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O dia em que crianças foram hospitalizadas após um episódio de Pokémon

Combinação infeliz de cores causou uma catástrofe de relações públicas, levando à suspensão da série no Japão

Paula Lepinski Publicado em 29/09/2019, às 08h00

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- Reprodução

Era dia 16 de dezembro de 1997. O anime Pokémon, sucesso absoluto no Japão, lançaria o 38º episódio de sua primeira temporada. Chamado Dennō Senshi Porygon (Polygon, o Soldado Cibernético), seria exibido em mais de 4 milhões de residências no país. Às 18h30, milhares de japoneses, quase todos crianças, estavam ansiosos em frente à televisão para assistir às aventuras de Ash e seus amigos no mundo imaginário criado por Satoshi Tajiri.

Até que 685 delas foram levadas às pressas para os hospitais.

Visão embaçada, dores de cabeça, tontura, náusea, cegueira temporária, convulsão e perda de consciência. Eram esses os sintomas apresentados por 310 meninos e 375 meninas após assistir ao episódio. Sintomas típicos de epilepsia fotossensível.

A maioria se recuperou antes de chegar ao hospital, mas cerca de 150 tiveram que receber atendimento e dois permaneceram internados por mais de duas semanas. Quase 12 mil crianças japonesas que não foram levadas aos hospitais afirmaram ter sentido algum incômodo mais brando.

Uma das cenas do episódio / Crédito: Reprodução

O culpado? Os efeitos visuais. Em uma das cenas, Pikachu destrói mísseis com o choque de trovão. Parte da tela passa a piscar de forma estroboscópica, se alternando entre azul e vermelho, 12 vezes por segundo, durante seis segundos.

Manchete

O incidente virou notícia em todo o Japão e recebeu o nome de Pokémon Shokku (Choque Pokémon). Algumas emissoras chegaram a mostrar novamente a cena, causando uma nova onda de convulsões e mal-estar.

No dia seguinte, a TV Tokyo emitiu um pedido de desculpas à população e suspendeu a transmissão do programa. Vendedores retiraram a série de suas prateleiras, produtores do programa foram questionados pela Agência Nacional de Polícia do Japão e a Nintendo, que produz o jogo para gameboy, viu as suas ações caírem 5%.

Outra cena do episódio, onde percebe-se os efeitos visuais / Crédito: Reprodução

O anime não foi exibido durante os quatro meses seguintes e retornou apenas depois de ter adaptado o formato e o design de todas as cenas similares à que causou o incidente. O 38º episódio de Pokémon não seria mais exibido (está no YouTube, mas não vamos dar o link).

Desde então, videogames e animações trazem avisos dos riscos de epilepsia fotossensível.