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Como era a vida dos alemães negros durante o Terceiro Reich?

Na Alemanha Nazista, outros grupos sofreram com o acalorado "medo da miscigenação" promovido por Hitler

Isabela Barreiros Publicado em 28/05/2020, às 10h24

Jean Voste, o único negro no campo de concentração de Dachau, na Alemanha
Jean Voste, o único negro no campo de concentração de Dachau, na Alemanha - Museu do Holocausto dos EUA

Mesmo que pouco conhecidas, histórias sobre alemães de origem africana que sofreram com o período nazista na Alemanha existem. Com origem em regiões como Camarões, Togo, Tanzânia, Ruanda e Namíbia, essas pessoas, durante o Terceiro Reich, foram proibidas de estudar com pessoas brancas, impedidas de trabalhar, esterilizadas e ainda levadas a campos de concentração. Acredita-se que cerca de 20 pessoas negras tenham sido levadas a esses locais.

O Império Colonial Alemão foi um curto período na história da Alemanha. De 1883 e 1919, eles passaram a colonizar regiões na África. Muitos habitantes desses locais ainda lutaram na Primeira Guerra Mundial pelo país europeu, fazendo com que quando o conflito terminasse, eles se estabilizassem na Europa.

Um lugar específico na Alemanha ainda foi alvo de racismo, gerando até um termo pejorativo que era usado para menosprezar afro-alemães. O termo “bastardos da Renânia” foi cunhado na década de 1920 fazendo referência ao período em que tropas francesas ocuparam a Renânia, no oeste da Alemanha. Eles enviaram cerca de 20 mil soldados do seu império na África para a região alemã.

A palavra dizia respeito às 800 crianças filhas de soldados africanos e mulheres alemãs. Os mestiços sofriam com o racismo e consequente medo da miscigenação no país que colocaria em risco a “pureza” da raça ariana. Caricaturas e personagens preconceituosos eram comuns na época, tratando sempre os soldados como “predadores sexuais”.

Publicado em 1925, Hitler escreveu no Mein Kampf (Minha Luta, em português) que "foram e são os judeus que estão trazendo os negros à Renânia sempre com os mesmos pensamentos secretos e objetivo claro de arruinar a odiada raça branca pela resultante 'bastardização'”.

Crédito: Domínio Público

 

Mas o medo da miscigenação ainda teve consequências graves para a população descendente de africanos. Em 1937, pessoas da Renânia foram forçadas à esterilização. Acredita-se que por volta de 385 pessoas foram submetidas ao procedimento forçado.

O filho de um soldado argelino e uma mãe alemã e branca, Hans Hauck, relembrou o terrível episódio gravando um depoimento ao documentário Hitler's Forgotten Victims (As Vítimas Esquecidas de Hitler), de 1997. "Era deprimente e opressivo. Me sentia meio-humano", disse durante as gravações.

Hauck contou que apenas com o certificado emitido após a esterilização forçada e em segredo que ele foi liberado para trabalhar. Ele ainda teve que assinar um documento afirmando que não se relacionaria com pessoas de “sangue alemão”.

“Vale a pena lembrar de que os nazistas também destruíram, de propósito, muitos documentos pertencentes aos campos e relacionados à esterilização, dificultando reconstruir o que aconteceu com grupos e indivíduos", lembra o historiador Robbie Aitken.

As Leis de Nuremberg, uma legislação antissemita, em 1935, destinavam-se majoritariamente a judeus. No entanto, isso não fez com que negros ficassem de fora do racismo impregnado no registro. Os nazistas proibiram, por exemplo, o casamento entre alemães e judeus, colocando negros e ciganos nessa mesma categoria.

Aitken alega que a população negra na Alemanha também sofreu com perseguições, ainda que não da mesma maneira que os judeus. Eles foram, segundo o historiador, “assimilados pela radicalização da política racial dos nazistas”, com restrição em seus casamentos, trabalhos, e, às vezes, na educação.


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