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Crime de ódio? O intrigante caso de Alonzo Brooks mostrado em Mistérios sem Solução, da Netflix

Em 3 de abril de 2004, Brooks desapareceu após participar de uma festa e deu início a um mistério que já dura 16 anos

Fabio Previdelli Publicado em 03/08/2020, às 17h04

Alonzo Brooks, jovem morto em 2004
Alonzo Brooks, jovem morto em 2004 - Divulgação/ Netflix

No último mês, a série Mistérios sem Solução — reboot de um clássico da década de 1980 — estreou na Netflix. Como o próprio nome sugere, o programa revive casos bizarros e controversos que não tiveram solução até o momento.

Em formato de documentário policial, o show entrevista pessoas envolvidas nos acontecimentos, sejam investigadores ou parentes/conhecidos das vítimas, e também traça todas as hipóteses abordadas pelas equipes que trabalharam nas buscas. Além do mais, o website da série também disponibiliza um espaço para quem possa contribuir com as investigações.

Foto de Alonzo Brooks / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

A ideia parece ter funcionado. Isso porque um dos casos tratados no programa, o assassinato de Alonzo Brooks (4º episódio da primeira temporada), ganhou novas denúncias após a estreia da produção e o corpo de Brooks chegou até ser exumado para nova perícia.

Mas o que aconteceu Alonzo Brooks?

Afro-americano com raízes mexicanas, Alonzo Tyree Brooks era natural do Kansas, nos Estados Unidos. Na época com 23 anos, ele e outros três amigos viajaram para uma festa em La Cygne, cerca de 80 quilômetros de onde residia, no dia 3 de abril de 2004.

Já no local do evento, Brooks foi alvo de injúrias raciais e testemunhas relatam que ele brigou com um dos convidados por causa de uma garota que estava no local. Apesar da confusão, o rapaz continuou na festa.

Alonzo e sua família / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

A bagunça se tornou ainda maior quando os amigos de Brooks o deixaram sozinho em La Cygne após um mal entendido de como ele voltaria para casa. O jovem de 23 anos jamais retornou para sua residência e no dia seguinte a família de Alonzo viajou para La Cygne para procurá-lo e entrar em contato com as autoridades locais.

Dois dias depois do sumiço um boletim informando seu desaparecimento foi registrado. Posteriormente, a polícia encontrou as botas e o chapéu de Alonzo em uma em uma rua próxima a festa, mas o paradeiro de seu corpo ainda era um mistério.

Passado pouco menos de um mês, em 1º de maio, a família de Alonzo foi autorizada a vasculhar a área a procura do filho e logo no primeiro dia de esforços eles encontraram seu corpo nas margens do riacho Middle Creek, adjacente a casa onde o rapaz foi visto pela última vez.

Já em decomposição, o médico legista não conseguiu determinar qual foi a real causa da morte de Brooks, mas foi possível determinar que o jovem não tinha nenhum sinal de ossos quebrados e também não apresentava traumas ou sinais de ferimentos. Além do mais, exames constataram que ele não se afogou.

Mas quem poderia tê-lo matado?

Ninguém nunca foi preso em relação ao provável assassinato. Mas, seguindo relatos de participantes da festa, que disseram que no local havia apenas três pessoas negras — entre elas, o próprio jovem assassinado —, sua família acredita que ele possa ter sido vítima de um crime de ódio, simplesmente pelo fato de ser negro em um bairro majoritariamente branco.

O túmulo de Alonzo Brooks / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

Em entrevista à NBC, a mãe de Brooks, Maria, declarou: “Eu sou mexicana e o pai dele é negro, então ele é misto. Ele foi alvejado por causa da cor de sua pele”. O advogado Stephen McAllister concorda: "Isso desafia as razões para acreditar que a morte de Alonzo foi um suicídio ou que de alguma forma acidental ele caiu em um riacho relativamente raso, no condado de Linn, deixando para trás suas botas e chapéu, tudo isso sem testemunhas".

Reabertura do caso

Paralelamente com a estreia da série, o FBI reabriu o caso de Brooks e ofereceu uma recompensa de 100 mil dólares para quem soubesse de algum fato que possa contribuir com as investigações.

Alonzo e sua mãe, Maria / Crédito: Divulgação/ Netflix

 

A estratégia parece ter dado certo, já que no último dia 23 de julho o corpo de Alonzo foi exumado para uma nova perícia. "Estamos investigando se Alonzo foi assassinado", disse McAllister ao KSNT. “Sua morte certamente foi suspeita e alguém, provavelmente várias pessoas, sabe o que aconteceu naquela noite de abril de 2004”.

“Já é hora da verdade aparecer. O código do silêncio deve ser quebrado. A família de Alonzo merece saber a verdade e é hora de a justiça ser feita”, concluiu o advogado.


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