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Cuidadoras e assassinas de bebês: os crimes de Amelia Sach e Annie Walters

Em vez de levarem os recém-nascidos para a adoção, elas preferiram uma saída bem mais fácil — e muito mais perversa

Vanessa Centamori Publicado em 01/06/2020, às 20h00

Amelia Sach e Annie Walters
Amelia Sach e Annie Walters - Divulgação/Museu de Londres

Por volta de 1900, em East Finchley, norte de Londres, Amelia Sach dirigia um negócio de sucesso: ela comandava uma Living-in, um tipo de casa pós-parto para a recuperação de mulheres. Era um destino comum para as jovens que davam à luz no início do século 20.

Porém, o que tornava popular aquele local não tinha nada a ver com os cuidados ofertados às mamães de primeira ou segunda viagem. Tratava-se de algo bem mais sinistro: o abandono de bebês — prática mantida a sete chaves — e que escondia outra ainda mais cruel

O cruel mistério começa a ser revelado 

No dia 17 de novembro de 1902, a polícia começou a investigar a casa da cúmplice de Amelia Sach, uma mulher chamada Annie Walters. Um ano depois, as autoridades finalmente viram algo digno de nota.

A cidadã estava saindo de sua residência carregando consigo um embrulho nos braços. A polícia acreditou que se tratava de uma criança abandonada enrolada em um pano, então seguiu a mulher, que olhava desconfiadamente para trás.

Até que ela entrou em um ônibus, em direção à Estação Ferroviária Metropolitana de South Kensington. Descendo na estação, Walters foi abordada por um policial antes que pudesse embarcar em outro coletivo. 

Amelia Sach / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O oficial pediu para ver o bebê insistentemente. Negar aquele pedido às autoridades certamente levantaria suspeita, mas, mesmo assim, Walters não teve outra escolha. Pediu, de qualquer forma, para revelar o embrulho na delegacia.

O tira, mais uma vez, exigiu que a mulher mostrasse o neném de uma vez por todas. Assim, acabou se deparando com uma cena horripilante. Foi um choque quando o xale se abriu. 

Walters revelou um rosto de uma criança com as mãos cerradas. O policial determinou que era um bebê do sexo masculino — ou melhor, um corpo frio, de lábios pretos e olhos fechados. O neném estava morto. 

Canção de ninar fatal 

A causa da morte da criança foi dada como asfixia pela privação de ar fresco nos pulmões. O recém-nascido tinha sido assassinado por Amelia Sach e Annie Walters com o uso mortal do medicamento clorodino, originalmente criado para o tratamento da cólera. 

Matar bebês dessa forma era um modo recorrente de ambas se livrarem das crianças abandonadas na casa pós-parto. Toda vez que uma mulher deixava um bebê por lá, as assassinas ganhavam comissões duplas — um valor por mentirem sobre o abandono irregular e outra quantia por uma fantasiosa "taxa de adoção", que supostamente seria entregue aos futuros pais (que não existiam).

Representação da execução das assassinas de bebês / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Extermínio

As matadoras de bebês foram julgadas por seus crimes e se tornaram as primeiras mulheres a serem enforcadas na prisão de Holloway, em uma manhã amarga de inverno, em 3 de fevereiro de 1903. 

Diferentemente da dupla assassina, a maioria das criadoras de bebês exercia uma profissão carinhosa, socorrendo moças desesperadas — sobretudo as que tinham filhos ilegítimos.

No começo do século 20, até os orfanatos se recusavam a levar uma criança nascida fora do casamento. Criar os bebês era também considerada uma escolha vergonhosa. Acabava que os nenéns eram abandonados nas mãos de criadoras. 

Nesse cenário, várias delas trabalhavam em troca de comissões. Muitas, no entanto, morriam de fome ou abandonavam as crianças que não eram adotadas. Outras, como Sach e Walters, escolhiam caminhos mais fáceis, porém bem mais perturbadores para maximizarem seus lucros. 

Túmulos das serial killers de bebês / Crédito: Divulgação 

 

As assassinas não foram as únicas criadoras executadas por matar recém-nascidos, entre 1871 e 1908. Nesse período, houve também mais cinco mulheres condenadas pelos seus atos atrozes. 

Outros crimes

Não se sabe muito sobre o passado de Annie Walters, mas há alguns registros a respeito da vida de Amelia Sach. Surpreendentemente, segundo o censo da Inglaterra e do País de Gales, a última foi mãe e sua criança nasceu em Clapton.

Walters, embora não tenha tido filhos, foi casada, e provavelmente teve um problema de alcoolismo. Há ainda uma ligação anterior entre ela e a parceira de crimes, que veio bem antes dos assassinatos dos bebês. 

Ambas foram mais tarde apontadas para outro homicídio. O caso resultou na execução injusta de um terceiro elemento — uma mulher que, ao que tudo indica, era inocente. O nome da pobre cidadã era Louise Masset, que foi morta sob a acusação de ter matado seu próprio filho, Manfred. 

O corpo da criança foi encontrado no banheiro feminino na estação ferroviária de Dalston Junction. Em suas alegações, Masset disse que o bebê estava sob a atenção das cuidadoras: Sach e Walters.

Ambas as assassinas acabaram pagando o preço pelo crime, nem que só mais tarde. Afinal, por conta de suas centenas de homicídios, ambas jazeram como indigentes dentro dos muros da prisão de Holloway.

A prática de enterrar as presas no próprio presídio era comum na época em que as matadoras foram executadas. Finalmente, em 1971, após um programa de reconstrução da prisão, os corpos de todas as mulheres mortas pela justiça foram exumados — incluindo os cadáveres da dupla sangue frio de cuidadoras. 


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