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Como a neurociência explica a bizarra saga do criminoso Charles Manson?

Em entrevista ao site Aventuras na História, o neuropsicólogo Fabiano de Abreu discutiu sobre um dos mais famosos psicopatas dos Estados Unidos

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 20/03/2021, às 08h00

Fotografia de Charles Manson
Fotografia de Charles Manson - Divulgação

O nome Charles Manson é capaz de causar arrepios até hoje, mesmo 52 anos após seu último crime ter sido cometido e quatro anos após sua morte na prisão. 

Isso porque o lunático é um caso peculiar na história da criminologia, e até por isso famoso. Ele pode ser considerado responsável pelos assassinatos que ocorreram no ano de 1969, ao mesmo tempo em que não desferiu nenhum golpe - o trabalho sujo foi todo feito por seus seguidores, os membros da seita que ficou conhecida como Família Manson

De forma ainda mais surpreendente, como foi determinado pela promotoria durante seu julgamento em 1971, Charles sequer deu ordens explícitas que orientassem os ataques. A informação foi documentada pelo site do sistema de justiça norte-americano. 

Os crimes de Manson, assim, foram principalmente conspiratórios, ocorrendo através das ideologias distorcidas que pregava e a manipulação que era capaz de exercer naqueles que o rodeavam. 

Segundo divulgado por uma reportagem da Galileu em 2019, o psicopata convenceu as pessoas da seita que liderava da iminência de uma guerra racial que terminaria com a vitória dos negros, e, de alguma forma, faria com que o mundo fosse liderado pela Família Manson. 

Os brutais assassinatos que foram fruto dessas crenças supostamente serviriam ao propósito de dar início a esse conflito - é por isso, também, que o grupo fez esforços no sentido de colocar a culpa deles no grupo Panteras Negras. 

Fotografia de Sharon Tate, uma das vítimas da Família Manson / Crédito: Wikimedia Commons

 

Para entender melhor a mente desse famoso psicopata, e como ele foi capaz de fazer o que fez, a equipe do site Aventuras na História conversou com o neurocientista e neuropsicólogo Fabiano de Abreu Rodrigues, que fez seu doutorado e mestrado em Psicologia da Saúde na Université Libre des Sciences de l'Homme de Paris. 

As características do manipulador 

Não é qualquer um que seria capaz de montar uma seita e tornar-se uma figura cultuada dentro desse círculo, quase assumindo um caráter “messiânico” aos olhos de outros. 

“O manipulador, para convencer, tem que ter uma inteligência interpessoal avançada, uma cognição que o faça desempenhar um papel que convença não só fisicamente, mas nas palavras. Tem que ter uma inteligência que supra as falhas cotidianas de uma mentira, argumentando de maneira convincente sempre e impondo que a sua razão é a definitiva”, afirmou Fabiano a respeito do assunto.  

O neurocientista explicou também que Manson era um psicopata, de forma que também é possível distinguir certas características nele que são típicas do distúrbio, e que o ajudaram a alcançar seus objetivos perturbados. 

São essas: desprezo em relação a leis, grande aversão ao tédio, impulsividade, personalidade sedutora e charmosa, incapacidade de sentir empatia e formar vínculos emocionais, ausência de sentimento de culpa, habilidade de simular emoções sem realmente senti-las, de contar mentiras em geral e serem “gênios da manipulação”. 

Dito isto, também é preciso destacar que nem todos aqueles que se encaixam dentro do quadro da psicopatia se tornam criminosos. 

As características dos manipulados

Fotografia das chamadas "garotas de Manson" / Crédito: Divulgação 

 

Ainda que Manson fosse muito habilidoso em convencer pessoas, não são todos que cairiam no seu charme - ele não era, afinal, um ser de características sobre humanas, a despeito do que seus seguidores pudessem acreditar.

O criminoso tampouco precisava convencer todos para criar uma seita. Como a História demonstrou, o pequeno grupo que reuniu foi mais que suficiente para criar um estrago que marcou os Estados Unidos até hoje. 

Pessoas em posição de vulnerabilidade, que possuem maior tendência a serem manipuladas, também apresentam certos padrões: “baixa auto-estima e certo grau de ingenuidade” são alguns deles, de acordo com Fabiano. Também é possível identificar uma faixa etária jovem entre os membros da Família Manson. 

Indo além, o próprio fator do tempo serviu para fortalecer a seita, com apenas os membros mais manipuláveis persistindo, enquanto outros abandonaram o grupo: “Pessoas cuja inteligência emocional questiona se é credível ou não o que o manipulador impõe logo abandonam o grupo, restando assim apenas os de personalidade mais frágeis a serem suscetível a este domínio”, explicou o especialista. 

Assim, o brutal assassinato da atriz Sharon Tate, Rosemary LaBianca e outros cinco norte-americanos foram produto de um infeliz cruzamento de variáveis que tornou possível a realização do “projeto de lavagem cerebral em grupo” de Charles Manson.


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