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Quando os EUA criaram o disco voador da vida real

O Avrocar foi um projeto sério do exército americano - e chegou a voar

Fábio Marton Publicado em 12/04/2019, às 07h00 - Atualizado às 08h00

O disco voador
Wikimedia Commons

Em 1959 vivia-se o auge da histeria com alienígenas. Desde o incidente de 1947 em Roswell, no qual o Exército americano lançou um comunicado afirmando que havia resgatado um disco voador e depois negou tudo, era opinião geral que o governo sabia da existência de alienígenas, mas tentava ocultar a verdade. Nesse ano, Ed Wood lançou Plano 9 do Espaço Sideral, no qual discos voadores feitos de calota de carro lideravam uma invasão de zumbis-vampiros.

Mas os militares queriam ocultar outra coisa: eram eles que estavam criando discos voadores. Em 1954, o engenheiro britânico Jack Frost havia prometido aos americanos o avião mais revolucionário de todos os tempos. Com formato circular, seria capaz de decolar na vertical, quebrar a barreira do som, manobrar tão bem quanto um helicóptero e voar para trás ou para os lados com a mesma velocidade que ia para a frente. Seria, enfim, um disco voador como o dos filmes.

O Avrocar em voo real / Reprodução 

Dois Avrocar VZ-9 saíram do hangar em 1958 e 1959. Com 5,5 m de diâmetro, eram movidos por três motores a jato. Logo se descobriu que se comportavam de forma similar às calotas penduradas por barbante no filme de Ed Wood: quando tentavam voar a mais de 1 m de altitude, começavam a balançar. Tentativas de deixá-los mais estáveis tornaram o veículo lento, com uma terráquea velocidade máxima de 56 km/h.

Frost havia trabalhado no De Havilland DH 108, a tentativa britânica de quebrar a barreira do som, que terminou tragicamente em 1946, com a morte de Geoffrey de Havilland Jr., filho do dono da companhia. Em 1961, as Forças Armadas fecharam a torneira do orçamento, e discos voadores permaneceram coisa de filme.