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Como se deu a reviravolta no caso Madeleine McCann?

De junho de 2020 para cá, o surgimento de novas evidências tem aproximado os investigadores cada vez mais de uma conclusão

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/05/2021, às 09h00

Madeleine McCann em foto de família
Madeleine McCann em foto de família - Wikimedia Commons

Na noite de 3 de maio de 2007, as férias dos britânicos Kate e Gerry McCann na Praia da Luz, em Portugal, se transformou em pesadelo quando voltaram do restaurante onde foram jantar e descobriram que sua filha de quase 4 anos de idade, Madeleine, não estava no quarto de hotel onde a haviam deixado junto com seus irmãos mais novos. 

Apesar da ampla cobertura midiática que foi conseguida para o caso, do envolvimento das forças policiais de mais de um país e dos muitos recursos financeiros usados (só de 2011 para cá, por exemplo, foram gastos o equivalente a mais de 70 milhões de reais nas buscas pela jovem), a investigação passou mais de uma década parecendo ter encontrado um beco sem saída. As informações foram documentadas por uma matéria de 4 de junho de 2020 da BBC. 

Os 600 suspeitos investigados inicialmente — que incluíam até mesmo os próprios pais da menina — foram descartados um por um por conta da falta de pistas. Em 2020, todavia, quando já fazia 13 anos do desaparecimento da criança e não parecia haver mais esperança de uma resolução, o caso passou por uma reviravolta.

O desenrolar 

Desde então, a investigação tem passado por diversas atualizações, com a mais recente delas, que foi divulgada pelo The Mirror na última terça-feira, 18.

Hans Christian Wolters, o promotor alemão que lidera o caso no momento, acredita que a garotinha de fato foi assassinada quando estava ainda em Portugal. Entenda abaixo como foi a trajetória dos eventos até aqui! 

Madeleine McCann / Crédito: Getty Images 

 

Principal suspeito 

Em junho de 2020, polícia alemã surgiu com um suspeito para o rapto de Madeleine: Trata-se de Christian Brueckner, um homem alemão na casa dos 40 que possui diversos antecedentes criminais envolvendo estupro e pedofilia. O primeiro crime, inclusive, é aquele pelo qual cumpre pena na prisão no momento - ele abusou sexualmente de uma idosa moradora de Portugal no ano de 2005. As informações foram repercutidas pelo G1 em 21 de novembro de 2020. 

Christian é, inclusive, investigado por outro desaparecimento: o da jovem Inga Gehrike, que tinha apenas 5 anos de idade quando sumiu de um churrasco de família, algo que também já foi coberto no site do Aventuras na História nesta matéria

"Das milhares de pistas e potenciais suspeitos que surgiram no passado, nunca houve algo tão claro por parte não só desta polícia, como também das três polícias envolvidas", comentou Clarence Mitchell, a representante legal dos McCann, em uma entrevista à BBC em junho de 2020. 

Christian, que ainda de acordo com o G1 repercutiu em novembro de 2020 é considerado pela justiça alemã como um pedófilo reincidente, estaria na mesma região que os pais da jovem passavam férias naquele maio de 2007. Outro detalhe é que, no dia em que a menina desapareceu, ele transferiu um de seus carros para o nome de outra pessoa.

Outras evidências contra ele, entretanto, foram mantidas em sigilo durante esta fase de construção do caso contra o alemão, de forma que serão somente divulgadas durante o julgamento.

Após essa guinada na investigação do paradeiro de Madeleine McCann, é preciso dizer que as esperanças de encontrá-la com vida diminuíram: "Nós estamos presumindo que a menina está morta", afirmou em junho de 2020 Hans Christian Wolters, o promotor que tem liderado o caso, ainda de acordo com a BBC. 

Últimas atualizações 

Fotografia de Madeleine McCann / Crédito: Getty Images

 

Essa conclusão apenas foi ficando mais forte com o passar do tempo, infelizmente, com Hans afirmando mais cedo nesta semana, na terça-feira, 18 de maio, em entrevista ao jornal inglês The Mirror que no entendimento dele é que a menina britânica realmente foi assassinada já em Portugal. 

Na semana passada, no dia 13 de maio, segundo repercutido pelo UOL, o investigador havia alegado ter encontrado “a peça que faltava no quebra-cabeça”. 

"Não posso divulgar o tipo de prova que recebemos, não é forense, posso dizer isso, mas é uma nova evidência circunstancial que acrescenta à teoria de trabalho de que ele [Christian Brueckner] é o homem responsável. Esses novos desdobramentos aumentam o caso que estamos construindo contra nosso principal suspeito”, relatou ele, que se mostra cada vez mais otimista em relação à proximidade da resolução do caso nos tribunais. 

Já a família McCann, embora não tenha desistido de encontrar da garota viva (atualmente, Madeleine já teria 18 anos de idade), também comentou em uma nota repercutida pela BBC 4 de junho de 2020 que “seja qual for o resultado, nós precisamos saber (o que aconteceu) para termos paz".