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A magia sexual de Aleister Crowley: Amor livre, masturbação e homossexualidade

A denominada magia sexual crowleyana, abordava temas como de relações de poder entre homens e mulheres no sexo

M.R. Terci Publicado em 18/06/2019, às 11h00

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Aleister Crowley cultivou ao longo de sua má-afamada existência, uma fama dos diabos. A imprensa britânica rotulou-o de o homem mais perverso do mundo, enquanto ele mesmo se vangloriava de ser A Grande Besta.

Sem dúvida, o ocultista mais influente, foi também o mais polêmico do século 20. Crítico severo das convenções sociais e religiosas, Crowley apoiou publicamente a Alemanha na Primeira Guerra Mundial, foi viciado em opiáceos e muitos dos que se associaram a ele morreram tragicamente em circunstâncias misteriosas.

Notório transgressor da moral vitoriana, das concepções esotéricas e das práticas mágicas mais ousadas de sua época, Crowley operou uma verdadeira interface entre a ciência do sexo e a arte erótica tântrica que chegava à Europa, quebrando tabus sobre o corpo, gênero e sexualidade.

Aleister Crowley / Crédito: Reprodução

 

Em 1920, décadas antes do surgimento do amor livre e do movimento hippie, acompanhado por sua mulher, a filha recém-nascida e sua amante, Crowley se mudou para uma localidade isolada na cidade de Cefalù, na Itália, quintal de Mussolini.

Ali, o mago fundou a Abadia de Thelema, uma espécie de anti-monastério e comunidade alternativa, onde seus habitantes viviam suas vidas “não de acordo com as leis, estatutos ou regras, mas de acordo com sua vontade e com seu prazer”.

Sustentada pelas mensalidades dos acólitos, essa utopia idealística funcionou por muitos anos como modelo de sua escola mágica, o Collegium ad Spiritum Sanctum, cujo programa de ensino incluía adorações diárias ao Sol, Yoga e práticas e rituais regulares baseados em seus próprios escritos

A denominada magia sexual crowleyana abordava temas como amor livre, masturbação, homossexualidade e relações de poder entre homens e mulheres no sexo.

Seduzidos por esse estilo de vida, famosos e anônimos, ricos e pobres, começaram a viver em sua comunidade que crescia cada vez mais. Mas logo a Abadia e seu mestre viriam a se tornar alvos de muitos rumores, o que resultaria na sua deportação, após a morte de um dos thelemistas.

Orgias sexuais, sacrifícios de crianças e animais, uso de drogas e bestialidade eram relatadas pelos habitantes da circunvizinhança e pela imprensa britânica.

Crowley jamais admitiu tais acusações, mas igualmente nunca as negou.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.