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Nepotismo e corrupção: o inacreditável papado de Alexandre VI

Membro da polêmica e influente família Bórgia, o líder supremo da Igreja Católica de santo não tinha nada

Vanessa Centamori Publicado em 04/09/2020, às 12h00

Jeremy Irons como Rodrigo Bórgia / Papa Alexandre VI na série Os Bórgias
Jeremy Irons como Rodrigo Bórgia / Papa Alexandre VI na série Os Bórgias - Divulgação

Em quase 2 mil anos da religião cristã quase nenhum papa foi tão polêmico quanto Alexandre VI, que também era chamado de Rodrigo Bórgia. Ele nasceu em Valência, na Espanha, no dia 1 de janeiro de 1431, filho de Isabella Bórgia com o nobre Jofre Lançol.

Sobrinho de Afonso Bórgia, o Bispo de Valência, a educação de Rodrigo foi supervisionada pelo tio desde cedo. Mais tarde, na adolescência, o rapaz começou a ser favorecido por ele no movimento eclesiático.

Rodrigo estudou direito em Bologna e no dia 22 de fevereiro de 1456, tornou-se cardeal graças à Afonso, que alcançou o posto de Papa Calixto III. O novo cargo de Rodrigo proporcionou riqueza, e apreço por obras de arte valiosas. 

O Papa Calixto III, tio de Rodrigo Bórgia / Crédito: Divulgação

 

Laços pecaminosos 

Mesmo sendo cardeal, Rodrigo Bórgia levou uma vida distante da carreira religiosa e chegou a ter um relacionamento com a romana Vanozza dei Cattanei, com quem teve quatro filhos: João, César, Godofredo e Lucrécia Bórgia. 

Não bastasse isso, Rodrigo nutriu uma vida de lascívia, mantendo relacionamentos também com outras mulheres da nobreza e com prostitutas. Ao longo da vida, teve inúmeros filhos bastardos.

Ele era um administrador forte, trabalhou como diplomata, servindo a Cúria Romana. Certamente, nesse ponto de sua vida, alcançou muita riqueza e influência, mas desejava ter mais poder.

Sua vontade tornou-se realidade após a morte do Papa Inocêncio VIII. Ao conseguir a maior parte do voto dos cardeais no conclave, Rodrigo foi eleito Papa Alexandre VI, em 11 de agosto de 1492. Mas um detalhe muito importante é que esses votos não vieram assim tão fácil, mas foram frutos da corrupção.

Alexandre VI / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um papado corrompido

Rodrigo estava com 61 anos, quando agarrou a força a oportunidade do papado para si. Em troca de votos no conclave (a eleição para o novo papa), ofertou bispados, terras, posições na Igreja e mulas repletas de prata para seus colegas cardeais.

Assim, tornou-se Alexandre VI. Em seu pontificado, ficou reconhecido por seus esquemas de corrupção, principalmente por ter usado de sua posição para realizar manobras nepotistas. Seus filhos com Vanozza dei Cattani foram extremamente favorecidos: João e Godofredo, por exemplo, tiveram até casamentos com noivas das famílias reais da Espanha e Naples.

O filho mais velho, César Bórgia, foi promovido à posição de cardeal. E o favorecimento também se expandiu para pessoas que não faziam parte do clã Bórgia, mas que eram do interesse de Alexandre VI. 

Um exemplo é Alessandro Farnese, não apenas um amigo de César, como também irmão de uma das amantes secretas do papa, chamada Giulia Farnese. A filha de Alexandre VI não deixou de ser favorecida politicamente, conquistando riquezas ao se casar três vezes com homens nobres. 

Alexandre VI e Lucrécia Bórgia no filme Os Bórgias / Crédito: Divulgação 

 

A unificação 

Apesar do papa não ser um homem santo, ele era querido pelo povo romano. Roma passou por uma onda violenta de crimes e não possuía guarda policial para fazer imperar a lei. Alexandre VI conseguiu diminuir a violência fortificando os muros para impedir a entrada de invasores e unificou os feudos da Igreja. 

No entanto, o seu principal legado foram as Bulas Alexandrinas, iniciando a divisão de terras entre portugueses e espanhóis no mundo. Depois a ação foi definitivamente confirmada com o Tratado de Tordesilhas, no papado de Júlio II. 

Após 11 anos de governo como papa, Alexandre VI sofreu com uma grave doença, que também atingiu César Bórgia. O moço conseguiu se recuperar, mas o papa idoso faleceu no dia 18 de agosto de 1503, aos 72 anos de idade. Seu sepultamento ocorreu na igreja Santa Maria in Monserrato, na Espanha, e seu sucessor foi o Papa Pio III.


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