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Conheça a lenda do Barão de Samedi, um espírito de vodu que busca a alma dos mortos

Essa entidade da cultura haitiana busca a alma dos falecidos para completar uma missão apocalíptica

Mariana Ribas Publicado em 10/04/2019, às 10h00

Ilustração do Barão de Samedi
Reprodução

Se você encontrar pela frente um esqueleto com algodões no nariz, vestindo paletó preto, cartola branca e óculos escuros, com um charuto na boca e uma garrafa de rum na mão, prepare-se: a sua hora chegou. Pelo menos é o que diz a lenda do Barão de Samedi (“sábado” em francês), um espírito do vodu haitiano, que vaga em busca de mortos recentes.

Segundo o mito, esse barão foi um assassino que, preso e julgado, acabou recebendo pena de morte por seus crimes. Já no além, esse nobre homicida ganharia uma missão fúnebre: quando alguém é enterrado, o Barão de Samedi vai até o túmulo e conduz sua alma para o submundo. O que até seria uma coisa boa: com essa tarefa macabra, o barão impediria que os mortos se tornassem zumbis.

Ao levar a alma das pessoas e fazer com que os corpos apodreçam, ele garante que nenhum cadáver saia por aí sem cérebro, querendo devorar gente viva. Menos mau. E, apesar de ser um barão da morte, ele também pode representar redenção. Reza a lenda que Samedi tem o poder de salvar vidas – se a pessoa merecer a ajuda. É capaz de recuperar a saúde até de pacientes incuráveis.

Poderoso quando a questão é magia negra e maldições, o Barão de Samedi é muito temido pelos praticantes do vodu. E ele não age sozinho. Segundo a lenda, o barão é casado com outro fantasma assustador: Maman Brigitte teria sido a única branca entre os espíritos do vodu, uma ruiva de origem irlandesa, apreciadora de rum temperado com pimenta forte – uma figura associada a Brigid, a deusa celta da cura e da vida. A esposa do barão também teria uma missão nobre ligada aos rituais da morte: protegeria os túmulos da ação de vândalos, desde que marcados pelo símbolo da cruz.

Atualmente, diversos festejos são realizados para celebrar o Barão de Samedi, com cemitérios recebendo a visita de seguidores, que vão rezar para o espírito, fazer pedidos ou agradecer por graças alcançadas. Já deu para perceber que, apesar de visto como vilão por outras culturas, o barão é popular entre os devotos do vodu, considerado uma divindade a se respeitar e pedir ajuda... não é só para ter medo dele. Além da imagem tradicional do esqueleto de algodão no nariz, o Barão de Samedi também é relacionado à de um homem negro com uma caveira pintada no rosto.

O detalhe lúgubre, é claro, não poderia faltar em se tratando desse nobre caçador de almas.