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Concubina aos 14 anos e expulsa da China: Chen Luwen, a amante de Mao Zedong

Exilada em Hong Kong após atritos com o governo, causados por atividades ilegais, ela conhecia profundamente o tirano comunista

André Nogueira Publicado em 21/05/2020, às 12h22

Mao Zedong em pintura oficial
Mao Zedong em pintura oficial - Getty Images

Entre as tradicionais amantes (ou concubinas) de Mao Zedong, a última e mais aflita com o regime revolucionário chinês era Chen Luwen. Envolvida com crimes que criaram um conflito entre ela e o governo, a garota se tornou dissidente do comando nacional nos anos 1980, fugindo para a colônia britânica de Hong Kong, antes de se exilar no Reino Unido em 1997.

Ao contrário do que se atribui à oposição a Mao, Chen não era uma militante pró-democracia (assim como não era Chiang Kay-Shek, por exemplo), mas suas brigas políticas estavam menos envolvidas com um projeto de nação e mais com suas práticas na posição privilegiada que tinha. Não apenas ela estava de distanciando do líder comunista, como se envolveu com uma série de atividades ilícitas.

Aos pés de seu exílio, Chen tinha acumulado uma fortuna ao se envolver no tráfico de armas, muitas delas indo para o Oriente Médio, num circuito ilegal parcialmente desconhecido pela Alta Cúpula do Partido Comunista.

Era Mao

Segundo Chen, ela era uma “concubina imperial”. Porém, essa designação foi um superlativo utilizado pela mídia contraria à China, enquanto o país não tinha um sistema monárquico, apesar de tradições mais conservadoras envolvendo o ambiente particular dos líderes. Mao Zedong era um governante alinhado ao colegiado da agremiação e da Assembleia Popular, cujos deputados o colocaram no poder, não tendo os mesmos poderes – absolutos – de um antigo Imperador chinês.

Mao Zedong / Crédito: Getty Images

 

Ela foi amante de Mao entre 1962 e 1971, começando quando tinha apenas 14 anos. De acordo com o The Independent, teria contato com ele uma vez por semana, tempo em que conheceu profundamente a personalidade do político. Teria sido descoberta pelo comunista ao se apresentar com um grupo de dança a ele.

Segundo ela, Mao era “um anjo e o mal misturados”. Sua conduta política teria sido marcada pela dureza e frieza, “sem se importar com nada ou com ninguém”, ao mesmo tempo em que dirigia baseado nas “grandes ideias da vida proletária, porque não estava preocupado com a vida material, e sempre usava roupas à moda antiga e comia alimentos básicos”.

Também relatou que Mao era bastante respeitoso com ela, apesar de seu “grande apetite sexual”. Era um “bom amante”, que “não estava apenas interessado em suas próprias necessidades”.

Dissidência no governo Deng

Os atritos de Chen com o governo eram envolvidos com a parte desconhecida dessa rede. Ao mesmo tempo em que a China vendia, por baixo dos panos, mísseis ao governo iraquiano de Saddam Hussein, a concubina recebia dinheiro ilícito sem a presença do governo chinês, nesse ponto já comandado por Deng Xaoping.

Por esse motivo, num retorno à China em 1986, Chen foi interceptada por policiais e presa no estacionamento de um hotel, sendo colocada em prisão domiciliar por sua atividade clandestina no tráfico. Além disso, foi acusada de traição por revelar segredos sobre o Partido e o passado de Mao a núcleos estrangeiros.

Deng Xiaoping / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo relatos dela à imprensa britânica nos anos 1990, o culpado dessa dissidência seria Deng em uma rixa partidária durante uma compra de helicópteros da França. Isso a levou a fugir para Hong Kong, na época ocupada pelos britânicos. Manteve contato com a imprensa britânica até o ano em que a ilha seria devolvida à China (1997), momento em que o Reino Unido negociou uma série de extradições.

Os poucos relatos de sua existência diminuíram mais ainda a partir desse momento, e após ela receber o asilo na Grã-Bretanha, pouco se sabe sobre sua vida. Teria sido auxiliada na Operação Yellowbird, em que a Cia ajudou dissidentes fugidos da China, mas era referida nos relatórios apenas como “amante de Mao Zedong”.

Na época com 50 anos, ela chegou a divulgar uma série de informações sigilosas que tinha sobre o tempo em que viveu com Mao e em contato com o governo de Pequim, com quem nem as potências ocidentais nem Hong Kong queria atrito direto. Após esse período, não se sabe os destinos que levaram a vida de Chen Luwen, que pode ter ido para os EUA, como era seu desejo.


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