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Conspiracionistas à solta: A saga dos colares 'anti-5G'

Sem provas, grupos alegam que redes de telefonia móvel ajudam espalhar a Covid

Fabio Previdelli Publicado em 09/01/2022, às 00h00

Colar 'anti-5G'
Colar 'anti-5G' - National Institute for Public Health and the Environment

No começo de novembro do ano passado, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizou o leilão do 5G no Brasil. Este foi o primeiro grande passo para a inserção da nova geração de internet móvel no país. 

O 5G promete revolucionar o mercado. Além de oferecer uma conexão ultrarrápida, conforme aponta matéria do G1, a nova tecnologia também permitirá uma maior estabilidade ao ligar vários objetos à internet simultaneamente. Além do mais, ela ajudará em outros setores, como em carros autônomos, por exemplo. 

Imagem ilustrativa/ Crédito: Pixabay

 

Apesar do grande salto que o 5G pode oferecer, a inovação tem sido alvo de teorias conspiratórias. A maior delas, como aponta reportagem da BBC Brasil, dá conta de que as redes 5G são prejudiciais à saúde das pessoas. 

Com isso, já passou a ser comum a venda de diversos acessórios que dizem combater os danos nocivos da rede. Conheça os itens anti-5G!

Contra o mal, mas que faz mal

Apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) ter emitido uma nota afirmando que as redes móveis do 5G são praticamente iguais às 3G e 4G já existentes e, portanto, são seguras e não oferecem nenhum mal à saúde das pessoas, muitos conspiracionistas alegam o contrário. 

Em alguns casos, grupos dizem que as ondas 5G ajudam a espalhar o vírus da Covid-19, ou causar uma piora nas pessoas infectadas. Desta forma, vários itens denominados ‘anti-5G’ estão sendo vendidos em diversos países diferentes. 

Na Holanda, por exemplo, segundo a BBC, existe a comercialização de máscaras de dormir, pulseiras e até mesmo colares que, supostamente, impedem os danos causados pela rede móvel. Acontece que, esses objetos que dizem combater possíveis danos à saúde, são os verdadeiros responsáveis por danos nocivos. 

Pulseira infantil 'anti-5G'/ Crédito: National Institute for Public Health and the Environment

 

De acordo com um comunicado emitido pela Anvs (agência holandesa para segurança nuclear e proteção contra radiação), esses acessórios emitem radiação e podem causar danos em seus usuários. 

O órgão publicou uma lista com dez produtos em que identificou a emissão de radiação, o que pode se tornar um problema a longo prazo para quem usa tais produtos. "Não use mais, guarde com segurança e aguarde as instruções de devolução", afirmou a ANVS. 

Os vendedores holandeses foram informados de que a venda é proibida e deve ser interrompida imediatamente, e que os clientes devem ser informados sobre isso”, completou o comunicado. 

Entre protestos e armadilhas

A teoria se tornou tão difundida em algumas regiões, que grupos conspiracionistas passaram a boicotar a instalação da rede móvel em algumas partes da Europa. Segundo o portal Tweak Town, uma das regiões mais afetadas com isso é o Reino Unido.

Por lá, extremistas estão plantando armadilhas em diversas antenas, como a colocação de navalhas e agulhas em várias torres — o que pode machucar seriamente operadores de manutenção que vão consertá-las. 

O problema é tamanho que a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) dos Estados Unidos, teve que emitir um comunicado esclarecendo que não há nenhuma relação entre as torres de internet 5G e as infecções do novo coronavírus. Já o diretor médico da NHS, do Reino Unido, o professor Stephen Powis, expressou que tal conexão é “um absurdo” e disse que a conspiração é “um lixo total e absoluto”.

O problema também vem acontecendo na Sérvia. Conforme relatou o portal da revista Exame em junho de 2020, diversos manifestantes tomaram as ruas do país para protestar da forma que o presidente Aleksandar Vucic estava controlando a Covid na nação. 

Indignados com as ordens de confinamento e toques de recolher, as pessoas só foram contidas depois que a polícia os dispersaram com gás lacrimogêneo e de fumaça. “O governo apenas procura proteger seus próprios interesses, as pessoas são danos colaterais", protestou Jelina Jankovic, de 53 anos, que participou da manifestação do dia 8 de junho.

Segundo a imprensa local, Vucic chamou os manifestantes de “fascistas” e afirmou que suspeitava que os protestos foram feitos sob “intromissão da inteligência estrangeira". Entretanto, reconheceu que alguns policiais “falharam” ao agirem com força excessiva. 

“Essas pessoas não estão protestando por causa do coronavírus. Elas estão falando de algum tipo de traição, de imigrantes, da rede 5G e da terra plana. E não é a primeira vez que protestam, só que a violência empregada por eles costuma ser maior", declarou Aleksandar Vucic, conforme relatado pela AFP.