse no local onde foi enterrado em maio de 1962, no Haiti
Narcisse no local onde foi enterrado em maio de 1962, no Haiti - Getty Images

Em abril de 1962, o haitiano Clairvius Narcisse entrou no Hospital Albert Schweitzer, no Haiti, reclamando de febre e do que descreveu como “insetos rastejando na pele”. Quando sua condição piorou, a equipe lhe colocou em um quarto no hospital, e dois dias depois ele foi declarado morto. Sua família enterrou o corpo no cemitério local, selando o caixão com pregos como de costume.

A RESSUREIÇÃO

Mas, em algum momento naquela noite, o caixão de Narcisse foi perturbado. Um Bokor, ou feiticeiro haitiano, o desenterrou e levou embora. O homem foi espancado, amarrado e forçado a beber uma poção, sendo levado para uma plantação de açúcar.

Durante dois anos, ele trabalhou na plantação junto a outras pessoas em estado semelhante, recebendo injeções adicionais da poção para manter-se em seu estado zumbi. Após a morte do Bokor, Narcisse viu uma chance de ir embora e vagar sem rumo. Dezoito anos depois ele retornou à sua cidade natal, sendo reconhecido por sua família incrédula e assustada.

ZUMBISMO CONFIRMADO

Narcisse e sua família / Crédito: Getty Images

 

Narcisse se lembrava de tudo. Da admissão no hospital, do seu enterramento, do desenterramento feito pelo Bokor e dos trabalhos forçados na plantação. Tudo foi feito enquanto ele estava em um estado quase vegetativo, e as lembranças o assombravam amargamente.

Até os anos que demorou para voltar estavam explicados: antes de ficar doente, ele havia brigado com o irmão, e o culpou completamente pelo que havia acontecido. Narcisse só voltou quando teve certeza de que o irmão faleceu.

Segundo ele, sua morte havia sido encomendada por seu irmão a um feiticeiro Nzombi, devido a uma disputa de terras.

Crédito: Getty Images

 

Pesquisadores como Wade Davis, antropólogo e etnobotânico de Harvard, estudaram as alegações de Narcisse. Segundo Davis, os ingredientes usados na poção foram a tetrodotoxina e a bufotoxina, simulando um estado de morte. Complementadas com Datura Stramonium, um delirante poderoso, essas substâncias tiveram o poder de manter Narcisse sob controle por longos 18 anos.


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