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Do xixi nas calças ao banheiro espacial: entenda como são feitas as necessidades no espaço

Desde a primeira missão espacial da NASA a maneira como os astronautas se aliviam no espaço mudou muito nos últimos anos

Fabio Previdelli Publicado em 18/10/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de um astronauta no espaço
Imagem ilustrativa de um astronauta no espaço - Pixabay

Para realizar missões espaciais, a NASA precisa desenvolver diversos estudos para o bem estar de seus astronautas. Além do mais, toda essa comodidade tem um alto custo e precisa ser minuciosamente planejada.

Porém, durante todos esses anos, um tópico “tem sido aspecto incômodo desde o início dos voos espaciais tripulados”: o ato de ir ao banheiro.  

Como a própria Agência Espacial publicou em um relatório nos anos 1970, no final das operações das missões Apollo, esse é um dos pontos que mais gera reclamações entre seus tripulantes. Pode até não parecer, mas essa missão não é nada simples para os viajantes.  

“Equipamento de manuseio de resíduos não deve apenas ser projetado para funcionar em gravidade zero, como deve fazê-lo dentro das restrições de tamanho, peso e potência imposta pelos sistemas das espaçonaves”, aponta a própria NASA. 

O xixi nas calças de Shepard

Obviamente as coisas estão diferentes desde a primeira missão espacial. Para se ter uma ideia, em 1961, Alan Shepard teve que urinar nas calças antes de se tornar o primeiro norte-americano a chegar ao espaço. A NASA diz que o imprevisto aconteceu pelo fato do voo ter sido programado para durar apenas 15 minutos.  

O astronauta Alan Shapard / Crédito: Divulgação/ NASA

 

Porém, Shepard teve de ficar um grande período esperando na plataforma de lançamento. Mesmo assim, o próprio astronauta revelou que a viagem não foi desconfortável por conta disso. “Eu estava completamente seco no momento do lançamento”, explicou ele. 

Depois disso, a NASA começou a entender que precisaria se adaptar para que tal atividade fosse feita com mais comodidade e passou a desenvolver um banheiro especialmente adaptados para naves espaciais.

Mas isso não impediu a Agência de contar com alguns improvisos durante algumas missões, como sacos, assentos sanitários com alças e fraldas. Mesmo com essas 'gambiarras', durante o programa Apollo, os astronautas deixaram 96 sacos de excrementos na Lua. Algo que a NASA planeja buscar em uma futura missão.  

Os primeiros protótipos

Após o voo de Shepard, foi desenvolvida uma sacola plástica que ficava acoplada nas nádegas dos astronautas. Assim, todas as vezes que eles faziam suas necessidades, as fezes iam direto para essas sacolas, o que impedia que o excremento entrasse em contato com o ambiente. Porém, vale ressaltar, que isso era usado apenas dentro das naves.  

Quando saiam para as caminhadas, os tripulantes utilizavam algo parecido com um fraldão, que era chamado de “vestimenta de máxima absorção”. E são justamente esses sacos com fraldões que estão na Lua esperando para serem trazidos de volta.  

“Após o ato, o membro da equipe precisava selar o saco e amassá-lo para misturar um líquido bactericida com o conteúdo para fornecer o grau de estabilização desejado às fezes”, escreveu a NASA em um relatório. “Como essa tarefa era desagradável e exigia uma quantidade excessiva de tempo, comida com poucos resíduos e laxantes eram geralmente servidos antes do lançamento”. 

Antes das fraldas, os astronautas utilizam um utensílio peculiar quando precisavam urinar: uma algema de látex. O objeto, que mais se parece com uma camisinha mais grossa, era acoplado ao pênis e ligado a um tubo plástico que, por sua vez, era encaixado em um saco coletor. Porém, apesar da geringonça, a peça não era a prova de falhas e, algumas vezes, a urina vazava, causando um verdadeiro incômodo.

Somente em 1973, depois do lançamento da estação Skylab, a NASA passou a adotar aquilo que se tornaria o mais parecido com um banheiro especial moderno: um buraco na parede no qual os astronautas defecavam e depois puxavam uma corda que aciona um mecanismo que seca as fezes com calor e no vácuo. Aí sim o excremento poderia ser despejado em um compartimento de lixo da estação espacial.  

As mudanças atuais

Já na era dos ônibus espaciais, as mulheres também começaram a ir para o espaço e com elas os banheiros ficaram mais complexos, já que as camisinhas de látex não atendiam suas necessidades.

Com isso, foi criado o Waste Collection System (ou Sistema de Coleta de Resíduos, em tradução livre), que custou algo em torno de 50 mil dólares. O dispositivo é basicamente uma privada comum, só que com um quarto do tamanho normal. 

Fraldão usado por astronautas durante caminhada espacial / Crédito: Divulgação/ NASA

 

Atualmente, os banheiros da Estação Espacial Internacional (ISS) são um pouco mais largos, com a circunferência aproximada de um prato. Lá se poder urinar e defecas sem nenhum problema.

Um outro fator que surgiu com essa mudança é que o módulo comprado em 2009 é capaz de transformar a urina em água potável. Atualmente a ISS já consegue ‘reciclar’ cerca de 80 a 85% do xixi feito pelos astronautas. A expectativa da Agência Espacial é que esse número chegue em sua totalidade nos próximos anos. 


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