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Confira 5 figuras históricas decapitadas que morreram de forma corajosa

Morte por decapitação era um hábito comum durante a Idade Moderna na Europa. Conheça os personagens que aceitaram seu trágico destino

Alana Sousa Publicado em 02/08/2019, às 12h00 - Atualizado às 21h00

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Crédito: Getty Images

A história europeia é repleta de penas de execuções por várias razões. Algumas até são consideradas justas, devido ao crime do condenado. Porém, outras são por razões fúteis. O sentenciado tende a lutar e implorar até seu momento final, mas há ainda aqueles que enfrentam a situação de forma corajosa.

Esses relatos conquistaram seu lugar na lembrança histórica, pois os condenados reagiram de forma calma e mostraram a aceitação da sentença, por mais incoerente que fosse.

Confira cinco figuras históricas que mantiveram a coragem até diante da morte:

1. Luis XVI (1792)

Execução de Luis XVI / Crédito: Reprodução

O então rei da França, Luis XVI foi decapitado juntamente com sua esposa, Maria Antonieta, em 1792, como resultado da Revolução Francesa e da abolição da monarquia no país. Segundo relatos, Luis enfrentou sua punição com coragem. A última coisa que disse ao amigo, estadista e ministro francês Malesherbes foi que ele precisaria controlar as lágrimas diante da multidão de espectadores.

Relatos do período contam que o rei perdoou aqueles que o haviam condenado à morte. A esperança de Luis XVI era de que sua execução não manchasse a história de seu país. Depois que sua cabeça foi cortada pela guilhotina, conta-se que as pessoas mergulharam seus lenços no sangue do rei.

2. Charles I da Inglaterra (1649)

Carlos I da Inglaterra / Créditos: Wikimedia Commons

 

Entre 1649 e 1660, o Reino Unido existiu como um estado republicano, ao invés da monarquia — que foi abolida no final da Guerra Civil Inglesa, e a sentença recebida pelo monarca vigente, Charles I, foi a morte.

Acusado de traição pelo então líder da República, Oliver Cromwell, Charles I foi decapitado em 1649. No dia de sua execução, o rei fez seu discurso e uma oração final. De acordo com documentos da época, o carrasco só precisou de um golpe para executá-lo, algo improvável durante decapitações.

3. Henry Vane, o Jovem (1662)

Henry Vane / Crédito: Wikimedia Commons

 

Apesar de ter sido contra a execução do rei Charles I, em 1649, Henry Vane ainda assim foi condenado à morte. Vane foi um político durante os eventos da Guerra Civil Inglesa e trabalhou ao lado de Oliver Cromwell, o líder da República.

Na época da execução, ele se mostrou contra a sentença dada a Charles I. Entretanto, após a restauração da monarquia e ascensão de Charles II ao trono em 1660, Henry Vane se encontrou em uma posição criticamente perigosa. Eventualmente, Vane acabou sendo considerado culpado de traição e condenado à morte.

Recebeu a pena de morte por decapitação. No momento que antecedeu sua morte, ele fez um discurso onde citou sua inocência e lealdade ao rei. Até mesmo abençoou Charles II. Segundo relatos, ele não mostrou covardia ou falta de compostura e aceitou seu destino.

4. Mary, rainha da Escócia (1587)

Mary I da Escócia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mary foi rainha dos escoceses entre 1542 e 1567, mas precisou fugir de seu país após um escândalo envolvendo o assassinato de seu marido, no qual acreditavam que ela estava envolvida. Passou anos na Inglaterra, sob custódia de sua prima, a rainha Elizabeth I. Até que ela acreditou que Mary estava conspirando para tomar seu trono e sentenciou-a a morte por decapitação.

Mary foi executada em 1587. Segundo relatos do período, ela permaneceu calma e perdoou seus carrascos. Suas últimas palavras foram: “Em tuas mãos, ó Senhor, recomendo meu espírito”. Foi documentado que o primeiro golpe do machado não bateu de forma fatal, e ele foi forçado a bater novamente.

5. Ana Bolena (1536)

Ana Bolena / Crédito: Reprodução

Ana Bolena foi a mais famosa dentre as seis esposas do rei Henrique VIII, da Inglaterra. As acusações que a levaram à decapitação foram feitas por seu marido, que a responsabilizou por ações como adultério, traição e incesto. Acredita-se que o verdadeiro motivo tenha sido a incapacidade de Ana em dar um filho ao marido — e ele estaria cansado da união.

Sua sentença foi decretada como decapitação, em vez da queima na estaca, tradicional para mulheres no período. Henrique VIII conseguiu que um carrasco especialista viesse da França. No dia da execução, Ana se mostrava calma, e até mesmo alegre. Suas últimas palavras foram: “Jesus recebe minha alma; Ó Senhor Deus, tenha piedade da minha alma”.

Ana pediu orações em seu discurso, e jurou que jamais tinha sido infiel ao marido. O carrasco decapitou a rainha com um único golpe.