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Como o medo da reação de Anna Wintour representou um obstáculo para 'O Diabo Veste Prada'

Os profissionais do mundo da moda não queriam criar conflito com a poderosa e implacável editora que serviu de inspiração para a personagem Miranda

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/09/2021, às 10h00

Montagem mostrando Anna Wintour, a editora da Vogue, e cena do filme Diabo Veste Padra
Montagem mostrando Anna Wintour, a editora da Vogue, e cena do filme Diabo Veste Padra - Divulgação / Wikimedia Commons

O filme "O Diabo Veste Prada", de 2006, é um clássico da cultura pop. A produção foi baseada no livro de mesmo nome escrito por Lauren Weisberger, jornalista que se inspirou em experiências que teve durante o período em que trabalhou na renomada Vogue

Um detalhe importante é que, na obra, os nomes foram mudados: a revista de moda passou a ser chamada de "Runway", e sua implacável e poderosa editora, Anna Wintour, passou a ser "Miranda Priestly", interpretada pela icônica Meryl Streep

Os paralelos, porém, são óbvios. Dessa forma, desde o início tornou-se um desafio encontrar pessoas envolvidas na indústria fashion que aceitariam participar de um filme que não pinta o prestigiado veículo na luz mais simpática.

O obstáculo foi revelado pela equipe que produziu O Diabo Veste Padra em uma entrevista ao site do Entertainment Weekly, palavras que foram repercutidas pela Rolling Stone Brasil. 

Medo de Anna Wintour?

Fotografia de Anna Wintour no Met Gala de 2021 / Crédito: Getty Images

 

"Tive uma enorme dificuldade em encontrar alguém no mundo da moda para falar comigo porque as pessoas tinham medo de Anna e da Vogue, e não queriam ser rejeitadas," explicou Aline Brosh McKenna, que foi roteirista do longa, conforme o veículo.

Quando alguém de fato deu sua opinião sincera a respeito do roteiro de Brosh, foi de que ela estava retratando a indústria da moda de forma mais benevolente do que era na realidade.

"Uma pessoa, cujo nome nunca divulgarei, falou comigo, leu o roteiro e me disse: 'Ninguém nesse mundo é bom demais. Não têm que ser e não têm tempo para ser'. Depois disso, fiz um retoque para deixar todos um pouco mais ocupados e malvados", contou ela. 

O problema da cautela em relação a Anna, todavia, foi além dos consultores que o time produzindo "O Diabo Veste Padra" tentaram chamar para avaliar o roteiro. 

Entre os profissionais do mundo fashion, era unânime a aversão à ideia de ceder suas residências para as câmeras, de forma que encontrar locais para realizar as filmagens das cenas do filme foi uma verdadeira provação.

"Em termos de localização, a revista tem o Met Gala [baile anual para arrecadar fundos para o Museu de Arte de Nova York], e, por isso, o Metropolitan Museum não queria nada conosco. E isso continuou e continuou", descreveu David Frankel, o diretor da produção. 

"Mesmo em alguns dos edifícios de apartamentos icônicos, as diretorias dos edifícios não nos deixavam entrar. Por isso, passamos semanas sem conseguir realmente garantir a localização", continuou ele. 

Gisele

Uma curiosidade interessante a respeito da produção de 2006 é que, no fim das contas, foi possível contar com uma supermodelo em meio ao seu elenco. Tratava-se de Gisele Bündchen, que interpretou uma assistente trabalhando na fictícia Runway. 

Em uma conversa também com o Entertainment Weekly em junho de 2021, a brasileira comentou suas opiniões a respeito de Anna Wintour:

"Ela é uma pessoa mais reservada, mas ela sempre foi muito gentil comigo", afirmou Bündchen ao veículo, revelando também que não achava que a editora da Vogue teria se irritado com o filme que claramente se inspirava nela.

"Eu acho que ela amou o filme. Quer dizer, eu ficaria feliz se a Meryl Streep me interpretasse!", concluiu.