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Conheça a nova inteligência DWRI, descoberta por um cientista brasileiro

Em entrevista exclusiva à AH, Fabiano de Abreu conta o que é, como funciona e quais as formas de detectar o novo conceito

Pamela Malva Publicado em 20/02/2021, às 13h30

Imagem meramente ilustrativa de pessoa estudando
Imagem meramente ilustrativa de pessoa estudando - Divulgação/Pixabay

Logo no começo do ano de 2021, o neurocientista luso-brasileiro Fabiano de Abreu publicou, na revista científica International Journal of Development Research, sua pesquisa sobre o novo tipo de inteligência que ele próprio descobriu, a DWRI.

Em entrevista exclusiva à AH, então, o profissional, que também é jornalista e psicanalista, explicou como funciona a DWRI e quais são as formas de detectá-la. Ainda mais, Fabiano narrou os passos que seguiu para teorizar essa inteligência.

Doutor e Mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, Fabiano ainda tem especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios em Harvard e é membro da Federação Europeia de Neurociência.

Quando se acende uma lâmpada

Segundo Fabiano, toda a pesquisa começou há pouco mais de dois anos:. “Participando dos grupos, em reuniões, entrevistas, com pessoas de alto QI, identifiquei que não raro, havia uma dificuldade relacional, por desarmonias egóica, e pouca ingerência emocional, que poderiam se desdobrar em conflitos”, narrou o especialista.

Frente a dificuldade relacional de alguns superdotados, ele assumiu o papel de observador e, como estudioso que é, transformou isso em teoria. Observar o seu próprio ambiente emocional e de seus pares, foi o “gatilho” para concluir: “Como pessoas com alto QI, portanto com inteligência superior à média populacional, não têm controle emocional? Como trabalham a diferença intelectual entre seus pares e as pessoas ditas “normais”? Sentem-se superiores ou perseguidas?

A partir desses questionamentos, houve uma imersão na esfera emocional no nicho de pessoas portadoras de altas habilidades/superdotação.

Para o neurocientista, parecia óbvio que, mesmo em um grupo de pessoas superdotadas, ainda faltava algum tipo de inteligência. Com isso em mente, ele “quis provar que não só existem diversos tipos de inteligências, mas que há uma inteligência global com a priori no QI, inclusive uma que não foi descoberta ainda”.

Fotografia do neurocientista Fabiano de Abreu / Crédito: Cortesia de Fabiano de Abreu

 

Mão na massa

Ao lado de sua equipe de pesquisa, então, o neurocientista fez entrevistas com outros profissionais e com pessoas de alto QI. “Houve uma pesquisa e análise profunda no campo das psicopatologias, transtornos e doenças mentais, injúrias cerebrais, que podem comprometer funções cognitivas, bem como as mais recentes pesquisas sobre a articulação do córtex pré-frontal” com o sistema límbico”, contou.

A partir de toda essa apuração, Fabiano finalmente identificou a DWRI. Tal conceito, de acordo com o neuropsicólogo, “é o domínio da inteligência emocional, é a razão que sobressai à emoção. É você conseguir utilizar e ter domínio de seu córtex pré-frontal, ter uma maior capacidade na plasticidade cerebral".

"Relaciona a utilização das regiões e suas conexões que devolvem e participam da inteligência num geral, tamanho dos neurônios, dendritos, entre outros", contou o neurocientista. "Quando racionalizamos questões de ordem prática, nas relações sociais, nos tornamos mais bem vindos. Quando articulamos o sistema límbico com o neocórtex, aprendemos a sentir e expressar de melhor maneira esse sentimento. Trazendo inteligência às emoções."

"O cérebro emocional é primitivo e reage de imediato aos estímulos externos", pontuou o pesquisador. Dessa forma "saber intelectualizar as respostas nos torna mais adequados, bem vindos. E isso é inteligente".

Presente apenas em pessoas com um alto percentil de QI e sem qualquer transtorno cognitivo, a DWRI vai muito além do raciocínio lógico. Segundo Fabiano, indivíduos que contam com essa inteligência, por exemplo, são naturalmente carismáticos e manipuladores. Tem o dom da “palavra”, e levam o outro a agir sem tomar consciência de que a escolha desta ação foi “inspiração” alheia”.

As diferentes inteligências

De acordo com pesquisador, “pessoas de alto QI têm uma maior plasticidade cerebral”, que é a conexão entre as regiões do cérebro relacionadas à inteligência. Portanto, portadoras de “uma maior inteligência emocional, [devendo] saber controlar a emoção”.

O problema é que a grande maioria das pessoas não possuem a chamada inteligência plena. “Se você tiver transtornos cognitivos, por exemplo, seu cérebro emocional pode ser inapto e sabotar suas ações práticas, como foi no caso do Hitler”, explicou.

Amante das artes, o Führer tinha um alto grau de narcisismo, que caraterizava traços de sociopatia. Com esse transtorno, mesmo que demonstrasse possuir todas as características da superdotação, Hitler “não tinha domínio das suas próprias emoções,  manipulava o seu entorno, contaminando suas relações e aplicando sua inteligência a serviço do mal. O lado negro da força que o habitava, dominava sua emoção causando uma cegueira emocional".

Imagem meramente ilustrativa de óculos sobre livro / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Uma agulha no palheiro

É essa linha tênue entre o alto QI e a inteligência plena, inclusive, que faz com que a DWRI seja tão rara hoje em dia. De acordo com as pesquisas do neurocientista, “a taxa percentual de [pessoas que possuem a] DWRI é de menos de 2% do mundo”.

Muito por isso, é necessário encontrar formas de detectar a nova inteligência — busca que Fabiano já iniciou com seu grupo de pesquisa. “Estou escrevendo, nesse exato momento, um artigo que fala sobre os testes da DWRI”, revelou o estudioso.

De acordo com Fabiano, o teste vai muito além dos utilizados para determinar o QI de uma pessoa, como nas avaliações de cognição e personalidade. Bastante completo, o teste DWRI irá detectar não apenas a nova inteligência, como também todas as características neurológicas do paciente, pontuando desde transtornos, até vocações. Contemplando os aspectos clínicos dentro de toda a bateria de testes”.

Um mundo inteligente

Apesar das pesquisas sobre a inteligência DWRI, para Fabiano, “é importante ressaltar que existe uma inteligência social que qualquer pessoa pode alcançar”, uma inteligência que parte do conhecimento e do "saber de si. Quando desenvolvemos autoconhecimento, inteligência intrapessoal, fica mais confortável agir empaticamente, sendo mais adequado, mais conveniente, portanto mais bem vindo. Para sermos amados necessitamos ser aceitos antes. Os portadores desse inteligência matricial que se desdobra por todas é o que leva o nome desse teoria — DWRI.”

“Não é apenas o QI que determina a pessoa inteligente”, narrou o neuropsicólogo, que defende a construção de conhecimento para a obtenção de maiores oportunidades. Da mesma forma, segundo Fabiano, “superdotação não é sinônimo de inteligência plena”.

Por fim, o especialista deixou claro que, apesar de ser uma característica hereditária, a inteligência pode ser aprimorada. “A priori, o QI é genético, mas pode ser aumentado. Com estudo, muita leitura e treinos cognitivos, você pode estimular a neuroplasticidade, elevar seu QI, fomentar sua inteligência e ser um ser humano na melhor definição do termo. Trazendo contribuições em todas as esferas do conhecimento, deixando um legado de propriedade intelectual e humana. Isso é ser DWRI”.


Fabiano de Abreu tem diversos artigos publicados com estudos sobre inteligência e ainda é membro da Mensa International, a maior e mais antiga sociedade composta por pessoas de alto QI no mundo.


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