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Conheça Ida Dalser, amante de Benito Mussolini e mãe de seu filho secreto

Benito Albino Mussolini era o segundo filho do ditador italiano. Fruto de seu casamento secreto em 1914

André Nogueira Publicado em 09/06/2019, às 10h00 - Atualizado às 14h00

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- Reprodução

Quando ainda era um jovem ambicioso integrante do Partido Socialista, Benito Mussolini se envolveu com uma mulher, Ida Dalser, e engataram um namoro. O casal se conheceu em Trento na época em que Benito rachava com os socialistas e seu jornal, o Avanti!

Na período, Mussolini não tinha muitos recursos e Ida possuía um salão de beleza, que foi vendido para que a verba fosse usada na produção de um novo jornal, o Il Popolo d’Itália.

Em 1914, a relação culminou num casamento cujos documentos, anos depois, seriam destruídos para apagar o passado do ascendente ditador. No ano seguinte, aos 32 anos, Benito engravidou Ida. A criança, ao nascer, foi nomeada segundo o pai: Benito Albino Mussolini.

Ida e Benito filho / Crédito: Wikimedia commons

 

Porém, nessa época, Mussolini era casado com Rachele Guidi, com quem já tinha uma filha de cinco anos, Edda Mussolini. A relação de Benito e Ida tinha que ser, portanto, às escondidas.

Em pouco tempo, Benito abandonou a amante e o filho, para se dedicar à vida familiar e polítca. Ida ficou furiosa com o caso e se esforçou para expor sua história. Em uma ocasião, ela invadiu uma das primeiras reuniões do Fascio Milanese di Combatimento e teria gritado: “Camaradas, esta criança é filho desse homem. Ele me engravidou e me abandonou”.

O caso se tornou inoportuno para Mussolini quando ele começou a crescer na política. Sua pregação política era baseada na ideia dos valores familiares e da tradição, o que não encaixava com um histórico de abandono parental e adultério.

Ao tomar o governo em 1922, Mussolini ordenou que a polícia do Estado vigiasse Ida e a afastasse das aparições públicas.

Benito A. Dalser-Mussolini / Crédito: Reprodução

 

Perseguida pelas autoridades e dedicada a provar que era esposa do Duche, Ida foi internada compulsoriamente num manicômio pelo resto de sua vida. Seu filho, que ficava com um cunhado, também fora sequestrado pelos Camisas Negras e internado, primeiramente num conservatório e, após, em um manicômio, sob o nome Benito Albino Dalser.

Ida Dalser nasceu em 20 de agosto de 1880 na cidade de Sopramonte e morreu em 1937 por um derrame cerebral, no hospital psiquiátrico. Por décadas, sua história ficou desconhecida e seus registros, destruídos pelo Estado Italiano.

Somente nos anos 2000 que foram achados registros contundentes de sua existência e, desde então, há esforços em incluí-la na biografia do ditador Benito Mussolini, por mais que ele tenha tentado, com ênfase, apagá-la da história.