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A conturbada vida de Virginia Roberts Giuffre, vítima de tráfico sexual

Em 2010, ela criou uma organização para ajudar mulheres que passaram pela mesma situação e tornou sua história pública ao buscar por justiça

Nicoli Raveli Publicado em 13/04/2020, às 14h00

Virginia Louise Giufree segurando uma foto de quando ela era jovem
Virginia Louise Giufree segurando uma foto de quando ela era jovem - Divulgação

A advogada americana Virginia Louise Giufree ficou conhecida por ser uma das sobreviventes de tráfico sexual infantil elaborado por Jeffrey Epstein. Não obstante, sua vida foi muito conturbada e traumática.

Aos 13 anos de idade, ela se envolveu com Ron Eppinger, um homem que fingiu ser um agenciador de modelos da empresa Perfect 10. Dessa maneira, a garota foi levada ao tráfico sexual internacional.

Porém, o grande segredo de Ron foi descoberto pouco tempo depois, quando a polícia prendeu o proprietário. Posteriormente, ele se declarou culpado pelo contrabando de prostituição e foi condenado. No mesmo momento, Virginia passou a morar com seu pai para sua própria segurança. Em 2000, a garota começou a trabalhar em uma das propriedades de Donald Trump.

Em menos de um ano, a futura advogada conheceu Ghislaine Maxwell. Ela a prometeu um emprego de massagista ao lado de Jeffrey Epstein. Entretanto, nada ocorreu como o esperado. Em pouco tempo, ela já estava sendo treinada como servente sexual sob o pretexto de que estaria apenas aprendendo o trabalho de uma massagista.

Jeffrey Epstein e sua namorada, Ghislaine Maxwell / Crédito; Divulgação

 

Foi quando Giuffre passou por experiências ainda mais terríveis. Ela era trancada a fim de fornecer obrigatoriamente serviços sexuais a Epstein e seus colegas durante dois anos e meio.

Ao viajar para a Tailândia, Virginia conheceu o australiano Robert. O casamento aconteceu pouco tempo depois, o que fez com que a mulher deixasse para trás todo o seu passado. Dessa maneira, ela rompeu as ligações com Epstein e Maxwell; em seguida, ficou por cinco anos na Austrália.

O caso com o príncipe Andrew

Foi em 2005 que os primeiros relatos contra Epstein apareceram. Logo, a mulher foi procurada pela polícia australiana e afirmou que trabalhou para o homem e, que manteve relações sexuais até mesmo com o príncipe Andrew. Entretanto, todas as informações só foram aparecer na mídia em 2010.

Príncipe Andrew saindo de carro do Palácio de Buckingham / Crédito: Getty Images

 

Devido a sua trágica experiência, a mulher decidiu seguir o ramo da advocacia e criou a organização Victims Refuse Slience para ajudar mulheres que passaram pela mesma situação. No mesmo ano, poucas horas antes da morte de Epstein, Virginia decidiu lançar um manuscrito sobre o seu passado.

Nos documentos, há a citação de uma ação judicial contra o ex-financista e todos envolvidos no contrabando de prostituição. Não obstante, os relatos chegaram até a mídia e foi divulgado que o príncipe Andrew havia dormido três vezes com Giuffre. A realeza sempre negou tal envolvimento.

A ação judicial

Por mais que diversas pessoas acusassem Epstein, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não permitiu que as vítimas contestassem o então acordo entre o contrabandista e a autoridade local em 2008. Dessa maneira, Bradley Edwards, advogada de Virginia, acusou a justiça por violação da lei de direitos das vítimas.

Jeffrey Eptein, contrabandista sexual / Crédito; Divulgação 

 

“Eles estão dispostos a conversar. Eles querem compartilhar suas histórias. Isso fazia parte da cura deles”, afirmou a advogada. 11 anos depois, o juiz Kenneth Marra decidiu que os promotores realmente haviam violado o direto das mulheres.

Já na segunda ação judicial, Jeffrey foi acusado e preso em julho de 2019. Após sua condenação, Geoffrey Berman, advogado americano, pediu para que outras vítimas se manifestassem sobre o caso.

Além da prisão do principal contrabandista, a justiça também tomou a iniciativa de buscar os nomes de todas as pessoas que estavam envolvidas no tráfico sexual comandando por Epstein. Após um mês, o homem cometeu suicídio na prisão de Manhattan.

Foi quando o juiz Richard Berman apoiou todas as vítimas e proporcionou um evento onde elas pudessem falar publicamente sobre o assunto. No dia 27 de agosto de 2019, mais de 15 mulheres compareceram à audiência para relatar suas histórias, incluindo Giuffre.

O caso na mídia

Em 2010, Giuffre decidiu falar publicamente sobre sua vida. O relato foi publicado pela primeira vez pelo Mail on Sunday, na qual contava com uma foto da vítima ao lado do príncipe Andrew na casa de Maxwell, em Londres.

Príncipe Andrew, Virginia Giuffre e Ghislaine Maxwell / Crédito: Divulgação 

 

Cinco anos depois, Virginia concedeu uma entrevita a ABC News, na qual comentou seu envolvimento com Epstein. Mais tarde, em 2019, o programa televisivo Dateline NBC promoveu um encontro entre as vítimas do contrabandista. Além disso, a mulher também foi entrevistada pelo 60Minutes Australia e BBC, relatando os detalhes do tráfico sexual e sobre seus encontros marcados com o príncipe Andrew.

O membro da realeza foi entrevistado em seguida, e alegou que não reconhece nenhuma das acusações. Além disso, ele relatou que se as autoridades precisassem, cooperaria com as investigações. Entretanto, de acordo com a polícia local, o príncipe não compareceu ao tribunal de Nova York quando foi solicitado.


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