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"Como minha família criou o mais perigoso homem do mundo": O polêmico livro de Mary Trump

A sobrinha do político republicano afirmou que Donald Trump era incapaz de "sentir todo o espectro de emoções humanas" e muito mais

Ingredi Brunato Publicado em 20/01/2021, às 09h40

Montagem mostrando Trump e sua sobrinha
Montagem mostrando Trump e sua sobrinha - Divulgação

Em julho de 2020, Mary L. Trump lançou um livro que chocou uma porção dos Estados Unidos, confirmou as crenças de outra, e indignou uma terceira. 

A polêmica obra possuía um título chamativo: “Too Much and Never Enough: How My Family Created the World's Most Dangerous Man”, que em tradução livre significa “Demais e Nunca o Suficiente: Como Minha Família Criou o Homem mais Perigoso do Mundo”. Na capa, ela trazia uma foto em preto e branco de Donald Trump em sua juventude. 

Mary é a sobrinha do 45° presidente dos Estados Unidos. Um dia decidiu que o mundo precisava saber a perspectiva que ela, como alguém próxima do político, tinha dele. Isso porque, segundo avisa em sua obra, o político republicano “colocaria em risco a democracia norte-americana”. 

Em entrevista para o El País, a autora explicou que em 2016, quando o resultado das eleições presidenciais foi divulgado, ela passou por uma angústia sem igual. “Sentia que 62.979.636 eleitores tinham escolhido transformar este país em uma versão macro da minha família malignamente disfuncional”, contou. 

Assim, em sua obra - que quase não chegou ao público, precisando enfrentar primeiro um processo judicial dos Trump - ela revela como era seu avô, como é sua avó, e como isso se relaciona com quem Donald, filho dos dois, é hoje. 

A família 

Abertamente homossexual e de esquerda, Mary não é a típica Trump. Todos os seus parentes sabem disso - inclusive, ela e o irmão foram deserdados. O pai dela, Fred Trump Jr., que era o irmão mais velho do ex-presidente, também não se encaixava, sendo “uma pessoa boa e generosa”, ideais que não eram valorizados pela família rica tradicional. 

Segundo ela, comportamentos simples como “pedir desculpas” eram motivo de humilhação para Fred durante a infância. Isso tudo na frente do olhar atento do futuro político, que era sete anos mais novo, fazendo com que aprendesse a maneira de ser de seu pai, o patriarca Fred Trump, descrito pela autora como um “sociopata”. 

Fotografia de Fred Trump / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar disso, Mary acredita que o tio e o avô são diferentes. Ela explica: “Acho que meu avô era assim desde o nascimento. E Donald ficou assim por causa do meu avô, que era um homem muito cruel. Donald imita meu avô de várias maneiras”. 

“Essa obsessão de ganhar a todo custo. Essa ideia de que se alguém não tem nada a lhe oferecer, não deve ser levado em consideração. Existe apenas um vencedor; todos os demais são perdedores. Essa incapacidade de admitir erros, de pedir desculpas. Todas essas coisas eram consideradas pontos fortes na minha família. Assim como ser amável era considerado uma fraqueza”, listou, ainda de acordo com sua entrevista ao El País. 

Por conta desse ambiente familiar tóxico, o pai de Mary teria desenvolvido alcoolismo durante a vida adulta, um vício que terminou por provocar sua morte prematura. 

Afirmações extremas 

De acordo com Mary L. Trump, que possui um doutorado em Psicologia Clínica, o pai de Donald “destruiu” sua “capacidade de desenvolver e experimentar todo o espectro das emoções humanas”. A forte declaração foi repercutida pela BBC em 2020.

Apesar disso, a sobrinha do ex-presidente não acha que se deve ter pena dele, como disse ao El País: “Muita gente teve uma infância horrível e depois foram adultos decentes, empáticos e compassivos. Donald é adulto. Sabe a diferença entre bom e mau. Conhece as regras, embora decida não segui-las. Portanto, nenhuma compaixão. Ele deve ser responsabilizado e deve haver uma reflexão séria neste país sobre como ele chegou onde está”. 

Acusações graves 

Fotografia de Donald Trump mais jovem / Crédito: Divulgação/ Youtube 

 

Segundo a psicóloga, Trump já teve diversas ações moralmente questionáveis. Um exemplo seria trapacear no vestibular, o que teria feito pagando um amigo para fazer a prova no lugar dele. 

Inclusive, essa não seria a primeira vez que Mary tenta expor seu tio. Em 2017, ela contrabandeou cerca de duas dezenas de caixas contendo documentos a respeito dos negócios da família, que entregou para jornalistas do New York Times.

Seus esforços resultaram em uma reportagem abordando "duvidosos esquemas fiscais de Trump durante os anos 90, incluindo casos de fraude descarada, que aumentaram bastante a fortuna que ele recebeu dos pais". 

De acordo com a BBC, Mary contou que abraçou os jornalistas no momento em que os entregou os documentos, dizendo que aquele dia foi “o mais feliz que eu tive em meses”.

"Não me bastava ser voluntária em uma organização que ajuda refugiados sírios. Eu tinha que derrubar Donald", concluiu, uma missão que a psicóloga sem dúvida levou em frente com a publicação de seu livro.


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