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Isabella da França, a rainha que derrubou o marido com a ajuda do amante

Governando a Inglaterra, um histórico de infidelidade levou a monarca a tomar uma ação drástica contra o rei Eduardo II

Caio Tortamano Publicado em 01/05/2020, às 07h00

Rainha Isabella da França e seu marido, Eduardo II
Rainha Isabella da França e seu marido, Eduardo II - Wikimedia Commons

Em um casamento arranjado em 1308, quando tinha somente 12 anos (e seu cônjuge 23), Isabella da França se uniu a Eduardo II, pertencente à família real inglesa. Os dois foram coroados rei e rainha da Inglaterra na Abadia de Westminster, um mês depois do matrimônio.

Eduardo, entretanto, era apaixonado por um nobre francês, Pers Gaveston, a quem concedeu o título de conde de Cornwall depois que firmou casamento. A relação durou pouco tempo, e Gaveston foi vítima de uma conspiração por parte de barões que detestavam a influência do Conde nas decisões do rei. O líder dessa operação foi Thomas, conde de Lancaster, que também era primo do rei e tio da rainha. 10 anos depois, o conspirador seria executado por traição.

A essa altura, em 1312, Isabella estava grávida de Eduardo, dando luz ao futuro rei Eduardo III. Depois, o casal viria a ter mais três filhos. De acordo com relatos da época, o casamento de ambos era sólido e, grande parte dos desentendimentos conhecidos sobre o casal ocorreram anos depois.

Em uma visita do casal real ao país de Isabella, em 1313, foi dito que Eduardo e Isabella teriam se atrasado para um encontro com Felipe IV — pai de Isabella — por terem feito amor à noite toda. Nesta mesma viagem, Eduardo salvou a rainha de um incêndio durante a noite antes que o local onde dormiam ser destruído pelas chamas.

Mas o conto de fadas acabou por volta de 1822, quando o rei Eduardo encontrou outro amante, um nobre chamado Hugh, que casou com uma de suas sobrinhas e foi apontado como camareiro real, em 1318.

Isabella tolerou os outros casos que o rei teve ao longo de sua vida, mas Hugh estava ameaçando seu papel de rainha dentro da corte. O camareiro tentava constantemente reduzir a influência da esposa sob seu marido. Depois que Inglaterra e França entraram em guerra em 1324, ela passou a ser vista como uma forte ameaça.

Rainha Isabella da França / Crédito: Wikimedia Commons

 

A monarca não engoliu bem a relação extraconjugal, mas foi enviada de volta para a França como forma de apaziguar a situação com a Inglaterra. Em busca de uma trégua, Eduardo teve que prestar homenagens ao rei da França, Carlos IV, ação que o inglês estava relutante em aceitar. Por isso, enviou seu filho de 12 anos para o continente, para que participasse da solenidade.

Com o filho e sucessor real sob seu controle, Isabella passou a exigir que Eduardo expulsasse Hugh do reino, e que pudesse retomar ao seu posto como rainha normalmente. O rei não quis abrir mão de seu amante, e recusou a proposta, obrigando a francesa a continuar em seu país.

Utilizando a ajuda de um amante próprio, a rainha começou a cogitar uma invasão à Inglaterra e, para isso, prometeu seu filho em matrimônio com uma filha de um conde belga, para que conseguissem mais navios e mercenários para invadir a ilha.

As tropas francesas em nome da rainha atracaram a Inglaterra, e os dois meios-irmãos e o primo de Eduardo II logo apoiaram a rainha. O reino do monarca havia caído e agora seu filho, Eduardo III, era o mais novo rei da Inglaterra depois de decisão do Parlamento britânico.

Aos 17 anos, Eduardo III ainda estava sob a tutela de sua mãe, e antes de completar seus 18 anos lançou um golpe contra ela, deixando-a exilada por um tempo, retirando suas posses, mas ainda a tratando com o devido respeito, reivindicando, inclusive, o trono da França por meio de sua geradora.

Isabella passou pouco tempo presa, e quando foi liberta teve todo o seu dinheiro reintegrado a ela. A rainha passou 25 anos de sua vida como uma governante viúva, visitando estados e conversando com a realeza e os nobres do país.


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