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Confusão e morte: Mainha, o maior justiceiro do Nordeste

Assassinado em 2011, o cearense estampou a cara em diversos jornais e revistas; tudo por causa de sua sangrenta fama

Caio Tortamano Publicado em 23/04/2020, às 08h00

O pistoleiro Mainha
O pistoleiro Mainha - Divulgação

Um homem aparentemente inocente andava montado em seu burro no dia 4 de janeiro de 2011, em Maranguape, Ceará, quando foi alvo de 9 tiros. A vítima era ninguém menos que Idelfonso Maia Cunha, mais conhecido como Mainha, um dos pistoleiros mais procurados da história do estado cearense.

Apesar da fama sanguinária do homem, estava desarmado no momento fatal. O primeiro suspeito apontado pela polícia foi o maior rival — e também pistoleiro — Manoel Preto. Entretanto, sua participação no crime nunca foi comprovada, Preto teria dito à polícia que fora duas vezes até Maranguape com a intenção de matar o rival, no entanto, falhou em todas as tentativas.

De acordo com a polícia, a primeira morte protagonizada por Mainha foi em 1977, mas o suposto assassinato nunca foi confessado pelo autor. O primeiro óbito relacionado ao cearense foi o de Orismilde Rodrigues da Silva, que teria incriminado o futuro pistoleiro de ter roubado o seu cavalo.

Idelfonso era o mais jovem de dez irmãos, e o apelido ganhou vida por ser o mais novo entre os Maia — por isso "Mainha". Nascido e criado na região de Jaguariba, Ceará, recebeu vários apelidos ao longo de sua sangrenta carreira, como Rato Branco, Galego e Toinho Galego.

Nunca admitiu ser pistoleiro; Mainha acreditava que combinava mais com a definição de justiceiro ou vingador. Isso porque, segundo ele, nunca havia matado por dinheiro, era sempre em nome da honra e defesa de algum amigo ou familiar, e sempre buscava fazer justiça.

Repercussão

O homem dava entrevistas para a televisão e figurava na capa de jornais e revistas de considerável circulação. Tudo isso parecia não o incomodar, já que ele dizia: “Não tenho medo de morrer, tenho medo de ser desmoralizado. Só matei por questões de família, para defender um amigo ou para fazer justiça. Do que eu cometi, não tenho vergonha de nada”.

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Ele foi o primeiro criminoso a aparecer em uma capa de revista nacional de destaque. A Istoé estampou a cara do autodenominado justiceiro em sua capa para falar a respeito da questão da pistolagem em áreas pouco urbanizadas no interior do Brasil, como no Ceará.

Além de sua terra natal, Mainha, que tem em seu histórico de matanças mais de oito dezenas de mortos, foi indiciado pela justiça como suspeito em mortes no Rio Grande do Norte, Piauí e também no Pará.

Parado pela lei

Idelfonso já teve que passar por algumas condenações por homicídio. Sendo o mais notório deles em 1983, quando matou 4 pessoas de uma só vez na estrada BR-116. As vítimas foram o ex-prefeito de Pereiro (CE), João Terceiro de Sousa; a esposa dele, Raimunda Nilda Santos; o motorista do casal, Francisco de Assis; e um soldado da Polícia Militar, João Odeon de Araújo.

Todo esse sangue rendeu ao pistoleiro 64 anos de prisão, dos quais não cumpriu totalmente, conseguindo a liberdade condicional. Todavia, era uma ilusão: a liberdade não durou muito. Após trocar tiros com a polícia, durante uma festa de família, o homem voltou para a prisão.

Durante seu tempo em cárcere, foi novamente para júri popular, desta vez em 2002. Acabou sendo condenado por outras duas mortes ocorridas no Rio Grande do Norte, tendo que cumprir mais 28 anos de prisão, sendo solto novamente pouco mais de um ano depois.

Desta vez, durante uma entrevista à uma emissora de televisão local, afirmou que não tinha participado do último crime. “Fizeram de mim uma pessoa que eu não sou, uma figura perigosa. O que eu faço, eu assumo. Estes dois eu não matei. Pago crimes que nem cometi”.

A sua polêmica figura está presente, inclusive, em seu velório. Quando foi sepultado, alguns dias depois de sua morte, uma multidão se reuniu para velar o corpo do mais famoso pistoleiro do nordeste, e quiçá do Brasil. 

Várias pessoas foram de Maranguape (local onde morava quando foi assassinado) até Nova Jaguariba, onde poderiam ficar próximos de sua família e de seus filhos, os quais “não gostaria que seguissem o mesmo caminho” que o dele.


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