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Como o drama de um garoto com AIDS ajudou Elton John a superar o vício das drogas

Durante as décadas de 70 e 80, o astro britânico atravessou o sucesso mundial em meio a colapsos pela cocaína e alcoolismo

Wallacy Ferrari Publicado em 04/02/2021, às 15h05

Divulgação/Facebook/wyszogrodzkidaniel/25.03.2019
Divulgação/Facebook/wyszogrodzkidaniel/25.03.2019 - Getty Images

Vencedor de cinco prêmios Grammy e mais de 300 milhões de discos vendidos, Elton John se tornou um símbolo britânico de música e moda durante a segunda metade do século 20.

Com uma presença de palco enérgica e estilo extravagante, o artista sempre se destacou na indústria. O sucesso comercial e crítico, no entanto, quase foi interrompido por um problema que o acompanhou no auge.

Logo após o lançamento de seu álbum de estreia, em 1970, o cantor foi apresentado a cocaína, como explicou em entrevista ao The Hollywood Reporter: "Eu vi alguém usando cocaína e não sabia o que era. Eles disseram que faz você se sentir bem, então pensei: 'Vou tentar...". Do episódio em diante, Elton passava a desenvolver um vício que o acompanharia por décadas.

Reservado e tímido, a droga serviu como uma chave para o músico se encaixar no mundo do glamour e fama, passando misturar maconha e bebidas alcoólicas ao consumo da droga química, chegando a relatar ao jornalista Piers Morgan, em 2010, que costumava ficar acordado por três dias seguidos e, em seguida, dormir por cerca de 36 horas.

Elton durante show na década de 1970 / Crédito: Divulgação/Facebook/wyszogrodzkidaniel/25.03.2019

 

Abuso e sofrimento

Na mesma entrevista, John explicou que os exageros durante o tempo acordado e de ressaca prejudicaram seu metabolismo, relatando que desenvolveu bulimia em decorrência dos dias sóbrios: "Eu estava com tanta fome, porque eu não tinha comido nada, eu comia e comia uns três sanduíches de bacon, um pote de sorvete e depois vomitava, porque fiquei bulímico e depois fazia tudo de novo".

O uso passou a se tornar uma característica tão aparente, que o astro chegou a levar uma 'bronca' do ex-beatle George Harrison, conforme noticiado pelo NME.

Conhecido por ter se livrado do vício, o músico foi direto com Elton: "Pare de colocar esse pó no seu nariz". Mesmo assim, o uso prosseguiu por quase 20 anos, tendo como gota d'água um episódio de sofrimento.

Durante a década de 1980, o cantor conheceu o jovem Ryan White, que havia se tornado um símbolo americano após ser expulso da escola por contrair HIV.

Ao se informar sobre a doença, John passou a temer a possibilidade de estar contaminado, como contou no livro “Love Is the Cure: On Life, Loss and the End of AIDS”, em 2012.

“Quando você toma uma droga e toma uma bebida e mistura as duas coisas, você se acha invencível. Eu saí disso sendo HIV-negativo. Eu me considerava homem mais sortudo do mundo”, escreveu o artista. Com a morte precoce de Ryan em 1990, o músico decidiu largar a dependência química.

Elton John durante apresentação na Argentina em 2017 / Crédito: Flickr/Ludmila Joaquina Valentina Buyo

 

Recuperação 

Nos seis meses seguintes da morte do amigo, Elton criou uma fundação para amparo de vítimas e prevenção da AIDS, além de se internar em uma clínica. Desde então, carrega a medalha do AA de sobriedade, que perdura por mais de 30 anos sem consumir drogas.

Nos anos seguintes, uniu esforços para auxiliar outros cantores a se livrarem das drogas, como George Michael — que não aceitou e chegou a dar uma entrevista mandando John calar a boca, como informou o The Mirror, em 2018: "Você não pode ajudar pessoas que não querem ajudar a si mesmas”.

"Eu sentava na frente do meu tocador de CD, ouvindo, e me acabava de chorar, pensando: 'Sou uma pessoa decente, por que não fico bem? Por que não posso ser melhor? Estou vivendo a vida mais nojenta, não tenho mais valores'”, desabafou John durante conversa com Reuters em 2012. "(Agora) sou a pessoa mais sortuda do mundo, e tudo porque um jovem e sua família me mostraram que o que eles estavam fazendo era certo, e que o que eu estava fazendo era nojento."

Outros esforços, no entanto, funcionaram com eficiência; Lady Gaga disse ao The Sun, em 2016, que “Elton me salvou das drogas”. Eminem também foi um dos casos, chegando a ser entrevistado pelo amigo, em 2017, pela Magazine. “Eu estou muito orgulhoso de você. Estou 27 anos sóbrio, e quando você fica limpo, vê as coisas de maneira diferente”, disse John.


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