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A crise do Tropical Hotel, o mais luxuoso da Amazônia

Grandioso no passado, o estabelecimento passou a afundar-se em dívidas, até seu inevitável fechamento — todavia, existe uma luz no fim do túnel

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 15/02/2021, às 17h46

Fotografia do Tropical Hotel
Fotografia do Tropical Hotel - Divulgação

O Tropical Hotel, localizado na cidade de Manaus, já foi o epítome do luxo. Quando foi construído, nos anos 1970, o estabelecimento era o local de hospedagem escolhido por diversas celebridades internacionais e outros clientes com contas gordas no banco. 

Entre os nomes que já fizeram reservas no local estão o príncipe Charles e a princesa Diana, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e o fundador da Microsoft, o bilionário Bill Gates. Entre os brasileiros, também já passaram pelo local o Pelé e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula

Evidentemente, no passado glorioso não faltavam clientes para ocupar os 611 quartos do Tropical Hotel, que tornava-se um foco de atração principalmente durante o verão, em que os hóspedes podiam relaxar nas piscinas internas ou fazer um passeio no Rio Negro, que passava ali do lado. 

Em 2019, todavia, a realidade do local era bem diferente. Afundado em dívidas, o estabelecimento teve sua energia cortada oficialmente em maio, de forma que parou de ter condições de receber clientes. 

Falência 

De acordo com uma reportagem do Fantástico, feita em 2019, a respeito do local, o Tropical Hotel acumulava mais de 20 milhões em contas atrasadas. Fazia então oito anos que os proprietários já não depositavam o INSS de seus funcionários, e nem o próprio Fundo de Garantia, para dar um exemplo. 

Fotografia do Tropical Hotel em estado de abandono / Crédito: DIvulgação 

 

Não havia como negar que a falência se aproximava: ocorreram diversas ondas de demissões e dos 1.200 funcionários que um dia fizeram a manutenção do hotel, restaram menos de 100 no início de 2019. O fechamento do estabelecimento teve ainda um sério impacto no turismo de Manaus. 

Assim, para resolver o destino da imensa construção abandonada no meio da selva amazônica, que já tinha suas piscinas empoeiradas e seus corredores acumulando teias de aranha, os donos do estabelecimento decidiram fazer um leilão. 

Novos donos 

Embora esse leilão tenha ocorrido em fevereiro de 2020, todavia, a venda não seria tão fácil quanto parecera a princípio. Isso porque iniciou-se a pandemia do coronavírus e com isso, uma crise econômica sem prazo para se findar. 

Fotografia aérea do Tropical Hotel / Crédito: Divulgação 

 

Um total de três compradores deixaram de pagar pelo Tropical Hotel — dois deles o fizeram sem dar nenhum aviso e um terceiro justificou-se em tribunal, afirmando que "as alterações econômicas trazidas pela pandemia da Covid-19 tornou sua proposta insustentável", segundo repercutido pelo G1. 

Porém, surgiu um quarto interessado: o Grupo Fametro, que administra um Centro Universitário. Desta vez, o estabelecimento teve mais sorte, e foi vendido por 91 milhões. Vale dizer também que, originalmente, o valor do local havia sido estimado em 200 milhões. 

No site da organização que realizou a compra, que ocorreu em novembro do ano passado, foi divulgada uma declaração da reitora da Fametro, chamada Maria do Carmo: “Hoje a Fametro começa a reescrever a história do turismo no Amazonas com as bênçãos de Deus! Vamos restaurar a história desse grande hotel símbolo da nossa cidade”, prometeu ela. 

Resta esperar para ver se o centro universitário será capaz de seguir em frente com seus planos para o gigante majestoso que é o Tropical Hotel.


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