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Conheça alguns tesouros da Catedral de Notre-Dame em Paris

Atingida por um incêndio nesta segunda-feira, 15, a catedral guarda inúmeras relíquias de valor histórico

Joseane Pereira Publicado em 16/04/2019, às 09h30

Altar-mor da Catedral de Notre-Dame
Getty Images

A Catedral de Notre-Dame, em Paris, na França, levou mais de 200 anos para ser construída e apenas algumas horas para ser queimada parcialmente. Sua construção se iniciou no século 12 e mostra o estilo gótico em seu esplendor, tendo sido palco para a coroação de muitos monarcas, inclusive a do imperador Napoleão Bonaparte em 1804.

O incêndio, que destruiu quase todo o teto e uma das torres da catedral e demorou 12 horas para ser apagado, também atingiu inúmeras relíquias, como obras de arte, estátuas, pinturas, trabalhos em madeira e decoração - alguns dos quais puderam ser recuperados ainda no início do incêndio.

Conheça algumas dessas obras:

O altar-mor

Créditos: Getty Images

O altar-mor da Catedral, que contém a escultura Descida da Cruz, de Nicolas Costou (1658-1733) ladeada pelas estátuas de Luís XIII e Luís XIV ajoelhados, ocupava o centro da Catedral. Os dois reis governaram a França no século 17, tendo o ultimo ocupado o trono por 72 anos, período mais longo da História. Embora tenham sido atingidas pelas chamas, fotografias indicam que a cruz central e as estátuas ficaram intactas.

Santa Coroa

Créditos: Reprodução

Réplica de inestimável valor que os católicos acreditam ter sido usada por Jesus pouco antes de ser crucificado, a Santa Coroa é composta por um "círculo de juncos unidos por fios de ouro, com um diâmetro de 21 centímetros", segundo o site da Catedral. Esta relíquia escapou das chamas, assim como a Túnica de São Luís, um dos reis mais famosos da França.

Túnica de São Luís

Créditos: Reprodução

A túnica, que teria sido usada por Luís IX quando levou a coroa de espinhos de Jesus para Paris, também está a salvo. Coroado em 1226, Luís IX foi o único rei da França a ser canonizado, e teria recuperado a coroa de espinhos do imperador Balduíno II, de Constantinopla, como garantia para um empréstimo junto dos venezianos. O rei morreu em 1270 durante as cruzadas, tendo sido canonizado em 1297.

O grande Órgão 

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Contendo cinco teclados e cerca de 8 mil tubos, esse órgão é um dos maiores destaques da Catedral. Segundo o vigário geral da arquidiocese de Paris, Benoiste de Sinety, esse tesouro está "quase totalmente destruído" -- não pelo fogo, mas pela água usada pelos bombeiros no combate ao incêndio. O órgão começou a ser construído em 1403, tendo sofrido várias ampliações até o século 18. Alguns de seus 8 mil tubos ainda remontam à Idade Média, e esse órgão atravessou a Revolução Francesa sem danos "graças provavelmente à interpretação da música patriótica", segundo o site da Catedral.

As Rosáceas

Órgão em frente ao vitral das Rosáceas / Créditos: Reprodução

Pertencentes ao projeto original do edifício, as três rosáceas que representam as flores do paraíso foram construídas no século 13 e reformadas várias vezes, tendo sido substituídas no século 19Nos vitrais estão representados anjos, profetas e cenas da vida de santos. Ao centro estão as imagens da Virgem Maria, da Ascensão de Cristo e do Menino Jesus.

Pedaço da cruz de Jesus e um prego

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Além da Santa Coroa, outras duas relíquias ligadas à Paixão de Cristo estavam guardadas na Catedral: um pedaço de madeira com 24 centímetros que teria pertencido à cruz onde Jesus foi executado, e um dos pregos que o prenderam. Os objetos, de extremo valor para a Igreja, estavam guardados em estojos de cristal dentro de relicários dourados -- e não foram atingidos pelo fogo.

Sino de Bourdon

Créditos: Reprodução

Com 13 toneladas e datando do século 15, o sino de Bourdon -- maior e mais antigo dos oito sinos da Catedral -- foi acionado em momentos históricos: para avisar aos parisienses sobre o fim da Primeira Guerra Mundial e na libertação da capital do domínio nazista, em agosto de 1944. Na torre sul fica o maior sino da catedral, chamado Bourdon, utilizado apenas nas grandes festas católicas e nos grandes eventos.

Estátuas dos 12 Apóstolos

Patrick Palem, especialista em restauração patrimonial, caminha pelas estátuas. Créditos: Georges Gobet

Uma operação de restauro, iniciada quatro dias antes do incêndio, salvou 16 estátuas de cobre de Notre-Dame que estavam no topo do edifício. As obras, que representam os 12 apóstolos e os quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Mateus e João), datam do século 19 e foram levadas para restauração em Périgueux, no sudoeste do país.