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Como a tecnologia do Instituto Butantan tem ajudado cientistas no combate a pandemia de covid-19

Em entrevista ao site Aventuras na História, Claudia Anania, gerente de TI do Instituto Butantan, explicou quais foram as ferramentas criadas pelo centro de pesquisa durante o combate à covid-19

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 13/03/2021, às 08h00

Registro da vacina Coronavac
Registro da vacina Coronavac - Divulgação

Na última quinta-feira, 11, o Brasil registrou 2.207 mortes por covid-19 em apenas 24 horas, em um recorde que acompanha a média móvel de óbitos, que chegou a 1.705. Segundo o G1, comparada à média anterior, a variação foi de 49%. A alta nas mortes mostra que o país se encontra no momento mais difícil da pandemia.

Para combater o novo coronavírus, centros de pesquisa ao redor do mundo estão comprometidos em desenvolver novos sistemas e tecnologias. Em tempos de pandemia, o trabalho de profissionais da saúde, da tecnologia da informação (TI) e pesquisadores prova-se ainda mais importante e desafiador.

No Brasil, o Instituto Butantan é um dos locais onde tecnologia, pesquisa e vacinas estão sendo produzidas, atraindo a atenção de todo o país. Afinal, em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, o centro de pesquisa desenvolveu a CoronaVac, uma vacina eficaz contra o novo coronavírus.

Em entrevista exclusiva à Aventuras na História, Claudia Anania, gerente de Tecnologia da Informação do Instituto Butantan, explicou detalhes dos novos projetos criados pela instituição que têm como objetivo conter o avanço da covid-19 principalmente no país, mas também no mundo.

Claudia Anania, gerente de Tecnologia da Informação do Instituto Butantan /Crédito: Divulgação/Instituto Butantan

 

Segundo ela, “as ferramentas têm dado uma visibilidade de como a pandemia tem se comportado”. “Sem dados, hoje, nós não teríamos condições de entender quantas pessoas foram infectadas, quantas já, infelizmente, faleceram de covid. Então isso dá uma ideia bastante interessante de como nós temos tratado o vírus no Brasil”, explica. 

Auxiliados pela tecnologia

Embora o mundo já tenha enfrentado outras pandemias, ele ainda não contava com a tecnologia que possuímos nos dias de hoje. “A tecnologia vem auxiliar no melhor entendimento do comportamento do vírus, e com isso nós conseguimos tomar ações mais rápidas para evitar que o vírus se propague com a velocidade que poderia se propagar se não tivéssemos essas informações”, afirma Anania.

O Instituto Butantan, inclusive, está passando por transformação digital significativa impulsionada pela pandemia do novo coronavírus: inúmeros sistemas foram criados recentemente que tem como intuito auxiliar tanto a população quanto os próprios cientistas no combate contra a doença.

De acordo com Claudia, o Butantan está sendo apoiado pela tecnologia em projetos de testagem e combate à covid-19. Ela afirma que “através do uso de diversos sistemas, a TI tem dado apoio ao negócio no levantamento e análise dos dados de positividade, o que permite entender o comportamento do vírus, com o acompanhamento dos pacientes, e a propagação do vírus, com o uso de geolocalização”.

O aplicativo

Para a população do estado de São Paulo, o centro de pesquisa, em parceria com a startup GHM, desenvolveu um aplicativo que leva o nome da empresa e tem como objetivo realizar contact tracing (rastreamento de contatos).

Ao baixar a ferramenta, o usuário realiza uma autoavaliação dos sintomas e, caso o indivíduo teste positivo, por meio de um exame, a própria plataforma alerta a pessoas próximas que alguém de seu contato foi diagnosticado com a doença.

"O diagnóstico precoce é uma forma da pessoa se isolar e não propagar o vírus" explica Claudia, que acrescenta que a plataforma conta ainda com uma carteira de vacinação com as datas da 1ª e 2ª doses, fabricante da vacina e possíveis reações adversas.

Além do aplicativo, o Butantan também criou a plataforma Tainá, que é composta de cinco ferramentas. Elas permitem que pesquisadores entendam o comportamento do vírus, e, assim, combatam sua propagação.

A Tainá Vigilância Epidemiológica, por exemplo, possibilita que vigilâncias municipais façam o cadastramento de pacientes, acompanhem os resultados dos exames do novo coronavírus e avaliem a evolução dos indivíduos em apenas um sistema. 

A tecnologia no Projeto S

A plataforma Tainá também apresenta ferramentas específicas para pessoas envolvidas no Projeto S, estudo clínico realizado na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, que tem como objetivo entender como a vacina atuará na propagação do vírus dentro de uma cidade toda. 

Vacinas Coronavac - /Crédito: Divulgação - Instituto Butantan

 

Em fevereiro, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, explicou ao G1: “A ideia é vacinar o maior número de pessoas da população adulta. Nós estamos prevendo uma vacinação que pode chegar a 30 mil pessoas. E, com isso, a gente acompanha a evolução da epidemia. Tem aspectos técnicos que vão permitir fazer cálculos, fazer projeções, que vão calcular se a vacina é eficaz em diminuir a transmissão ou não, qual a porcentagem”.

Para auxiliar esse processo, a tecnologia da informação foi usada para a criação da Tainá Assistente Virtual. Segundo Anania, essa ferramenta “está sendo utilizada em Serrana para orientar a população do local e data de voluntariado para a ação e sobre reações adversas da vacina contra a covid-19”. No entanto, ela será implementada em todo o estado de São Paulo e “será utilizada para tirar dúvidas da população sobre sintomas de covid-19”.

Fora os sistemas apontados, o Butantan também desenvolveu a Tainá Business Intelligence, uma ferramenta de apoio às áreas de negócio, e a Tainá Projeto S, que acompanha as etapas dos estudos clínicos de Serrana.


O aplicativo GHM pode ser baixado gratuitamente por qualquer cidadão do estado de São Paulo. 

Saiba mais sobre a plataforma Tainá aqui