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Condenada a prisão perpétua aos 16 anos: os 15 anos infernais de Cyntoia Brown

Caso retratado em documentário da Netflix mostra a saga da jovem que matou o seu agressor sexual e só foi libertada após anos de luta

Giovanna Gomes Publicado em 14/10/2020, às 13h11

O julgamento ocorreu em 4 de novembro de 2004.
O julgamento ocorreu em 4 de novembro de 2004. - Reprodução

A história de Cyntoia Brown se tornou muito conhecida nos últimos anos devido à enorme repercussão nas redes sociais. Em 2004, quando tinha apenas 16 anos, a jovem foi condenada à prisão perpétua pela justiça americana pelo assassinato de um homem. No entanto, algo não foi considerado pelo júri: o homem a quem Cyntoia matou era, na verdade, um abusador sexual que a forçava a se prostituir. 

Quem foi Cyntoia?

Cyntoia Brown Nasceu em 29 de janeiro de 1988 em Fort Campbell, no Kentucky. Sua mãe biológica era usuária de drogas, de modo que a menina teve de ser levada para uma família adotiva. 

Enquanto crescia, Cyntoia cometeu alguns crimes e teve de passar um tempo no Departamento de Crimes Infantis do estado entre abril de 2001 e setembro de 2003, de onde fugiu em diferentes ocasiões. 

Em 2004, conheceu Garion L. McGlothen, conhecido como "Cut-throat", que a transformou em escrava sexual. Ele agredia, estuprava, obrigava a jovem a ter relações sexuais com outros homens. 

Naquele mesmo ano, a adolescente conheceu Johnny Allen, um vendedor de imóveis, de Nashville, que a "comprou" para fins sexuais. Segundo Cyntoia, o homem era extremamente possessivo e guardava muitas armas em casa, as quais adorava exibir para ela. Assim, ele a obrigava a ter relações sexuais com ele.

O assassinato

Cansada de ser abusada, na noite de 6 de agosto de 2004, Cyntoia pegou uma das armas de Johnny Allen e o assassinou com um tiro na cabeça. Ela confessou o crime desde o início e alegou ter sido em legítima defesa, dizendo que era constantemente maltratada pelo homem, que na noite do crime a “agarrou pelas pernas, com força“, explicou a jovem. 

No entanto, o juíz a condenou à prisão perpétua aos 16 anos de idade, sendo que somente após 51 anos do início da pena ela poderia ter direito à liberdade condicional. 

Repercussão do caso

No ano de 2011, foi lançado um documentário sobre a história de Cyntoia chamado Me Facing Life: Cyntoia's Story . Em 2017 o caso tomou grande proporção pelas redes sociais e a #FreeCyntoiaBrown (liberte Cyntoia Brown) se tornou viral.

Mesmo grandes celebridades como a atriz CaraDelavingne e o jogador de basquete Lebron James se manifestaram a favor da jovem. Em 2020 uma nova produção chamada Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story foi realizada, dessa vez pela Netflix.

Documentário Murder to Mercy: The Cyntoia Brown Story - Netflix

 

Em relação ao caso, a cantora Rihanna escreveu a seguinte declaração em seu Instagram: "Nós mudamos a definição de justiça? Algo está terrivelmente errado quando o sistema permite esses estupradores e a vítima é jogada fora para o resto da vida! A cada um de vocês responsáveis ​​pela sentença dessa criança, espero a Deus que não tenham filhos, pois essa pode ser sua filha sendo punida por punir".

Com a campanha das celebridades pedindo por sua soltura, o governador do estado do Tennessee Bill Haslam permitiu que ela fosse libertada no dia 7 de agosto de 2019, após 15 anos presa.


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