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De nudes vazados a atuação erotizada: como Hollywood moldou Marilyn Monroe através de seus personagens sexualizados

O sex symbol dos anos 50, que esteve presente no imaginário de muitos homens, só queria ser amada por quem era

Paola Churchill Publicado em 14/03/2020, às 08h00

Marilyn Monroe em dos seus ensaios sensuais
Marilyn Monroe em dos seus ensaios sensuais - Getty Images

Quando falamos em Marilyn Monroe uma das primeiras coisas que se lembra é sua sensualidade. Norma Jeane Mortenson (seu nome de batismo) entrou no estrelato de maneira ousada. Sem dinheiro, a aspirante a atriz, aceitou a proposta de 50 dólares do fotógrafo Tom Kelley, para que pousasse nua para um calendário.

O que poderia ter passado batido na carreira da jovem, foi o que elevou a sua fama: Hugh Hefner, que procurava uma musa para a primeira capa da sua revista, a Playboy, se apaixonou pelos retratos. Ele e Tom fecharam um acordo para os direitos das imagens e em 1953, Marylin viu seu corpo estampado na primeira edição da revista, tornando-se a primeira coelhinha de Hefner.

Marilyn com seus três maridos: James Dougherty, Joe Dimmagio e Arthur Miller/ Divulgação 

 

Apesar de não ter utorizado a publicação, a artista afirmou que o episódio fez com que as pessoas a conhecessem, afinal a edição vendeu mais de 50 mil exemplares. Desde o início de sua carreira, Monroe era retratada como um simbolo sexual inocente que atraíra o imaginário masculino. Os filmes que estrelava só aumentavam o estigma. 

Nas produções, a personagem era submissa ao sexo masculino e ressaltava ainda mais o esteriótipo da “loira burra”, o que ela definitivamente não era. Inclusive muitos homens não tentavam apenas humilhá-la em frentes as câmeras, mas por trás também.

Durante um evento, um rapaz chegou e simplesmente puxou seu vestido, deixando seus seios à mostra. Monroe que não perdeu a compostura em nenhum momento, simplesmente riu enquanto arrumava sua roupa.

Além disso, seus relacionamentos eram muito divulgados nas mídias. O primeiro casamento foi com James Dougherty, quando ela tinha apenas 16 anos. O divórcio aconteceu, pois o marido fez com que ela escolhesse entre a carreira e o relacionamento.

Em 1954, foi a vez do jogador de beisebol Joe Dimmagio conquistar o coração da celebridade. Com 28 anos, se sentiu cansada da relação e entrou com o pedido de separação.

Cena de "Os homens preferem as loiras" de 1953 /Divulgação 

 

Seu último matrimônio foi com o escritor Arthur Miller, que considerava a mulher uma "musa inspiradora". Sendo sua união mais duradoura, acabou no dia da posse de Jonh F. Kennedy, um affair que repercute até os dias atuais. 

Por trás da figura sexy, Marilyn escondia sua tristeza e inseguranças. Abandonada desde cedo pelos pais, seu único desejo era o de ser amada e ser mãe. Contudo, nunca conseguiu conceber. Ela sofreu com diversos abortos que deixavam a estrela cada vez mais depressiva, mas nunca mostrava esse lado para as pessoas em frente às câmeras, sempre exibia uma expressão que vivia o momento de sua vida.

E diferente do que é imaginado atualmente, a diva não gostava de sexo, sentia que os homens queriam a personagem que interpretava na frente das câmeras. Em uma das das conversas com seu psiquiatra, o Doutor Greenson, chegou a desabafar sobre a vida amorosa.

“Falando em Oscar, eu ganharia esmagadoramente se a Academia tivesse um Oscar por fingir orgasmos. Eu fiz algumas das minhas melhores atuações convencendo meus parceiros, que eu estava no auge do êxtase".

Em uma das últimas sessões com Greenson disse se considerar um fracasso como mulher. “Os homens esperam muito de mim por conta da imagem que fizeram de mim e da imagem que eu fiz de mim mesma, como um símbolo sexual. Os homens esperam tanto e não consigo. Eles esperam que os sinos toquem e assobios, mas minha anatomia é a mesma que a de outra mulher. Não consigo.” Monroe morreu devido a uma overdose de medicamentos em 1962.


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