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'Cultura, ciência e natureza, quando respeitados, trazem bons resultados', diz neurologista

Responsável pela saúde do povo Zoé, Erik Jennings comemorou a inexistência do Coronavírus na comunidade indígena do Pará

Pamela Malva Publicado em 11/03/2021, às 21h00

Fotografia de indígena do povo Zoé sendo vacinado
Fotografia de indígena do povo Zoé sendo vacinado - Divulgação/Fábio Ribeiro

No dia 25 de fevereiro de 2020, o Brasil registrou o primeiro caso de Coronavírus em território nacional. Poucas semanas depois, em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto de Coronavírus uma pandemia internacional.

Antes dela, os países não estavam preparados para encontrar a ameaça de uma grande doença que poderia, de fato, dizimar milhões de pessoas. Hoje, exatamente um ano depois da declaração, o mundo já conta com 2,6 milhões de vítimas do Coronavírus.

No Brasil, as taxas de mortes diárias causadas pela doença têm gerado comoção. Para o neurologista Erik Jennings Simões, contudo, um recorte em especial precisa ser lembrado em momentos de crise como este: as condições dos indígenas brasileiros.

Imagem meramente ilustrativa de pessoas com máscaras / Crédito: Divulgação

 

Um profissional dedicado

Coordenador da residência médica de Neurocirurgia do Hospital Regional do Baixo Amazonas, Erik Jennings tem uma relação especial com as comunidades indígenas. Isso porque, desde 2003, ele é responsável pela saúde do povo Zoé, no noroeste do Pará.

Com o começo da pandemia do Coronavírus, então, o neurologista soube o que deveria fazer. Também piloto de avião, ele rapidamente passou a fazer parte do grupo de profissionais na linha de frente contra a doença entre os povos indígenas.

Em constante contato com as aldeias, o neurocirurgião considera a situação bastante crítica. Em entrevista à GQ Brasil realizada no ano passado, inclusive, Erik afirmou que "até o dia 1º de junho [de 2020], haviam morrido 182 indígenas no Brasil. O que representa um aumento de 550% no número de mortes em um mês".

Doença e genocídio

Sempre equipado com aventais, luvas e algumas máscaras, o profissional da saúde acredita que a “covid-19 terá um impacto gravíssimo para as populações indígenas em vários aspectos”, segundo narrou durante a entrevista à GQ. 

“No cultural, o principal deles [dos impactos] é a perda das pessoas mais idosas que são a grande fonte de conhecimento desses povos”, lamentou. Para Erik, contudo, “a covid-19 já está tendo uma dimensão de genocídio para os povos indígenas”.

Baseando-se em dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o neurocirurgião explicou que “a taxa de letalidade na população em geral é de 5,7%, enquanto na população indígena é de 9,7%”. “Ou seja, está morrendo muito mais indígena pelo simples fato de ser indígena”, o que configuraria um genocídio.

Erick sendo vacinado por "por mãos que cuidam de gente, de bicho, de mato e espírito" / Crédito: Divulgação/ Márcia Moreira

 

Trabalho incansável

No dia 11 de março de 2021, apesar dos números alarmantes que assolam o Brasil inteiro, Erik Jennings comemorou uma nova conquista. Em seu Instagram, o médico explicou que a população Zoé não registrou nenhum óbito por Covid-19 até hoje.

“Há quase um mês, a segunda dose da vacina contra Covid-19 foi realizada na população Zoé”, comemorou o neurologista. “Nenhum caso positivo de covid-19 até o momento. É um dos poucos lugares do planeta onde a vacina chegou antes do vírus.”

Segundo o médico, a conquista só foi possível com ajuda do “comportamento do povo Zoé em auto-isolamento”. Além disso, também foram implementadas a “testagem periódica de PCR e testes rápidos de colaboradores, desinfecção de aviões, uso de EPIs de forma intensa e a retirada imediata de área de colaboradores com sintomas”.

Ainda na rede social, Erik lembrou que todas as medidas foram tomadas “seguindo protocolo criado por SESAI/FUNAI/ZOÉS”, que era “atualizado periodicamente”. Por fim, o neurocirurgião pontuou que, de toda a experiência, “uma lição já fica": a de que "cultura, ciência e natureza, quando respeitados, trazem bons resultados".


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