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Confusão em casa noturna: a conturbada passagem de Mike Tyson pelo Brasil

Em 2005, o ex-campeão estava em uma casa de entretenimento adulto quando decidiu despertar seu lado pugilista sobre um cinegrafista brasileiro

Wallacy Ferrari Publicado em 31/03/2020, às 16h13

Mike Tyson saindo da delegacia (à esq.) e o jornalista Carlos Melo após depor (à dir.)
Mike Tyson saindo da delegacia (à esq.) e o jornalista Carlos Melo após depor (à dir.) - Divulgação / RecordTV

A segunda metade dos anos 1980 e o início dos anos 1990 foram palco do auge de um dos mais notáveis pugilistas da história do mundo: Mike Tyson. Com o histórico de agressividade, seu talento na porrada foi rapidamente convertido em sucesso a nível internacional, com Mike tornando-se o mais jovem campeão dos pesos pesados no boxe na história do mundo.

Porém, sua carreira foi colocada em segundo plano diversas vezes em decorrência das polêmicas envolvendo seu nome, como a acusação de estupro em 1992, pela qual Tyson ficou três anos preso, e por arrancar um pedaço da orelha de Evander Holyfield durante uma luta em 1997.

Além disso, seu histórico de brigas de rua, em bastidores e na prisão endureceram ainda mais sua fama de “homem mais malvado do planeta”, porém, resultou em uma queda de rendimento dentro dos ringues; perdeu sua invencibilidade para um lutador desconhecido e chegou até a declarar falência.

Durante sua visita ao Brasil em 2005, não foi diferente. Após uma viagem para participar do talk-show de Diego Maradona na Argentina, o boxeador aproveitou a estadia na América do Sul para visitar um amigo em São Paulo e, posteriormente, conhecer o Rio de Janeiro. Ficou hospedado no luxuoso Crowne Plaza, na suíte presidencial.

Pela noite, logo no primeiro dia no país, foi até a casa noturna Bahamas Night Club, no bairro de Moema, famosa por ser administrada pelo empresário Oscar Maroni, editor da Penthouse Brasil e distribuidor da Hustler no país.

Oscar teve a ciência de que Tyson estava na residência e orientou que a mídia fosse discreta em qualquer publicação ou filmagem, visto que a casa estava repleta de pagantes que não gostariam de ter a identidade revelada.

Fotografia tirada no Bahamas Night Club na noite de Tyson no Brasil / Créditos: Divulgação / RecordTV 

 

Instalado em um camarote, Tyson chegou a dançar black music e subir com uma garota para uma área reservada, mas retornou. Foi quando viu o cinegrafista Carlos Melo, que na época realizava as filmagens para o SBT. Carlos afirmou em entrevista a RecordTV que chegou a pedir autorização para Oscar, mas foi orientado a não se aproximar.

Sentado em uma escada, chegou a registrar uma fotografia de Tyson no local e iniciou a gravação em uma câmera profissional nada discreta. Tyson inicialmente ignorou, mas Carlos prosseguiu a gravação. O pugilista mudou seu comportamento após virar um copo inteiro de uísque, se dirigindo a direção do cinegrafista, junto ao filho de Maroni, que serviu de tradutor.

Mike não demonstrou agressividade ao solicitar a interrupção da filmagem ao repórter cinematográfico, porém, Carlos refutou em encerrar a gravação, afirmando estar com a identificação de imprensa e autorizado pelo próprio dono do local. Foi aí que Mike Tyson mostrou sua força conhecida mundialmente.

A agressão de Tyson

Há cerca de um palmo de distância do rosto de Carlos, começou a gritar para que o mesmo desligasse o aparelho, porém, o cinegrafista não sabia falar em inglês e não conseguiu argumentar.

Foi então que Tyson tomou sua câmera, que foi rapidamente aberta e teve sua fita retirada. Testemunhas relatam que a cena pareceu cinematográfica: o pugilista colocou o cartucho na palma da mão e o destruiu, como um triturador.

A câmera de Carlos junto a canopla do microfone, com diversas rachaduras / Créditos: Divulgação / RecordTV

 

A câmera foi arremessada com violência ao chão e o cinegrafista levou um soco, no lado direito de sua cabeça. Mike, furioso, decidiu sair da casa noturna junto ao amigo e foi levado para outro estabelecimento de entretenimento adulto em São Paulo, a Love Story, no bairro da República. Enquanto isso, Carlos foi até o 27º Distrito Policial, no Campo Belo, registrar a denúncia de agressão física.

Após o registro, a Polícia Militar foi até a boate onde Mike estava e o levou para prestar depoimento sobre o caso, que acabou assumindo o soco sem oferecer resistência. Mike não foi levado por uma viatura e nem algemado. Na delegacia, assinou um termo circunstanciado e foi liberado pela manhã sem falar com a imprensa, além de tirar fotos com policiais.

Detido por um delito menor, Tyson pôde sair do país sem problemas e não chegou a acompanhar seu julgamento, que o declarou culpado por danos ao patrimônio e lesão de gravidade leve.

O delegado do caso, Roberto Calaça, tratou a seriedade do caso com bom humor em relação aos ferimentos do repórter: “Não acreditamos que tenha havido lesão, porque o mundo todo conhece o soco dele”.


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