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Coroa usurpada por um filho bastardo? O pouco lembrando Dom Miguel I, irmão de Dom Pedro I

Rei de Portugal entre 1828 e 1832, o nobre se envolveu em diversos conflitos, golpes e traições desde muito jovem

Pamela Malva Publicado em 14/05/2020, às 10h00

Foto de Dom Miguel I, irmão de Dom Pedro I
Foto de Dom Miguel I, irmão de Dom Pedro I - Wikimedia Commons

Governantes do Reino de Portugal e do Brasil Império, os a família Bragança conta com uma enorme árvore genealógica. Como reis, imperadores, condes e militares, os membros da Família Imperial lideraram nações por anos a fio.

Muitos dos Bragança, no entanto, acabaram perdendo os holofotes para grandes mandantes. Os irmãos de Dom Pedro I são os maiores expoentes das muitas personalidades que foram ofuscadas por um imperador.

Dom Miguel I, por exemplo, é um dos familiares de D. Pedro I que, apesar de ter sua própria trajetória política, não chamou tanta atenção quanto o irmão. Dessa forma, sua vida foi cheia de golpes, tramas complexas e um possível segredo.

Pintura de D. Miguel I de Portugal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Polêmicas desde criança

Sétimo filho de D. João VI e Carlota Joaquina de Bourbon, Dom Miguel I nasceu em 26 de maio de 1801 e recebeu o título de Prior do Crato. Como um dos irmãos mais novos de Dom Pedro I, no entanto, ele se envolveu em polêmicas desde pequeno.

Segundo biógrafos da Família Imperial, D. Miguel I era fruto de uma relação adúltera de sua mãe. Tais fontes teorizam que o príncipe, na verdade, poderia ser filho do Marquês de Marialva, do jardineiro do palácio ou até mesmo de um serviçal do Ramalhão.

Para os teóricos da conspiração, D. João VI afirmava que não teve relações sexuais com sua esposa por mais de dois anos antes do nascimento do menino. O Rei, no entanto, nunca anulou seu casamento com a Rainha Consorte, indicando que não tinha quaisquer dúvidas sobre a paternidade do príncipe.

Pintura de D. Miguel I, Rei de Portugal / Crédito: Wikimedia Commons

 

Vida política

Aos 22 anos, D. Miguel I, na época comandante do exército português, liderou um movimento militar contra o parlamento do país. O conflito resultou na dissolução das várias cortes e concentrou o poder nas mãos de seu pai, em 1823.

Os parlamentares, contudo, restabeleceram a Constituição de 1822. O movimento contrário de D. Miguel I — a Abrilada — foi sufocada e os diplomatas exigiram que D. João VI retirasse seu filho do comando do exército e o mandasse para exílio.

Quando o Rei de Portugal morreu, em março de 1826, D. Miguel I ainda estava exilado em Viena e bolou um plano para voltar ao seu país de origem. Convidado para assumir o trono português, D. Pedro I abdicou da coroa em favor de filha, D. Maria da Glória.

Com os olhos nas jóias reais, D. Miguel I prometeu ficar noivo de sua sobrinha e, assim, ser nomeado regente do Reino de Portugal durante a menoridade da jovem. O acordo foi aceito e os dois se casaram.

Foto de D. Miguel I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Reviravolta no palácio

Cada vez mais próximo do trono, D. Miguel I decidiu tomá-lo de uma vez por todas e usurpou a coroa de sua sobrinha, em junho de 1828. Ele já tinha governado ao lado da jovem por alguns anos, mas queria ter o cetro apenas para si.

O golpe dissolveu completamente o parlamento português e irritou grande parte da elite do país. Com o apoio do povo, no entanto, o tradicionalista D. Miguel I conseguiu manter a coroa em sua cabeça por algum tempo — até a notícia chegar ao Brasil.

Em 1831, D. Pedro I entregou o Brasil Império para seu filho, D. Pedro II, e rumou para Portugal. Ao lado da filha traída, o ex-imperador juntou forças internacionais para derrubar o irmão do poder. Deu-se início, então, à Guerra Civil Portuguesa.

De um lado, D. Pedro I contava com o apoio da Grã-Bretanha, Irlanda e França. Do outro, D. Miguel I esperava guiar o exército português para seu sucesso. O resultado, contudo, não foi como ele esperava.

D. Miguel I, sua esposa, a princesa Adelaide e seus dois filhos mais velhos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem coroa, sem país e sem família

Dom Miguel I foi forçado a abdicar do seu amado trono através da Convenção de Evoramonte, assinada em maio de 1834 — dia de seu 33º aniversário. Graças à Lei do Banimento, ele foi mais uma vez exilado em Viena.

Em um navio, o antigo Rei de Portugal passou algum tempo na Itália, na Grã-Bretanha e na Alemanha. No último destino, casou-se com a princesa Adelaide de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg, com quem teve sete filhos, em setembro de 1851.

Em 1866, os 65 anos, D. Miguel I morreu, assombrado pela terrível fama de usurpador. E o pior: nunca voltou ao seu tão amado Reino de Portugal. Seus filhos alemães poderiam voltar ao país, mas nunca teriam o direito de reividicar o trono português.


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