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Como a morte do príncipe consorte da Dinamarca quebrou com uma tradição de 459 anos, em 2017

Enquanto príncipe consorte, ele demonstrou insatisfação por nunca ter sido rei: “Durantes muitos anos, fui o número dois da Dinamarca”

Fabio Previdelli Publicado em 20/06/2021, às 09h00

Henrik, o príncipe da Dinamarca
Henrik, o príncipe da Dinamarca - Getty Images

Nascido em 11 de junho de 1934, Henrik Marie Jean André de Laborde de Monpezat virou príncipe consorte aos 33 anos, quando se casou com a princesa herdeira da Dinamarca Margrethe, em 1967. Os dois se conheceram quando ele trabalhou como diplomata em Londres.  

Cinco anos depois, Margrethe se tornou rainha do país e, consequentemente, Henrik foi nomeado príncipe consorte — afinal, na monarquia, com raras exceções, uma princesa se torna rainha quando seu marido assume o trono, mas, o contrário não acontece.  

Apesar disso, Henrik, que passou a adotar somente seu primeiro nome como sinal de respeito, passou a demonstrar toda sua infelicidade por jamais ter a chance de ser coroado rei.

Henrik ao lado de Margrethe/ Crédito: Getty Images

 

Isso, segundo a BBC, o tornou uma figura muito controversa e polêmica, já que os dinamarqueses viam isso como um sinal de arrogância de uma pessoa com anseio por reconhecimento.  

A gota d’água para ele aconteceu em 2002, quando foi preterido em favor do príncipe herdeiro Frederik. Henrik não gostou nada de não ser escolhido para representar Margrethe em uma cerimônia de ano novo.  

Fuga, rompimento e quebra de tradição 

Com a certeza de que, cada vez mais, estava sendo deixado de lado, o príncipe Consorte se refugiou em seu castelo no sul da França. Durante três semanas, se abrigou no local para, segundo ele, “refletir sobre a vida”. 

O príncipe Henrik/ Crédito: Erik Christensen/Wikimedia Commons

 

Sua insatisfação foi declarada em um tabloide dinamarquês, segundo relata a BBC. Ao periódico, disse ter sido rebaixado ao “terceiro lugar na hierarquia real”. Além disso, alegou ter se sentido “afastado, degradado e humilhado”. Seu orgulho estava ferido e seu amor-próprio estava aos pedaços.  

“Durantes muitos anos, fui o número dois da Dinamarca”, desabafou. “Estou satisfeito com esse papel, mas não quero ser rebaixado para o número três”. 

As declarações fizeram com que ele se tornasse alvo de piadas por parte dos dinamarqueses, que já não eram muito simpáticos com sua figura. Porém, outros, principalmente uma parte muito jovem do país, via isso como uma quebra normativa da uniformidade cultural na sociedade.  

Como resultado disso, relata a BBC, Henrik se aposentou de suas funções oficiais em 2016. A partir daí, retirou-se em seu vinhedo particular na França. Além da bebida, ele era visto como um grande admirador da gastronomia e da poesia, tendo, inclusive, publicado livros sobre esses assuntos.  

Todos esses fatores o fizeram rejeitar um funeral de estado, conforme informou a Casa Real em fevereiro de 2018 — quando Henrik faleceu, aos 83 anos. Diagnosticado com demência no ano anterior, ele foi hospitalizado no começo de 2018 com uma infecção pulmonar.  

Henrik ao lado de seus familaires/ Crédito: Bill Ebbesen/Wikimedia Commons

 

Em 2017, como relata a BBC, ele pediu para que não fosse enterrado ao lado do túmulo da esposa — a rainha possui um sarcófago especialmente construído em uma catedral a oeste de Copenhague, onde os restos mortais da realeza dinamarquesa estão enterrados.

O pedido foi aceito por Margrethe, que informou que isso significaria uma quebra de tradição de 459 anos.  

Segundo relatado pela imprensa na época, Henrik morreu “pacificamente enquanto dormia” no Castelo de Fredensborg, ao norte de Copenhague. Sua partida foi acompanhada de perto por sua esposa e seus dois filhos: o príncipe herdeiro Frederick e o príncipe Joachim

Seu último desejo, que foi atendido, era de ser cremado, com metade de suas cinzas espalhadas pelos mares dinamarqueses e a outra enterrada no jardim real privado do Castelo de Fredensborg.


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