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Como foi encontrado o esqueleto do rei Ricardo III?

Mistério do descanso final do monarca foi resolvido apenas 527 anos após a morte em batalha — e surpreendeu

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/09/2021, às 08h00

Retrato de Ricardo III e seu esqueleto
Retrato de Ricardo III e seu esqueleto - Wikimedia Commons/Divulgação/Universidade de Leicester

Em 2012, pesquisadores do Departamento de Arqueologia da Universidade de Leicester descobriram um esqueleto em um estacionamento de Leicester, no centro da Inglaterra. No passado, o local abrigava a Igreja Greyfriars Priory, uma capela franciscana demolida no século 16.

O projeto foi idealizado pela Sociedade Ricardo III, que buscava colocar fim à dúvida centenária sobre o local de descanso do monarca Ricardo III, último rei da Casa de York da Inglaterra. Depois de 527 anos de sua morte, ocorrida em 22 de agosto de 1485, ainda não se sabia onde estavam enterrados os restos mortais da importante figura histórica.

Com a identificação do esqueleto no estacionamento em 2012, além de conhecimentos históricos especializados e análises aprofundadas, foi possível determinar, no ano seguinte à descoberta, que se tratava do corpo de Ricardo III, finalmente identificado pela ciência moderna. 

"A conclusão acadêmica da Universidade de Leicester é que, além de qualquer dúvida razoável, o indivíduo exumado em Greyfriars, em setembro de 2012, é Ricardo III, o último rei da Inglaterra da casa Plantageneta", declarou, em 2013, o arqueólogo Richard Buckley, coordenador da pesquisa, como repercutiu a mídia na época.

“É uma honra e um privilégio estar no centro de um projeto que desperta tanto interesse público. Raramente as conclusões de alguma pesquisa acadêmica são esperadas com tanta ansiedade”, afirmou.

Mas, a verdade é que não foi tão fácil assim concluir que aquele esqueleto era, de fato, o do monarca.

Os especialistas tiveram que retomar a história, passando pela batalha em que o rei foi morto, o que teria acontecido com seu corpo após o conflito e a trajetória que os restos mortais percorreram até chegar ao local que ainda viria a ser um estacionamento.

O corpo do rei maldito

Esqueleto de Ricardo III / Crédito: Divulgação/Universidade de Leicester

 

Ricardo III morreu durante a batalha de Bosworth, perto de Leicester, no último conflito da Guerra das Rosas, que selou o destino da dinastia. Ele teve sua péssima reputação eternizada por uma peça de William Shakespeare, sendo sucedido pela dinastia Tudor.

Alguns registros descrevem o corpo sendo enterrado de maneira simples em uma cidade vizinha de Leicester. Já outras lendas apontam que Ricardo foi jogado no rio Soar, e que esse pode ter sido o motivo pelo qual seu corpo permaneceu desaparecido por tanto tempo na história.

Existem historiadores que sugerem ainda que o túmulo original do rei pode ter sido destruído ou ou ao menos removido durante a Reforma Inglesa. Ele poderia também ter sido guardado em uma capela franciscana, destruída no século 16, como a de Leicester, que foi escavada em 2012.

Essa pista fez com que os especialistas decidissem realizar um trabalho de campo no local, revelando o esqueleto no subsolo, que apresentava escoliose severa e indicava que o indivíduo morreu quando tinha entre 25 e 40 anos, idade próxima à da morte de Ricardo, que faleceu com 32. Outros detalhes foram os ferimentos que poderiam ter sido obtidos durante batalha.

Esqueleto de Ricardo III / Crédito: Divulgação/Universidade de Leicester

 

Para poder cravar que se tratava do rei, os cientistas submeteram os restos mortais a um exame de datação por radiocarbono. Foi possível descobrir que o corpo era de um homem que viveu entre a segunda metade do século 15 e início do século 16.

Eles também perceberam que o indivíduo se alimentava principalmente de proteína, marcada pelo consumo de frutos do mar, comida que marcou a época. Comparações das descrições físicas do esqueleto com as do monarca ainda foram feitas.

No entanto, a conclusão definitiva foi feita com a comparação do DNA do esqueleto descoberto com dois descendentes de sua irmã mais velha, Anne de York.

"A sequência de DNA do esqueleto foi comparada com a dos parentes. Ficamos empolgados em descobrir que existe uma correspondência entre o DNA da família de Ricardo III e os restos encontrados nas escavações”, explicou a geneticista Turi King.


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