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Como diferentes religiões praticam o jejum?

Prática que fornece purificação física e mental, o jejum é tradicional em muitas religiões. Conheça algumas das forma de se jejuar!

Joseane Pereira Publicado em 17/04/2019, às 09h14

Monges budistas
Reprodução

A prática do jejum tem sido usada por religiões diversas através da História, muitas vezes para colocar o corpo e mente em um estado que facilite o contato com o sagrado.  Figuras históricas como Buda, Maomé, Jesus Cristo e o apóstolo Paulo fizeram do jejum um forte pilar em seus caminhos, e atualmente a medicina ocidental tem considerado essa prática benéfica para limpeza do corpo, regeneração celular e promoção da saúde.

Confira abaixo como cinco religiões praticam o jejum.

Muçulmanos

Muçulmanos se alimentando no mês do Ramadã / Créditos: Reprodução

Para os muçulmanos, uma parte de grande importância no ano é o Ramadã, praticado no nono mês do calendário islâmico. Durante trinta dias, os praticantes se abstêm de qualquer comida ou bebida do alvorecer ao pôr do sol, assim como de relações sexuais. A principal mudança no hábito diz respeito à redução das três refeições diárias para apenas duas: o Iftar, refeição do fim do dia que representa a quebra do jejum e geralmente é feita em comunidade, reunindo familiares, vizinhos e amigos com o objetivo de fortalecer laços sociais; e o Suhur, refeição da madrugada que ajuda a pessoa a aguentar um dia inteiro sem alimentos. O usual é quebrar o jejum com tâmaras e água antes de se deliciar com os melhores pratos, feitos especialmente durante este mês.

Para os muçulmanos, o jejum é visto como uma prática de disciplina, doutrina e reflexão espiritual, que possibilita o desenvolvimento de qualidades como a humildade, autodomínio, caridade e solidariedade. Por ser também o mês da generosidade, costuma-se distribuir refeições aos necessitados.

Católicos

Celebração da sexta-feira santa em Maceió / Créditos: Reprodução

Para os fiéis da Igreja Católica, a prática da abstinência pelo jejum é uma forma de penitência interior, considerada o retorno a Deus pela ruptura com o pecado e as más obras, e sendo também uma possibilidade de praticar a caridade. Tradicionalmente, o católico deve praticar o jejum toda semana às sextas feiras, e anualmente na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da Paixão de Jesus Cristo. Durante a Quaresma, período de quarenta dias que precede a Páscoa, também orienta-se o jejum.

Nesses dias, faz-se apenas uma refeição simples pela manhã. O consumo de carne é expressamente proibido, mas permite-se consumir peixe -- considerado um alimento mais barato na época de vida de Jesus Cristo, que portanto não viola preceitos como a humildade. Outra variante é o jejum bíblico, em que se consome apenas pão e água durante o dia.

Budistas

Monges peregrinando em monastério / Créditos: Reprodução

Não existe uma prática rígida de jejum no Budismo, mas a recomendação geral é que os adeptos pratiquem a abstenção de alimento como forma de purificação física e espiritual, que facilita a prática de meditação por levar a estados de calma e maior sensibilidade. Os monges jejuam frequentemente como forma de curar doenças e de praticar a abstinência e a humildade, se alimentando apenas do que é oferecido pela comunidade circundante.

Em retiros de meditação budistas ou no retiro Vipassana, onde aprende-se a técnica de purificação ensinada pelo Buda durante sua vida, a prática de jejum intermitente é obrigatória: fazem-se duas refeições diárias, sendo a primeira às 07h30 e a última às 12h. Após isso, permite-se apenas o consumo de água com limão, que ajuda na desintoxicação do organismo e no alcance de estágios mais plenos de observação da mente e corpo.

Judeus

Judeus no Muro das Lamentações / Créditos: Reprodução

Uma das datas mais importantes para o Judaísmo é o Dia do Perdão, ou Yom Kipur, considerado o dia em que Deus perdoa toda a Israel. Durante esse dia, a prática de orações é feita intensamente, e nem mesmo o consumo de água é permitido. Outras proibições são lavar a boca, escovar os dentes e banhar o corpo por prazer, usar calçados de couro, manter relações conjugais, passar cremes, desodorantes ou perfumes no corpo e utilizar eletrodomésticos.

Além do Yon Kipur, os judeus praticam jejum no dia de falecimento de algum ente querido e nos dias de acontecimentos históricos para o povo Judeu, como a destruição do Primeiro e Segundo Templos de Jerusalém ou a quebra das muralhas de Jerusalém.

Bahá'ís

Comunidade Bahá'í na África do Sul / Créditos: Reprodução

Para os adeptos da Fé Bahá'í, uma jovem religião que foi propagada pelo persa Bahá’u’lláh em meados do século 19 e ganhou vários adeptos no Brasil no início do século 20, é obrigatório jejuar no período entre os dias 2 e 21 de março. Nesse período de 19 dias, os bahá'ís se abstêm de alimentos e bebidas do nascer ao pôr do sol, sendo essa uma prática de grande significado por promover a reflexão sobre Deus, que simboliza o alimento espiritual, e representar a purificação do corpo através do desprendimento a desejos mundanos ou egoístas. Segundo o fundador dessa religião, "O jejum é um símbolo. Jejuar significa abster-se da luxúria. O jejum físico simboliza e ao mesmo tempo nos faz lembrar dessa abstinência; isto é, do mesmo modo que uma pessoa se abstém de satisfazer o apetite físico, também deve se abster dos desejos egoísticos. A mera abstinência de alimentos nada influi sobre o espírito. É apenas um símbolo, um meio de lembrarmos. A sua importância vai além disso. "