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A crucial e esquecida contribuição das tropas africanas no ‘segundo dia D’

O esforço dos soldados africanos na Operação Dragão ajudou os Aliados a expulsar os alemães da França

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/11/2021, às 09h00

Soldados participantes da Operação Dragão, em 1944
Soldados participantes da Operação Dragão, em 1944 - Wikimedia Commons

A Operação Dragão foi uma parte importante da Operação Overlord, que dividiu as opiniões entre os líderes dos Aliados, mas foi fortemente apoiada pela França, que receberia o apoio necessário para expulsar as tropas alemãs de seu território entre agosto e setembro de 1944.

O que não é lembrado sobre essa missão militar, no entanto, é que ela foi executada, em grande maioria, por tropas africanas, mais especificamente de colônias da França na época.

A operação, que começou apenas dois meses após o evento que ficou conhecido como Dia D, deslocou tropas americanas, canadenses e francesas para impedir o esforço nazista no dia 15 de agosto de 1944, que se tornou uma data importante e comemorada entre líderes de antigas colônias africanas e franceses, segundo a BBC Brasil. 

Buscando reforços

Isso se dá porque, após um grande número de perdas com a invasão alemã em 1940, o exército francês ficou enfraquecido, e precisou buscar reforços desde então.

Com isso, em 1944, ano em que a Operação Dragão se deu, dois terços do exército eram de países da África, e é estimado que um milhão de soldados africanos tenham lutado ao lado dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com o depoimento dado pelo historiador francês Raffael Scheck para o veículo britânico, as unidades francesas que ficavam no sul do país eram compostas por soldados vindos de países africanos, principalmente do norte do continente. 

Antes, a ideia era que a Operação Dragão ocorresse no mesmo dia que o Dia D — 6 de junho de 1944 — no norte da França, mas, foi cancelada por falta de recursos.

Garantindo o controle

No entanto, voltou a ativa quando os Aliados precisaram de ajuda para empurrar as tropas alemãs e garantir o controle de portos na região do Meditarrâneo francês, algo que não estavam conseguindo fazer por falta de abastecimento. 

Antes das tropas enfrentarem problemas nas linhas de frente, os franceses defendiam a missão, mas os líderes britânicos se mostravam hesitantes, por acharem que tentar outra invasão na França não fosse tão importante quanto concentrar esforços em batalhas que estavam ocorrendo em solo italiano. 

No total, segundo os registros americanos da operação, mais de 500 mil soldados estavam envolvidos com a missão, e cerca de 230 mil deles eram franceses. A Operação Dragão teria durado um mês, e foi considerada um sucesso pelos Aliados.

A contribuição dos soldados africanos, no entanto, continua sendo ignorada e esquecida. Além disso, houve uma dispensa em massa de soldados vindos de países da África que atuavam no exército francês no mesmo ano, e a polêmica só aumentou quando as colônias francesas se tornaram independentes: a partir do ano de 1959, as pensões de veteranos africanos foram congeladas, voltando apenas em 2010.

Raffael Scheck, o historiador, contou um pouco sobre as possíveis intenções da nação francesa com a dispensa em massa para a BBC: "Basicamente, a França decidiu branquear seu Exército. Por isso, tirou armas e uniformes dos soldados negros e os entregou aos combatentes da resistência da parte continental da França", afirmou.