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Corpos em conserva: Karl Denke, um dos maiores serial killers do século 20

Entre 1903 e 1924, na Prússia, o assassino em série vendia cintos e alimentos feitos a partir de suas vítimas

Vanessa Centamori Publicado em 04/05/2020, às 17h52

Divulgação
Divulgação - Uma das únicas fotos de Karl Denke

No século 20, em uma igreja em Ziebice, no antigo reino da Prússia, Karl Denke tocava órgão. O instrumento musical, conhecido por suas notas pacíficas, porém melancólicas, entoava com as orações dos fiéis.

Mas, mal sabia a comunidade, o órgão também podia soar assustador - afinal de contas, por trás daquele tocador bondoso estava um cruel assassino em série. Adepto à música e à religião, o homem esbanjava uma atitude aparentemente inofensiva e caridosa, e doava refeições quentinhas para pessoas sem teto da cidade. Só que, de quebra, secretamente também assassinava os mesmos desabrigados que dizia proteger. 

Infância problemática

Quando menino, tinha fama de ter fala mansa, mas era muito problemático. Tanto que fugiu de casa quando tinha apenas 12 anos de idade, em 1872.  O garoto vinha de uma família de agricultores respeitados e ricos, que moravam perto da fronteira da Polônia e da Alemanha. Escapou do ambiente familiar seguro logo após suas notas escolares caírem. Resolveu então tornar-se aprendiz de jardineiro. 

Imagem ilustrativa de fazenda da época / Crédito: Divulgação 

 

Quando seu pai morreu, aos 25 anos, Karl usou a herança deixada no testamento para comprar uma pequena fazenda. O empreendimento, para a má sorte do rapaz, fracassou. O jovem resolveu então liquidar tudo e comprar uma casa de dois andares em Ziebice, enquanto alugava uma pequena loja ao lado.

Comerciante

Em seu comércio, Karl Denke vendia um pouco de tudo: suspensórios, cadarços de couro, cintos e alimentos. Outro item negociado nas redondezas eram potes do que ele apresentava como carne de porco em conserva. Só que, para a surpresa de todos, o comerciante nunca abateu ou revendeu nenhum porco - na verdade, matou seres humanos e os enlatou. 

Como ocorre com gado, os corpos eram processados e vendidos. Os cintos de couro, cadarços e suspensórios - todos eles não vieram do couro animal. Eram o produto dos cadáveres de vários moradores de rua. 40 deles nunca mais foram vistos com vida depois que visitaram a casa de Karl Denke. 

Enquanto não realizava homicídios, o assassino enganava a todos com sua atitude de bom homem. Não só tocava órgão na igreja, mas fazia a gentileza de carregar também cruzes durante funerais. 

Em tais celebrações mórbidas, Karl conheceu vários migrantes e alguns andarilhos que viviam em Ziebice. Como quem tem um coração nobre, oferecia para que os desabrigados humildes passassem algumas noites em sua casa, antes deles seguirem viagem ou qualquer que fosse o rumo. 

Conservas de carne humana, vendidas como fossem de porco / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

Essa atitude, aparentemente admirável, era feita em pleno ano 1921, quando uma crise econômica tomou conta da Alemanha e mais que nunca, o número de moradores de rua crescia. Era difícil viver com o fim da Primeira Guerra Mundial e uma inflação exorbitante.

O próprio assassino teve que vender sua casa, trocando seu antigo lar por um apartamento, próximo a seu comércio. No local, ele passou a receber necessitados naquele mesmo ano. Todavia, eles acabavam viravam, mais tarde, produtos de sua loja.

A última machadada 

Ninguém questionou os frascos de carne de porco em conserva de Karl Denke. Ainda mais pois a região da Prússia vivia uma escassez maciça de alimentos. As pessoas compravam a comida com suas últimas economias pois estavam morrendo de fome. Sem saber, devoravam carne humana. 

Instrumentos usados pelo assassino / Crédito: Divulgação/Youtube 

 

Só foi em 21 de dezembro de 1924 que esse ciclo perturbador teve um fim. Naquele fatídico dia, um homem ensanguentado, chamado Vincenz Olivier, tropeçou nas ruas e gritou por socorro. 

O vizinho de Karl - embora não soubesse - vivia no andar de cima do serial killer, e correu para socorrer a vítima. O homem ferido e em prantos tinha acabado de ser agredido com um machado. Por pouco, escapara com vida.

Aquilo fez tudo acabar mal para o assassino em série: finalmente, alguém fugiu das mãos de Karl e acabou o denunciando. Olivier juntou forças e murmurou o nome "Papa Denke", que era como o matador era conhecido. 

As autoridades prenderam o assassino e o interrogaram. Lembremos que até então ele era apenas um homem inocente e caridoso de 54 anos de idade. Logo, aproveitou da fama de bom moço e disse ter agido em legítima defesa. 

Machado usado por Karl Denke / Crédito: Divulgação /Youtube

 

Porém, mais tarde, provavelmente ciente de que não sairia impune, às 11h30 da noite, Karl Denke se matou, enforcado em sua cela. O apartamento do suspeito foi revistado no dia 24 de dezembro daquele ano de 1924, em plena Véspera de Natal. 

Assim que abriram a porta, os investigadores sentiram cheiro de vinagre. O ingrediente era comum nos rituais de conservação e decapagem, realizados pelo assassino. Em seu armário, estava mais uma evidência: roupas ensanguentadas. Por último, foram encontrados potes de conserva e pilhas e mais pilhas de ossos. Aquelas, obviamente, não eram ossadas de porcos. 


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