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Como se não houvesse amanhã: Há 24 anos, a morte de Renato Russo abalava o país

Neste dia, em 1996, a notícia do óbito do Trovador Solitário entristeceu um país que se expressava através de suas músicas

Pamela Malva Publicado em 11/10/2020, às 00h00

Retrato de Renato Russo, o vocalista da Legião Urbana
Retrato de Renato Russo, o vocalista da Legião Urbana - Divulgação/Youtube

"Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar". Isso porque era 11 de outubro, o dia da morte de Renato Russo. Já são 24 anos sem o Trovador Solitário, mais de duas décadas sem a voz que entoava a razão das coisas feitas pelo coração.

Vítima de complicações causadas pelo HIV aos 36 anos, o cantor nunca mais pôde contar a história de amor entre Eduardo e Mônica, muito menos indignar o país com a triste trajetória do tal João de Santo Cristo. Era o fim de toda uma era.

Mesmo assim, lançadas suas cinzas no Sítio Roberto Burle Marx, Renato continuou emocionando gerações com questionamentos que poucas pessoas conseguiram colocar no papel. Que país é esse, afinal, sem o vocalista da Legião Urbana?

Fotografia de Renato Russo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Viagens de um adolescente

Filho de um economista e de uma professora de inglês, Renato Manfredini Júnior nasceu em março de 1960, no Rio de Janeiro. Descendente de italianos e nordestinos, ele sempre mostrou interesse pelas artes e era um ótimo escritor.

Na escola, produzia redações de cair o queixo e, aos seis anos, mudou-se para Nova York junto com os pais. Em 1975, já de volta ao Brasil, o jovem de 15 anos enfrentou uma intensa fase de sua vida ao descobrir-se portador de uma doença óssea.

Com três pinos na bacia, Renato passou por toda a recuperação escutando sua enorme coleção de discos. Ao mesmo tempo, prestou vestibular para jornalismo e, assim, passou a estudar no Centro de Ensino Universitário de Brasília.

Álbum de estúdio de Renato Russo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Contatos dignos de um artista

Aos 17 anos, Renato teve a oportunidade de conhecer o príncipe Charles, que visitava a nova sede da Cultura Inglesa no Brasil. No ano seguinte, revelou para a mãe que era bissexual e, com um inglês impecável, tornou-se professor da língua.

Naquele mesmo ano de 1978, conheceu Fê Lemos, com quem fundou a banda de punk Aborto Elétrico. Famoso por composições como "Que país é esse?" e "Veraneio Vascaína", o grupo acabou se separando, mesmo que estivessem no auge.

Foi assim que o Trovador Solitário lançou-se no mercado, acompanhado apenas por um violão de doze cordas. Mesmo assim, não demorou até que, ao lado de Marcelo Bonfá,Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, ele formasse a icônica Legião Urbana.

Banda Legião Urbana / Crédito: Wikimedia Commons

 

Deus proclamado

Embora não gostasse muito de sua glorificação, Renato Russo logo começou a ser tratado como um deus por seus fãs mais fervorosos. Como líder da banda, o cantor finalmente atingiu o ápice de sua carreira e conquistou o país.

Inspirando-se nos nomes mais clássicos do pós-punk, o compositor usava suas frustrações para escrever algumas das letras mais famosas da Legião Urbana. Tendo enfrentado a Ditadura Militar, ele usava a música para se expressar.

Com ele, o Brasil aprendeu que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, já que nada é fácil de entender. Ainda mais, gerações passaram a se questionar: “Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?”

Retrato de Renato Russo / Crédito: Divulgação

 

Brasil fora dos trilhos

Às 1h15 da madrugada do dia 11 de outubro de 1996, contudo, todas as lições ficaram suspensas quando a notícia da morte de Renato Russo se espalhou pelo país. Diagnosticado com AIDS, ele deixou, além de uma legião de fãs, um filho de 7 anos.

Apenas onze dias depois, embora tivessem vendido mais de 20 milhões de discos, Legião Urbana anunciou seu fim. As músicas continuaram a fazer parte da trilha sonora do país, mas as letras pareciam melancólicas sem Renato para cantá-las.

Tendo adotado “Russo” em nome de Bertrand Russell, Jean-Jacques Rousseau e Henri Rousseau, o cantor marcou a história da música brasileira. Em diversos momentos de sua carreira, ele foi um grito de esperança para toda essa gente que só faz sofrer.


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