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A vida antes dos preservativos

Tripas de carneiro, papel ou ervas misteriosas: o planejamento familiar já foi bem mais difícil

Redação Publicado em 28/06/2019, às 18h00

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Pixabay

Em 1667, o fabricante de lentes holandês Antony Van Leeuwenhoek observou uns "animaizinhos móveis" nadando no esperma de um sifilítico. Achou que era a causa da doença, mas ao comparar com esperma de pessoas saudáveis concluiu que o tal animalzinho era o responsável pela reprodução humana. Se o espermatozoide é descoberta recente, a luta para evitar que o danado se encontre com o óvulo é bem antiga. O coitus interruptus é conhecido desde antes do surgimento da civilização — e continua em voga.

Embrulhar o pênis em alguma coisa que impeça a mistura de fluidos também é prática milenar. Os chineses usavam papel de seda besuntado com óleo. Tripas de carneiro já ocuparam a função de preservativo. No mesmo século de Leeuwenhoek, os europeus embebiam uma luva peniana de linho em absinto e ervas para prevenir a gravidez e infecções.

Os preservativos parecidos aos atuais só foram possíveis depois de 1870, mais de 30 anos depois que Charles Goodyear inventou a técnica da vulcanização e tornou a borracha flexível. As primeiras camisinhas eram grossas, ásperas, caras e não descartáveis. O artefato de borracha parecido com o preservativo que conhecemos hoje só apareceu em 1930.

A chegada do DIU (dispositivo intrauterino), nos anos 1920, e especialmente da pílula anticoncepcional, em 1961, quase levou à aposentadoria do preservativo. A volta veio na década de 1980, com a explosão da aids. A doença, transmitida por esperma, sangue e secreções, passou a ser combatida com o uso de camisinhas. A indústria corre até hoje atrás da demanda. Se toda pessoa em idade fértil fizesse sexo só uma vez por semana, a produção anual de preservativos teria de ser de 42 bilhões de unidades — o que é 3 vezes a capacidade da indústria mundial.