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A dramática história de Rodrigo Gularte, o brasileiro executado pelo governo da Indonésia

Ele tentou entrar no país trazendo 6 quilos de cocaína e acabou pagando com a vida

Ingredi Brunato Publicado em 11/08/2020, às 17h56

Fotografia de Rodrigo Gularte durante julgamento.
Fotografia de Rodrigo Gularte durante julgamento. - Divulgação/Youtube

No dia 28 de abril de 2015, quando guardas vieram retirar o brasileiro Rodrigo Gularte de sua cela na Indonésia, onde havia sido mantido preso pelos últimos onze anos, ele perguntou “Estou sendo executado?”. Não muito tempo depois, sua previsão se concretizaria: Gularte seria fuzilado sob ordens do governo indonésio. 

O brasileiro de 42 anos tinha sido preso por tráfico de drogas ao tentar entrar na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf.  Segundo os familiares, Gularte teria problemas relacionados ao abuso de substâncias desde antes dos 16 anos. 

Embora Rodrigo estivesse com mais dois colegas também de Florianópolis, onde morava, assumiu total responsabilidade pelos narcóticos encontrados. E assim teve início o caso que se estendeu durante anos, apenas para encontrar um fim dramático. 

Não foi por falta de tentativas 

A Indonésia é conhecida por suas punições severas, e o crime de tráfico de drogas no país está sujeito à nada menos que pena de morte. O governo brasileiro se envolveu na história, acompanhando o processo jurídico em busca de alternativas legais à sentença extrema. 

Pedidos de clemência foram feitos pelo mesmo mais de uma vez, porém sem gerar quaisquer resultados. O ocorrido teria, inclusive, contribuído para deteriorar a relação entre Brasil e Indonésia. 

Um dos maiores argumentos usados em defesa de Rodrigo Gularte foi que ele apresentava transtornos mentais. O brasileiro teria recebido o diagnóstico de esquizofrenia paranóide, um distúrbio que causa delírios e alucinações, quando não tratado.

É possível conseguir a transferência para uma clínica psiquiátrica ao apresentar o diagnóstico de doença mental, segundo diz a legislação da Indonésia, o que era uma fonte de esperança para os advogados e familiares de Gularte. Os parentes afirmaram ainda que Rodrigo só teria se envolvido com drogas por conta de seu estado mental, que o tornaria vulnerável ao aliciamento por parte de outros. 

No entanto, apesar de laudos médicos terem sido apresentados, a procuradoria-geral do país asiático preferiu examiná-lo com seus próprios especialistas, e terminou mantendo seu posicionamento. Os resultados dos exames que a procuradoria-geral realizou, todavia, nunca vieram a público. 

Repercussões do caso 

A situação de Rodrigo Gularte reacendeu o debate sobre a pena de morte nos meios de comunicação da época. Após sua morte, o governo brasileiro — que na época era gerido por Dilma Rousseff — afirmou em nota para a imprensa que se envolveria mais energeticamente em organismos internacionais de direitos humanos, com o objetivo de abolir a pena capital. 

Já o presidente indonésio de 2015, Joko Widodo, alegou que o país passava por uma situação de emergência em relação ao problema das drogas, necessitando de uma “terapia de choque”. O método escolhido para realizar essa terapia de choque seria, assim, através do estabelecimento da pena de morte mesmo para a posse de pequenas quantidades de droga. Outros países do sudeste asiático também adotam tais medidas extremas, como Vietnã, Malásia, Tailândia e Cingapura. 

Gularte foi enterrado em sua terra natal, no Paraná, no dia 3 de maio de 2015. Apenas o advogado e amigo da família, Cleverson Marinho, aceitou dizer algumas linhas em entrevista ao G1: “Não imaginava que isso se concluísse dessa forma, acho que o mundo já poderia ter chegado a um ponto de entender que violência gera violência, e que não deixa de ser um homicídio o que cometeram”.


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