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Conheça a estrada mais perigosa do mundo

Acredite ou não, o local virou atração turística por conta de seu perigo

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 15/12/2021, às 15h40

Trecho de vídeo que mostra estrada de longe
Trecho de vídeo que mostra estrada de longe - Divulgação/ Youtube/ Free Documentary

É difícil imaginar que um lugar chamado "Estrada da Morte" seja um destino turístico particularmente atrativo. 

Surpreendentemente, porém, esse caminho, que fica localizado na Bolívia e serpenteia através de uma montanha de 4.700 metros de altura, é percorrido por centenas de ciclistas em busca de adrenalina todos os anos. 

Trajetória

No passado, era usado por veículos, porém os constantes acidentes envolvendo tanto carros quanto ônibus fizeram com que o governo do país construísse uma alternativa mais segura no ano de 2007.

Antes disso, é estimado que por volta de 200 e 300 pessoas morriam todo ano na Estrada da Morte, de acordo com informações documentadas pelo g1 em 2014. 

É possível argumentar ainda que as autoridades bolivianas demoraram para tomar uma atitude em relação ao caminho, uma vez que ele já havia sido declarado o mais perigoso do globo no ano de 1995 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Fotografia de cruz instalada no local em homenagem àqueles que morreram tentando fazer o trajeto / Crédito: Divulgação/ Gravity Bolivia

 

De forma contraintuitiva, inclusive, esse título pouco lisonjeiro foi o que deu o impulso inicial no aumento da popularidade do local entre os turistas. 

Os riscos 

A estrada possui 64 quilômetros de extensão, e durante toda essa distância, sua largura não ultrapassa três metros. A maior parte do caminho é uma decida ladeada por penhascos de até 600 metros de altura. Apenas essas informações são o suficiente para justificar a quantidade de acidentes que já ocorreram ali. 

No entanto, existem outros aspectos que contribuem para o perigo da Estrada da Morte, como a possibilidade constante de deslizamento de rochas, e ainda o fato que alguns pontos do caminho são altos o suficiente para alcançarem as nuvens, o provoca uma grande queda na visibilidade. 

Já para quem gosta de emoção, no entanto não quer se arriscar tanto, é possível cruzar a rota da maneira relativamente segura, basta contar com a ajuda de um guia que conhece bem o terreno — ou ao menos é o que a companhia Gravity Bolivia, que já ajuda curiosos a passarem pela experiência desde o ano de 1998, defende em seu site. 

Fotografia de bicicleta no topo de um dos penhascos do local turístico / Crédito: Divulgação/ Gravity Bolivia

 

Tem que descer com cuidado, não como um louco. Se for rápido demais ou com muito medo o ciclista pode sofrer uma queda grave. Mas quando a pessoa vai com calma e foca a atenção o tempo todo, a descida é fácil”, relatou DerrenPatterson, o gerente da empresa citada, de acordo com o g1. 

Durante toda a história do lugar, vinte ciclistas teriam perdido suas vidas tentando chegar ao fim do caminho, uma estatística bem diferente da relativa a outros veículos. 

Desses, vale mencinar que somente um deles fazia uma expedição junto à Gravity Bolivia. Tratava-se de um senhor já de idade que, infelizmente, acabou sofrendo de um ataque cardíaco. 

Para Petterson, o passeio definitivamente compensa o medo inicial. 

 “É um dos lugares mais bonitos que já conheci. Dá para ver montanhas com mais de 6 mil metros de altura, glaciares e paisagens impressionantes. Passamos pela selva, por cachoeiras, rios e por um bosque que fica no meio das nuvens”, contou ainda.