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Como era o maior macaco que já existiu na Terra?

Um estudo de 2019 descobriu qual primata vivo hoje divide maior semelhança genética com o temível animal que podia ter até 3 metros de altura

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/11/2021, às 10h00

Montagem mostrando ilustração que representa o macaco citado, e fotografia de osso de sua mandíbula
Montagem mostrando ilustração que representa o macaco citado, e fotografia de osso de sua mandíbula - Wikimedia Commons/ Divulgação/ Professor Wei Wang/ Arquivo Pessoal

A maior espécie de primata que já habitou a Terra é batizada de Gigantopithecus blacki. Já está extinta há muito: trata-se de um animal que viveu durante o Pleistoceno, período geológico que compreende o espaço de tempo entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás. 

A comunidade científica foi capaz de identificar esse enorme macaco devido a um dente encontrado no ano de 1935. 

Nas décadas seguintes, foram encontrados outros poucos restos mortais pertencentes ao Gigantopithecus blacki, natural do sudeste asiático, como dentes, e também fragmentos do osso da mandíbula. 

No entanto, foi apenas em novembro de 2019 que um outro estudo conseguiu aprofundar os conhecimentos que temos, descobrindo, por exemplo as dimensões desse poderoso primata extinto: ele podia alcançar até 3 metros de altura e pesar incríveis 600 quilos.

Comparação em escala entre humano de 1,80 metros e o maior primata que já existiu / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outra contribuição da pesquisa é a descoberta de que o orangotango é a espécie atual mais próxima geneticamente falando da espécie já extinta.  

Segundo divulgado pela revista científica Nature na época, o objeto de pesquisa dos especialistas foi, mais uma vez, um dente fossilizado. O osso era datado de dois milhões de anos atrás. 

Avanço tecnológico

Para alcançar as conclusões da pesquisa, os cientistas extraíram uma amostra do esmalte do dente do macaco gigante, isolaram uma proteína e em seguida realizaram o sequenciamento dos aminoácidos que a formavam. 

O dente citado / Crédito: Divulgação/ Professor Wei Wang/ Arquivo Pessoal

 

Esse processo apenas foi possível devido à técnicas inovadoras com as quais os paleontologistas não contavam anteriormente, e representa um avanço significativo no conhecimento que podemos obter a partir de fósseis de seres que foram extintos há milhões de anos.

Assim, essa área da ciência conseguirá "voltar no tempo" ainda mais para entender como era a fauna da Terra em outros períodos temporais. 

O passo seguinte realizado pelos especialistas foi comparar os resultados encontrados no caso do Gigantopithecus blacki com os que eram obtidos das proteínas contidas nos dentes de primatas da atualidade. 

Dessa forma, foi possível deduzir que, tanto o orangotango, quanto o animal que viveu no Pleistoceno possuíam um ancestral em comum, o que configura ambos como 'primos distantes'. Essa espécie primitiva, por sua vez, teria vivido 12 milhões de anos atrás. 

Fauna de regiões quentes

Vale comentar que um outro grande desafio da paleontologia é conseguir vestígios fósseis em locais de clima quente, uma vez que as temperaturas mais altas favorecem a decomposição de material orgânico. Assim, muito pouco resta para ser examinado pelos pesquisadores. 

Pesquisas como essa de 2019, no entanto, mostram que mesmo com algo tão simples como um dente é possível fazer uma análise genética complexa. 

"Esse estudo mostra que proteínas antigas podem ter sobrevivido por todo o período da evolução humana, mesmo em áreas como a África ou a Ásia. Assim, poderíamos no futuro estudar a evolução da nossa própria espécie no decorrer de um longo período de tempo", apontou Frido Welker, especialista em antropologia molecular e um dos autores do estudo, conforme repercutido pela BBC no mesmo ano. 

A teoria mais aceita para o desaparecimento do Gigantopithecus blacki é a transformação do ambiente em que ele vivia, que era composto de florestas densas, para savanas, um habitat para o qual não era adaptado.